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terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Notìcia: Eliminação do Grupo Desportivo da CUF da Taça de Portugal

A notícia que hoje vos trago foi retirada da revista "O Século Ilustrado" datada de 21 de Outubro de 1967, da sua secção desportiva, que aqui a transcrevo na íntegra:

"Da Eliminação da CUF, Pouco Se Pode Orgulhar o Sporting


Acabou-se a primeira eliminatória da Taça de Portugal. Vinte e uma equipas já foram pela borda fora. Foram as que estavam em previsão. E daí... Bom, se a Taça fosse um nadinha mais considerada e não se servissem dela apenas para tapar furos do calendário federativo, por outras palavras, se esta malfadada competição tivesse vitalidade que lhe compete e as suas eliminatórias, para que não lhes faltasse decência desportiva, fossem disputadas numa só mão e em campo a designar por sorteio, é bem possível que tivesse havido algumas surpresas. De certeza pelo menos, não seria possível que, na dúvida do resultado, os clubes mais fortes apresentassem as suas reservas contra os mais fracos, na certeza de que na segunda mão, estão sempre a tempo de fazer as indispensáveis rectificações no marcador.

O facto mais saliente desta eliminatória foi a eliminação da CUF. Claro que o contrário também não seria surpresa. A CUF eliminar o Sporting em Alvalade seria caso muito falado. Mas o Sporting eliminou a CUF, por ter jogado muito mal, a revelar mazelas que começam a ser muito graves e, acima de tudo, por ter defrontado um adversário em inferioridade numérica nos momentos decisivos do desafio, também é facto de assinalar.

Assinalado e bem, não deixou ele de ficar pelos próprios adeptos da equipa leonina, que não puderam esquivar-se a algumas manifestações de descontentamento. Enfim o Sporting qualificou-se e está agora muito a tempo de afinar as agulhas e justificar a passagem à segunda eliminatória, mas da eliminação da CUF é que não tem muito de se orgulhar.

Durante este mal jogado e mal arbitrado desafio, sofreram lesões graves os cufistas Capitão-Mor, que teve de ir ao hospital para que lhe fosse suturado o ferimento, e ainda Medeiros, que também abandonou o campo, e Durand, que teve de deixar o seu lugar de defesa, para derivar para o lugar de extremo.

Além do Sporting, ficaram apurados para a segunda eliminatória, que se realiza em 21 e 28 de Janeiro os seguintes clubes: Benfica, Belenenses, Académica, Setúbal, Leixões, Guimarães, Braga, F. C. do Porto, Sanjoanense, Barreirense, Tirsense, Cova da Piedade, Covilhã, Torriense, Sintrense, Viseu, Leça e Gouveia.

Espinho-Varzim e Penafiel-Lamas só decidirão a eliminatória em terceiro jogo."

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Revista Desportiva com o jogador José Palma da CUF


Esta Revista remonta à época futebolística de 1958-1959, fundada um ano antes tendo como Director: Henrique Parreirão e como editor Artur Agostinho. Era à semelhança de outras revistas que existiram anteriormente como a celebre "Stadium" uma revista de foto-reportagem sobre o desporto-rei. Esta tem como capa o jogador José Palma, defesa-central da CUF, que tanto brilhou na década de 60, aqui era ainda apresentado como "astro do futuro". Nessa época tal como li numa publicação algures, o Barreiro, era um viveiro a fervilhar de bons futebolistas.

Nao resisto a transcrever o pequeno texto que acompanha a imagem da capa: "Portugal sempre teve excelentes médios-centros. No futebol clássico, hoje recordação de velhas gerações, Artur José Pereira e Augusto Silva; com o advento do W.M., com outra função tão distinta, os idolos Feliciano e Félix. A mocidade vive a táctica do 4x2x4, com dois defesas-centrais, em cobertura frontal da baliza, e lutando com «pontas de lança».
Palma, da CUF, com 22 anos de idade, é um produto cem por cento barreirense. É um futebolista de certa personalidade. Titular indiscutível da famosa equipa de juniores da época 1953-1954 que na Alemanha teve uma actuação notável, Palma foi um júnior excepcional. Nele vivia o instinto do jogador servido por um tecnicismo apreciável
Tem o sentido do lugar; a percepção clara do lance; o golpe de vista que define um jogador. Dotado de «détente», essencial no lugar, Palma na galeria dos jovens poderá conquistar uma posição interessante. O magnifico júnior, de longe o melhor da defesa portuguesa, autoritário, rápido e evoluído, vai renascer? Os últimos jogos indicam melhoria. Tem sido um dos baluartes da CUF. Continua sereno, lúcido. Sabendo do oficio. Menos ligeiro, mas com noção da entrega para os médios, ou aliviando largo, para os flancos.
O instinto não feneceu, os reflexos reaparecem. Palma, grande futebolista aos 18 anos, um caso especial na categoria júnior, se treinar com entusiasmo, poderá no mundo do futebol português ser, de novo, um jogador inigualável.
Tem 22 anos, e uma experiência larga. Na élite do futebol nacional o barreirense da CUF, único clube que conheceu tem o direito e obrigação de mostrar que as virtudes juvenis de 1954, não desapareceram. Com magnificas condições atléticas, servido por um poder de elevação clarividente e técnico, Palma na era do 4x2x4, poderá ascender a plano de realce.
Acreditamos na sua evolução. Sabemos que como júnior brilhou. A qualidade do seu futebol está ressurgindo por uma preparação intensa. Conhecendo o posto, e colocando-se, com calma, na «zona de tiro» Palma na plêiade de defesas nacionais poderá reconquistar o ceptro.
O Grande público não o aplaude, porque pertence a uma simpática agremiação, mas sem as «massas» dos «grandes». Palma vai ser o astro do futuro. Assim esperamos!"

Folheando um pouco a revista deparamo-nos com uma vitória do Grupo Desportivo da CUF, ao F.C. do Porto, no Campo de Santa Barbara, seguido de um empate a 3 bolas contra o Vitória de Setúbal, onde nos apercebemos a existência de um auto-golo por parte dos sadinos . Aqui fica a constituição das equipas:

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Crachás de Acampamentos do G.D. da CUF

Aqui vos trago uns interessantes crachás da Secção de Campismo do Grupo Desportivo da CUF, de 3 acampamentos por eles realizados. Logo que conseguir adquirir os restantes irei colocando. Este é um post para os aficionados do desporto, e não só. São de facto muito bonitos. Aqui estão eles:


IV Acampamento, Penalva (Maio de 1966)


V Acampamento (Maio de 1967)


8º Acampamento, Sarilhos Pequenos (Maio de 1974)

terça-feira, 21 de julho de 2009

Jogadores do Grupo Desportivo da CUF, Uria e Faia

Aqui vos trago mais esta curiosidade, estas magnificas caricaturas de jogadores do Grupo Desportivo da CUF. As carteiras de fósforos antigamente, eram muito mais coloridas, desenhadas, e com uma multiplicidade de temas que nos dias de hoje, (servindo até como forma de coleccionismo por muitas pessoas) também não era para menos, na época todos os usavam, e os isqueiros? Bom quem quisesse isqueiro, era melhor ter uma licença (há até quem diga que era a formula encontrada pelo governo de subsidiar as fosforeiras). Histórias a parte, aqui ficam as imagens, prometo que assim que encontrar mais serão publicadas.

URIA






















Infelizmente a informação sobre este jogador é muito pouca, apenas sabendo o que está escrito nesta carteira de fósforos, representou o Grupo Desportivo Estoril Praia e depois o Grupo Desportivo da CUF.


FAIA





















Sobre o Faia ou como também era conhecido "Guerra Faia" era um filho da terra. Desportista nato, começou a sua carreira na natação onde com apenas 14 anos de idade foi campeão regional nos 50 e 100 metros. Passado um ano muda-se para o Futebol Clube Barreirense, onde pratica o Basquetebol e o Futebol, até que aos 18 anos opta por um dos desportos, o futebol. Em 21 anos de profissional representa diversos clubes: Académica, Barreirense, Grupo Desportivo da CUF e Luso Futebol Clube. Conta no seu palmarés 400 golos marcados. Voltará ainda ao Desportivo da CUF como treinador, seguindo-se depois o Luso Futebol Clube, o Oriental, o Portimonense, o Barreirense entre outros. Em 1998 foi-lhe atribuido pela Camara do Barreiro o galardão "Barreiro Reconhecido" na area do Desporto.

sábado, 9 de maio de 2009

Dr. Jorge de Mello entrega troféu ao jogador Manuel Passos


É de facto curioso como podemos encontrar, de forma cruzada com outros assuntos, figuras e factos da CUF. E porque digo eu isto? Andava eu entretido por uma feira de velharias, quando me deparo com este postal oficial do Sporting, que para minha admiração e espanto, mostra o então Vice-Presidente do Grupo CUF, Dr. Jorge de Mello a entregar uma taça ao jogador Manuel Passos.
Pelo que pude apurar, trata-se da despedida profissional deste jogador a 2 de Setembro de 1956. O clube de eleição do Dr. Jorge de Mello sempre foi o Sporting, mas porquê ser ele a entregar esta taça? A razão é simples, Manuel Passos (nascido em Machico na Madeira em 1922) foi também ele trabalhador da empresa e jogador no Grupo Desportivo da CUF entre as épocas de 1940 e 1943. Nessa altura e devido a uma enfermidade teve de abandonar a sua carreira, oferecendo-se mais tarde para jogar no Sporting, onde jogou como Defesa entre as épocas de 1947 a 1957.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Medalhas do Grupo Desportivo da CUF

Falando ainda do Grupo Desportivo da CUF, venho hoje apresentar-vos umas interessantes medalhas que encontrei numa feira de velharias. E como á minha pessoa tudo o que seja da vida da Empresa interessa, esta é também uma forma de mostrar um pouco da vida do Clube, e como eram as suas medalhas desportivas. Duas são referentes a torneios de Basquetebol, uma dos 23 anos do Grupo Desportivo da CUF, e por fim uma muito engraçada da inauguração do Pavilhão Gimnodesportivo (então designado como Pavilhão dos Trabalhadores, hoje Pavilhão Vitor Dominges) localizado no Lavradio, junto ao Estádio Alfredo da Silva cuja inauguração foi efectuada a 27 de Novembro de 1971. Espero que gostem.





quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Emblema do Grupo Desportivo da CUF para colocar nos automóveis


Este emblema, certamente seria colocado nas grelhas dos carros pertencentes ao Grupo Desportivo da CUF. Um clube que não servia apenas para "publicitar" a CUF propriamente dita, detendo um palmarés invejável em todas as suas modalidades. O Grupo Desportivo era um espelho da família "cufista" e do seu orgulho em vestir a camisola de uma empresa. Desde o operário, passando pelos, empregados superiores das várias areas, aos engenheiros e á própria administração, a vida clubistica da CUF era vivida intensamente. No Campo de Santa Bárbara e posteriormente no Estádio Alfredo da Silva, foram muitos os duelos contra Sportings e Benficas, viveiro de grandes jogadores que foram glórias do desporto (Manuel Fernandes no futebol ou Victor Domingos no Hoquei). De génese inovadora (como aliás não o poderia deixar de ser) O Grupo Desportivo da CUF, trouxe para Portugal uma modalidade desconhecida até aí, falo do Judo, criando este Clube uma das primeiras secções deste Desporto no nosso país. Sonhou com uma Cidade do Desporto a construir no Barreiro, mas as mudanças politico-sociais dos anos 70 vieram deitar por baixo esses projectos, e o Desportivo da CUF acabou por esmorecer numa lenta agonia. Foi pena...

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Curiosidades: Carimbos de Livros das Bibliotecas da CUF

O resultado de se andar por feiras de velharias, leva-nos a temáticas interessantes como esta que hoje aqui vos trago. Falando aqui e ali, desfolhando livros nestas feiras, encontram-se curiosidades sobre o tema entre os demais livros que por lá andam perdidos, á espera de encontraram os seus futuros compradores. É o caso deste livro:




Trata-se de um livro pertencente á Biblioteca da Liga de Instrução e Recreio CUF (como se pode ver no carimbo, colocado na primeira pagina do livro - foto2). Observa-se ainda nessa página que provavelmente o livro teria chegado á Biblioteca no ano de 1932. Olhando agora para a foto3 na ultima pagina do livro estava afixada a página das devoluções, cuja a ultima entrega estáva datada de 5 de Agosto de 1967. Estamos pois perante um livro que ainda é do tempo da já referida Liga, que foi, por assim dizer, a "mãe" do Grupo Desportivo da CUF (criado a 27 de Janeiro de 1937).





Veja-se agora estes dois exemplares, dois manuais um é um Guia prático de Fertilização por Adubos, e o outro escrito em espanhol é também um manual de Fertilização. Trata-se de dois manuais, que pelo que sei foram requisitados por engenheiros agrónomos que se encontravam em Angola ao Centro de Documentação da CUF.

No primeiro livro olhando os carimbos, podemos verificar que era do Centro de Documentação, e mais abaixo pode ler-se a sigla D.P.A. - documentação e biblioteca. Informando-nos que este livro era pertença da Divisão de Produtos para a Agricultura da CUF.
Em cima, a vermelho verificamos que o livro foi enviado a 29 de Novembro de 1961.

No segundo livro sobre Fertilização, obverve-se o curioso carimbo no topo riscado a lapis, pertencente á COMFABRIL - Companhia Fabril e Comercial do Ultramar, que alias já referi parte da sua história num post anterior. Em baixo ve-se o carimbo da CUF a referir que se destinava ao mercado externo, neste caso á entao provincia de Angola.

Deixo aqui estes curioso 3 exemplos de carimbos ligados á CUF e á vida da empresa. Espero que seja do agrado de todos.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Jogo de Hoquei em Patins do Grupo Desportivo da CUF - Benfica


Vejamos este interessante panfleto publicitário a anunciar o jogo de Hoquei disputado entre o Grupo Desportivo da CUF e o Benfica. Jogo esse que teve como desfecho um empate (CUF 6 - Benfica 6).

Lendo o jornal desportivo "Record" datado de 4 de Junho de 1960, referia-se desta forma ao jogo:

"O Jogo CUF- Benfica foi fértil em golos - nada menos que 12 - meia dúzia para cada lado. Depois de uma primeira parte em que os cufistas evidenciando supremacia chegaram ao intervalo a ganhar por 4-1, assistiu-se á esplêndida recuperação dos encarnados que alcançaram o empate nos últimos segundos do desafio."

segunda-feira, 3 de março de 2008

Medalha do Grupo Desportivo da CUF

Esta Medalha que aqui vos mostro foi feita pelo Grupo Desportivo da CUF em 1969 para homenagear Baptista Rosa, realizador e produtor de cinema, que inclusive chegou a trabalhar com Augusto Cabrita. Infelizmente existem poucas informações sobre esta pessoa. Dirigiu juntamente com Frederico Kessler, a revista IMAGEM, que foi lançada entre os anos de 1954 a 59. Faleceu em Lisboa a 6 de outubro de 1982.




quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

A CUF e Os Jogos Juvenis do Barreiro

Nos anos 60, mais concretamente a partir de 1964, pela mão de Augusto Pereira Valegas nascem os Jogos Juvenis do Barreiro. Realizados em época estival, já depois do encerramento das actividades escolares, contavam com a prática de vários desportos, e jogos de competição, quer da juventude barreirense, quer de localidades vizinhas. Os recintos desportivos das provas, espalhavam-se por todas as associações desportivas do Barreiro (Ginásios, Parques Desportivos). Os primeiros Jogos deste tipo contaram com uma participação de 500 jovens, número que em anos posteriores veio sempre subindo, até 1974, sendo este o derradeiro ano deste tipo de provas. Praticavam-se desportos como: Andebol de Sete, Atletismo, Badminton, Basquetebol, Ciclismo, Futebol de Salão, Hóquei em Campo de Seis, Natação, Râguebi, Ténis-de-Mesa, Voleibol e Xadrez entre outros. Como é evidente entre as equipas participantes encontram-se as do Grupo Desportivo da CUF, que cedia também as suas instalações desportivas (o campo de Santa Barbara, e a partir de 1967 no Estádio Alfredo da Silva, a sua moderníssima pista para a prática do Atletismo.). Para além da sua participação neste invento, a CUF ajudava ainda com contribuições financeiras os Jogos Juvenis, juntamente com outras instituições como a Câmara do Barreiro, ou o Fundo do Desporto. Foi uma iniciativa impar no pais, e que devido ao seu enorme sucesso, havia quem quisesse fazer o mesmo noutros locais do país, chegando a haver os Jogos Juvenis do Ribatejo.


Legenda das Fotografias:

  1. Augusto Pereira Valegas
  2. Simbolo dos Primeiros Jogos Juvenis do Barreiro

domingo, 9 de dezembro de 2007

o Auxilio Prestado ao Desporto Barreirense

Como se sabe a obra social da CUF era muito abrangente e feita em vários campos. Também na área do Desporto esta empresa deu um grande contributo não só para a expansão para a prática do desporto no Barreiro auxiliando também os seus clubes desportivos.


Aquando da construção da nova Sede do Futebol Clube Barreirense, uma obra de elevados custos, e que se ergueu devido á boa vontade dos seus sócios e simpatizantes, a CUF foi uma das empresas que se dispôs a ajudar. Ofereceu madeiras exóticas, tão necessária à construção das portas e do mobiliário, autorizando ainda que os trabalhos de carpintaria fossem realizados nas oficinas das Fábricas do Barreiro, depois das horas de trabalho pelos simpatizantes do Barreirense.




Quando o Luso Futebol Clube decide construir o seu Ginásio (o assentamento da primeira pedra foi feito a 11 de Abril de 1948) irá também dispor de ajuda da CUF. Em 1956 pela mão do Dr. Jorge de Mello (então ainda Administrador-Delegado da CUF), o Luso recebe um empréstimo sem juros nem prazo de reembolso de 120 contos do Grupo Desportivo da CUF para saldar a sua dívida à Caixa Geral de Depósitos. A CUF cede ainda meios de transporte e materiais, assim como empresta máquinas para a serragem das madeiras e outras para trabalhos metálicos. O Ginásio do Luso foi solenemente inaugurado em 1959.

Convém referir que à época todos estes clubes, para além de permitirem a prática desportiva (Futebol, Ginástica, Basquetebol,Campismo, etc) ás gentes do Barreiro, funcionavam ainda como espaços de encontro e de cultura, veja-se que todas as sedes destes clubes dispunham de Bibliotecas, bem como de salões de jogos.

Fonte:

- Armando da Silva Pais, "O Barreiro Contemporâneo" Vol. II

sábado, 4 de agosto de 2007

Curiosidade: Artigo sobre o Grupo Desportivo da C.U.F.

Neste novo Post, gostaria de apresentar uma notícia publicada no Jornal “A Bola” de 1 de Agosto de 2007 da autoria de Miguel Cardoso Pereira, ao qual dou os meus sinceros parabéns. Creio que este artigo, que publico na íntegra, demonstra muito bem, que o Grupo C.U.F. não apostava só na indústria, como também se promovia a nível desportivo e que também nessa área ela trouxe as suas inovações. Ainda hoje há um clube com certas semelhanças ao que foi o Grupo Desportivo da C.U.F., falo do Bayer Leverkusen, curiosamente também ela um gigante da indústria química. Serão meras coincidências? Espero que gostem.

"A Primeira Indústria do Futebol"

“No Barreiro diz-se que a CUF nunca foi campeã nacional porque muitos dirigentes da fábrica eram do Sporting e não queria importunar os leões. Diz-se também que a CUF chegou a ser a maior empresa da Europa e que tinha capital para alimentar qualquer ideal desportivo. A revolução de Abril de 1974, mudou os negócios de mãos, mudou até os nomes das coisas. De CUF passou a Quimigal e depois a Desportivo Fabril. Antes do que hoje é a indústria do futebol, houve o chamado futebol industrial.

Saia um fumo amarelado das chaminés das fábricas dos óleos, dos sabões, dos adubos, do que mais havia, que hoje já não sai. Era um fumo que se unia e nuvens igualmente amarelas e chegava a impedir que os treinos decorressem ali ao lado, de tão nauseabundo odor no Campo de Santa Bárbara, o começo de tudo no centro do complexo industrial gigantesco onde trabalhavam onze mil pessoas.

O Barreiro dos anos cinquenta era o pólo económico do País, a CUF era a principal empresa da cidade, espalhada também pelo Portugal Continental, insular e ultramarino.

Hoje o Campo de Santa Bárbara é um depósito de entulhos e materiais de construção. Mesmo ao lado está o mausoléu de Alfredo da Silva, industrial dinâmico que ergueu o império. A estrutura do túmulo é maior do que a de Lenine, em Moscovo.

O ecletismo e os resultados alcançados levaram a que os donos da fábrica alargassem interesses desportivos. Ainda que a população do Barreiro sem ligações à CUF empurrasse o seu Barreirense para a frente, como símbolo da cidade, os milhares de trabalhadores e seus familiares criaram uma cultura própria. Troféus atrás de troféus durante anos e anos: no remo, no hóquei em patins, com os internacionais Vítor Domingos e Leonel Fernandes; no atletismo, no ciclismo – o clube venceu uma Volta a Portugal, por Joaquim Fernandes – no basquetebol. Claro, no futebol: Conhé, Fernando Oliveira, Capitão-Mor, Vítor Pereira, Mário João – bicampeão europeu pelo Benfica que se juntou à CUF devido à segurança de um emprego estável – José Palma, Vieira Dias, Arnaldo José Maria e Manuel Fernandes., que mais tarde brilharia no Sporting. A dupla oferta proporcionada pela CUF, futebol e emprego era, na altura, um privilégio irrecusável.

É, ainda hoje, o único emblema português com um prémio da FIFA e da UEFA para Melhor Público Desportivo, que engrandecia o audaz Complexo Desportivo Alfredo da Silva, no Lavradio, para onde a CUF alargou fronteiras em 1965. Ainda hoje é um dos maiores e mais completos espaços desportivos portugueses. Dos mais graciosos. De arrojada arquitectura.

"22 Anos seguidos e nunca mais"

Acontece que , nos dias que correm, ao lado do Tejo, o Barreiro já não é o maior pólo industrial do País, antes um dos concelhos com maior taxa de desemprego, ainda a braços com a poluição atmosférica, uma cidade à beira do rio, mas que o usa só como caminho para Lisboa.

A revolução de Abril esvaziou o poder da empresa , retirou-lhe privilégios e o desinvestimento foi imediato. As 22 épocas consecutivas na I Divisão terminaram em 1975/1976. Jamais.

Em 1976 a CUF passou a Quimigal e em 2000 rebaptizou-se Desportivo Fabril. Mudou de mãos, de nome e enquanto clube de futebol. Já nem pode bem dizer-se que é um histórico pobre ou azarado, como há outros; é sobretudo uma referência em crise de identidade.

Um nome que fabricou sonhos e que até nas estratégias do futebol foi precursor. A 15 de Fevereiro de 1965 a CUF usou pela primeira vez em Portugal um sistema de 4x4x2, ainda no Campo de Santa Bárbara. Ganhou 2-0 ao Benfica e a inovação foi elogiada por treinadores e jornalistas, conta Manuel de Oliveira, que na altura era treinador da CUF, depois de ter sido jogador.

Junto ao destruído Campo de Santa Bárbara, ainda cheira a óleo alimentar, ainda lá se produz. Mas à volta fecharam mais de metade das fábricas.

Do mal, o menos: os níveis de poluição atmosférica descem no Barreiro. Não se respiram nuvens amarelas e as poucas que há até o vento as empurra para Lisboa, uma capital da indústria do futebol. Aquela que fez do futebol industrial um conceito hoje tão estranho, tão cufista"

Reportagem, autoria de Miguel Cardoso Pereira
Publicada no jornal desportivo "A Bola", 1 de Agosto de 2007