sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Levantando Algumas questões sobre a CUF

Após a morte de José Manuel de Mello, li em diversos blogues, opiniões de muitas pessoas, e depreendi que há ainda hoje uma grande desinformação no que toca ao Grupo CUF. Sendo ainda hoje uma história que se encontra por escrever, este humilde blogue é apenas um pequeno contributo nesse sentido. Redigi pois um texto de forma a tentar esclarecer alguns desses pontos.

Uma questão central com a qual me deparei é precisamente a do "Monopolismo da CUF" e afirmações talvez feitas com alguma ingenuidade, de que "A CUF só foi aquilo que foi devido á politica industrial do Estado Novo". É preciso ter noção que quando a revolução de 28 de Maio de 1926 derrubou a Republica, dando anos depois lugar ao Estado Novo, a CUF era já a nível nacional, um grande grupo económico, presente em múltiplos sectores da vida económica: azeites, óleos alimentares, sabões, rações para animais, química (acido sulfúrico, acido clorídrico, sulfato de cobre, sulfato de sódio, etc), têxteis, navegação (Sociedade Geral de Comércio Industria e Transportes) a Banca (Casa bancária José Henriques Totta) e ainda negócios nas colónias (caso da Casa António da Silva Gouveia, criada em 1921, para a produção de oleaginosas, essenciais para o fabrico de óleos alimentares.).

Grupo tecnologicamente avançado para o País, bem como para as suas mentalidades quer fossem políticos, quer fossem industriais. O que quero eu dizer com isto? O projecto de Alfredo da Silva, não foi gizado apenas para o abastecimento e fornecimento ao país de produtos de que este carecia. Não terá sido pura coincidência que no seu périplo pelo estrangeiro, Alfredo da Silva se tivesse deparado com a figura de Auguste Lucien Stinville, um reputado Eng. Químico que ergueu pela Europa, complexos químicos. Após tornar-se amigo deste, o industrial, convida-o para erguer em terrenos recentemente comprados pela CUF no Barreiro, um moderno complexo químico, à semelhança dos que existiam um pouco pela Europa. Logo aqui nos apercebemos que a CUF não era uma empresa qualquer, pois se olharmos para 1908, observamos que o nosso tecido industrial é composto na sua grande maioria por pequenas fabricas, muitas desconhecendo modernos maquinismos e usando técnicas rudimentares. Contrastando com esta visão, aparecia a então União Fabril, (como era muitas vezes assim designada), quer fosse em termos tecnológicos (relembro que aquando da instalação das suas fábricas no Barreiro, estas já detinham tecnologia de ponta importada do estrangeiro) quer fosse já pelo admirável numero de trabalhadores, que nunca deixou de crescer até 1975.

Creio que ao longo dos tempos dirigentes políticos e governantes, nunca se tenham apercebido precisamente que a CUF, estava sempre um passo à frente quer em termos de mentalidades do país, quer em termos de realizações industriais. Fala-se muito na Lei do Condicionamento Industrial, surgida na década de 30, e afirma-se que a CUF viveu tranquila à sua sombra, mas não posso concordar com essa afirmação. Se é verdade que numa primeira fase a lei foi feita para reorganizar, alguns sectores industriais que se encontravam em grave crise (Caso do Sector Conserveiro, no qual nos anos 30 se assistiu a falências e ao fecho de várias unidades) esta mesma lei deixou de fazer todo o sentido no pós guerra, época na qual o país, deixa a sua politica de autarcia económica, e abre o país ao investimento estrangeiro. Em muitos sectores e em muito empresariado português assistimos a um imobilismo, que advém precisamente dessa Lei do Condicionamento Industrial. Porque é que sucedeu isso? A justificação é simples, nos sectores económicos sujeitos a esta lei, não era possível montar novos equipamentos ou a criação de novas empresas, sem a devida aprovação do Governo. Assim assistimos que em vários sectores, sem a existência de uma concorrência efectiva, não havia por parte do empresário, motivo para a renovação do seu parque industrial por outro mais moderno e tecnologicamente mais avançado. Sabendo que teria a suas vendas asseguradas sem novos investimentos, esse era o típico empresário que vivia à sombra da Lei do Condicionamento Industrial e do proteccionismo corporativo. O tecido industrial da CUF sempre contrastou com o que atrás foi dito, sendo constante a preocupação dos seus líderes, na implantação dos mais modernos maquinismos, e de novos processos de fabrico. Como se afirma num documentário feito a pouco tempo pela RTP sobre a CUF "causava impressão aos técnicos estrangeiros que nos anos 60 nos visitavam, o constrate da modernidade da empresa relativamente ao país". Não será por acaso que a empresa, exportava já parte da sua produção para inúmeros países do Mundo tais como: Coreia do Sul, Indonésia, Irão, Holanda, França, ou México, enquanto a maioria dos empresários se preocupava apenas com o mercado interno e respectivo ultramar. Aliás quando começam as guerras em África, serão os seus dirigentes dos primeiros a tentar convencer os governantes, que politica portuguesa tinha de evoluir. Através as publicações que assinavam, e das constantes visitas ao estrangeiros, rapidamente chegava a CUF o que de mais moderno havia lá por fora, e não só! Ainda hoje é pouco revelado que a empresa chegou a criar tecnologia 100% CUF (especialmente no que toca ao fabrico de ácido sulfúrico), é preciso frisar que tudo isto só foi possível, através de uma obra continuamente criada e apoiada pela empresa no sentido da constante formação dos seus quadros, surgindo aquilo que na época se chamou de uma "Escola da CUF". Desta escola, saíram economistas, engenheiros, e outros quadros técnicos de prestigio, alguns chegando mesmo a desempenhar funções governativas em sucessivos governos.
E será precisamente através desse "know-how" acumulado de décadas, que irá permitir a empresa, crescer, e expandir-se para os mais variados sectores da nossa economia.

A CUF foi das poucas empresas (se não a única em Portugal) a ter uma visão integrada da Industria. Quer isto dizer que a partir da casa mãe, foram surgindo empresas, conforme as necessidades do grupo, expandindo-se e diversificando-se para outros sub-sectores se assim o poderemos chamar. Quando a CUF se inicia na produção de adubos, Alfredo da Silva cedo se apercebe da necessidade de a empresa entrar na industria têxtil, dada a necessidade de sacaria em juta e linho para os adubos, comprando para isso em 1908 a Companhia de Tecidos Aliança e mais tarde a Fábrica do Rato em 1916, sendo os seus maquinismos sendo transferidos para o Barreiro, centro nevrálgico da companhia. Mas para se fazer o ácido sulfúrico, era necessária a pirite ou importar o fosfato do Norte de África, para tal surge em 1919 a Sociedade Geral de Comercio Industria e Transportes que se irá tornar numa das maiores companhias de navegação. Devido á necessidade de segurar os seus complexos industriais, e a sua companhia de navegação surge em 1942 a Companhia de Seguros Império. Como se pode ver no pensamento da empresa, para alem de valorizar e explorar as potencialidades de novas áreas para a empresa, esta criou de forma racional, negócios em cascata, que surgiram das necessidades de uma auto-suficiência da companhia. Para alem disso foi possivelmente a única empresa portuguesa, que tentou explorar ao máximo as riquezas do subsolo português, da qual possuímos uma das maiores reservas mundiais, falo da pirite. A chamada "Linha da Pirite" foi um projecto pensado por Alfredo da Silva e que se foi construindo ate ao fim da companhia. A partir da ustulação (queima) da pirite se fabricava o ácido sulfúrico, consequentemente desse processo resultavam cinzas, cinzas essas ricas em cobre, zinco, cobalto bem como o ouro e a prata, isto só para mencionar algumas. Mais uma vez numa óptica de integração surgiram no Barreiro unidades químicas de recuperação desses metais (Metalurgia do Cobre, Ouro e Prata, o TCP- Tratamento de Cinzas de Pirite, Fabrica de Oxido de Zinco etc). Inserindo-se nesta mesma politica, observe-se o interessante aproveitamento dos gases das suas unidades fabris, através de centrais a vapor, de forma a criar energia. E neste capitulo poderia-se ainda enumerar muito mais coisas.

Li ainda afirmações como esta de que "A CUF nunca poderia sobreviver ao 25 de Abril e a abertura económica do país". Achei de facto curiosa esta afirmação, sobre precisamente um dos poucos grupos económicos do país, que estava mais que preparado para a competição (tanto interna como internacionalmente) e se assim não fosse, tal como mencionei uns parágrafos acima, nos anos 50 e 60 já ela exportava em força para o estrangeiro. O seu binómio de qualidade/preço permitia-a colocar os seus adubos e outros produtos um pouco por todo o mundo a preços muito competitivos. Precisamente por ser tão tecnologicamente avançada no seu tempo, como uma BAYER, uma B.A.S.F., ou uma I.C.I., permitia-a rivalizar com reputadas marcas internacionais, com as quais alias chegou a constituir empresas, através de join-ventures.
Não nos podemos esquecer que será pela mão da CUF que a famosa consultor Mckinsey, veio ao nosso país, e esta tentou precisamente definir um programa de internacionalização da CUF por sectores. Será precisamente em plena época de internacionalização do Grupo, e que este mais necessitava de estabilidade económica, (até porque não podemos esquecer do choque petrolífero ocorrido em 1973 e que irá condicionar fortemente e economia e as actividades ligada ao ouro-negro.) surgiu a revolução de 25 de Abril de 1974, e o consequente processo das nacionalizações que puseram um travão e esse e aos vários projectos da empresa: A nova refinaria e o novo complexo químico-adubeiro de Sines, o estaleiro da Setenave, ou a FISIPE. Não tenho duvida de que se as coisas tivessem sido diferentes, e outra a transição para a democracia, hoje o Grupo CUF seria a primeira multinacional portuguesa. Em 1975 o Grupo CUF era um grupo económico tão complexo e evoluído que os governos de então tiveram de criar um decreto-lei exclusivo para a nacionalização da empresa, a partir da sua holding - a SOGEFI. Hoje em dia quando olho para empresas como a BAYER (Alemanha), a TATA (Índia), a Mitshubishi (Japão) ou a Hyunday (Coreia do Sul), enormes gigantes industriais, divididos em múltiplas divisões e empresas, olhamos precisamente para aquilo que foi no nosso país uma CUF. E se a titulo de exemplo a Huynday, contribuiu fortemente para a ascenção da Coreia a estatuto de economia desenvolvida, o mesmo se poderia ter passado em Portugal com a CUF.

P.S. - Haveria ainda muito para falar e relatar, mas para nao tornar o texto maçudo despeço-me por aqui.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

A Morte de um Capitão da Indústria - José Manuel de Mello 1927-2009

O País ficou hoje mais pobre. José Manuel de Mello, homem integro, faleceu aos 81 anos. Fecha-se um Ciclo. Hoje em Portugal temos muitos empresários, mas Industriais, esses temos já muito poucos, e José de Mello foi um desses homens, que conheceu a Industria Portuguesa por dentro. Homem da geração dos grandes complexos industriais, da química pesada, dos estaleiros navais, á navegação, juntamente como o seu irmão (Jorge de Mello) continuaram a dinâmica, herdada dos seus antecessores no então Grupo CUF, dando-lhe grande impulso e vitalidade até 1975, ano derradeiro da nacionalização do grupo. Homem de desafios, começou cedo a sua vida industrial, aos 21 anos, já estava em Chipre, a tratar das exportações dos produtos da CUF para o Médio-Oriente. Desde cedo é um apaixonado pelo mar, tendo como sonho fazer uma volta ao Mundo num veleiro, quando nos anos 60 os irmãos são chamados a ocupar, cargos de administração na empresa, José de Mello, inclina-se de imediato para a área da navegação. Percebendo as potencialidades que Portugal poderia ter na Construção e Reparação Naval, lança-se no projecto da Lisnave, que foi verdadeiramente o primeiro empreendimento nacional totalmente virado para o estrangeiro, atraindo capitais de Suecos, Noruegueses e Dinamarqueses, surgindo a CUF como testa de ponte. Certo é que apenas passados 2 anos da sua fundação, em 1969 a Lisnave, detinha 30% da reparação mundial de navios até 300 mil toneladas, um feito histórico, tornando Almada na maior estação de serviço de navios a nível mundial. Rapidamente o projecto tornou-se pequeno, anos depois, é a vez de se pensar num gigantesco estaleiro no estuário do Sado (SETENAVE) vocacionado para a construção de navios, que viria a ser inaugurado já muito perto do 25 de Abril e que nunca produziu a 100% devido aos tempos conturbados do PREC das lutas internas e dos Choques Petrolíferos. Também a Lisnave se expande, de forma a controlar as rotas do petróleo, depois da Margueira, surge, Bahrein, Jeddah, ou Curaçau, mas também aqui a revolução cortou os pés ao seu futuro promissor, e amargurado com os sucessivos governos, abandona a empresa no ano 2000. Outra das suas paixões era a Banca, promove em 1961 a fusão do Banco Totta, com o Banco Aliança do Porto, dando origem ao Totta-Aliança, para anos mais tarde (1970) criar o Banco Totta & Açores, através da fusão do Totta-Aliança, com o Lisboa & Açores, no pós 25 de abril, voltará a banca, através da criação do Banco Mello, e depois através do BCP.
Nas vésperas do 25 de Abril o Grupo CUF encontrava-se num amplo processo de internacionalização, e sendo ela o expoente máximo do capitalismo em Portugal, foi pois natural que os irmãos Mello fossem alvos de invejas e ódios, nas manifestações desses tempos conturbados chegaram a ouvir-se expressões como "Morram os Mellos". O seu irmão Jorge foi preso a 12 de Março de 1975 e levado para Caxias, onde passou uma semana, enquanto o império CUF era desmembrado a golpes de decreto-lei, através das nacionalizações. Nesse mesmo dia José de Mello dirigia-se ao aeroporto, para uma reunião da Lisnave a efectuar em Paris, não embarcou no avião, sendo retido pelos militares que o mandam para casa. Nesse período tenta ainda criar com mais alguns empresários o MDES (Movimento Dinamizador Empresa-Sociedade) que pretendia apresentar um programa de evolução económica em democracia. Na voragem das nacionalizações restou-lhe apenas 14% da Lisnave, com o apoio dos seus parceiros estrangeiros. Nos anos 80 com o fim das restrições á iniciativa privada José de Mello volta a reinvestir, compra a Sociedade Financeira Portuguesa, e transforma-a no Banco Mello, no inicio da década de 90 paga 25 milhões de contos por 50% da Seguradora Império. Uns anos depois, com o sucesso da OPA do BCP ao Banco Mello, passa a deter nesta instituição bancária uma participação de relevo. Entretanto o Grupo José de Mello expande-se para área como a Brisa, a Saúde (Hospitais e Clínicas CUF) EFACEC etc.

Termino com uma frase de José Manuel de Mello que diz muito do seu pensamento.

"Queremos marchar na senda do progresso e da constante elevação do nível de vida. Só assim os nossos filhos e as gerações futuras compreenderão a nossa acção, pois só assim seremos coerentes com o próprio desejo de trabalhar na dignificação da pessoa humana"

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Participação da CUF na construção da Barragem do Maranhão em Aviz

É sabido que durante as décadas de 40, 50 e 60, os Governos do país, fizeram uma grande aposta na chamada Hidráulica Agrícola, ou seja, a criação de obras de rega, compostas, por barragens, com canais de irrigação, beneficiando centenas/milhares de hectares, melhorando e introduzindo novas culturas agrícolas. O mais ambicioso de todos foi o chamado Plano de Rega do Alentejo, aproveitando as ribeiras do Roxo, e os Rios Caia, Divor, e Mira.

No âmbito dessa politica foi inaugurada em 1957 a Barragem do Maranhão, situada em Aviz (Portalegre) com uma capacidade de 205,4 hm³, beneficiando uma área de 1960 hectares. Possui uma central hidroeléctrica que produz em ano médio 13,1 GWh. A CUF através da sua Divisão de Metalo-Mecânica, forneceu as comportas para os descarregadores desta Barragem, e em conjunto com a firma SOFOMIL procedeu á sua montagem. Aqui ficam dois anúncios do acontecimento.



domingo, 30 de agosto de 2009

Noticias do Grupo CUF na imprensa 2

No inicio dos anos 70, apareceu entre nós uma belíssima revista de informaçao, chamada "Observador" concorria directamente com a "Vida Mundial" e se as olhar-mos com a distancia necessária, foram as precursoras das revistas de informação actuais, tais como a "Visão" ou a "Sábado". Pois bem aquilo que hoje vos trago é precisamente uma noticia retirada do "Observador" nº 72 de 30 de Junho de 1972. Para ler basta clicar na imagem para esta aumentar:



Como se pode observar, esta noticia, descrevia a inauguração de uma nova unidade de fabrico de Ácido Sulfúrico (vulgarmente conhecida por Contacto 6) com uma capacidade diária de 625 toneladas/dia. Fabrica essa como se poder ler no artigo detinha já tecnologia CUF (esta não foi a primeira vez que se utilizou tecnologia própria, já em 1960 a fabrica Contacto 2 tinha tecnologia CUF) e num esforço continuo de eliminação ao máximo da sua poluição, de forma a oferecer aos barreirenses uma melhor qualidade de vida. Aliás ao longo dos tempos a Administração da CUF sempre foi buscar ao estrangeiro o que de melhor e mais moderno havia, de forma a reduzir a sua poluição fabril, alias nos anos 60 a CUF dispunha de um sistema de controlo do ar na vila do Barreiro.

Fala-se também da necessidade de exportar a grande maioria da produção desta nova unidade que seria excedentaria ao consumo nacional, nada que a empresa não tivesse previsto, não nos podemos esquecer que em 1971, tinha sido fundada a Interacid Inc. com sede na Suiça, precisamente com o objectivo de colocar o seu ácido sulfúrico nos circuitos internacionais.

Menciona-se no final desta noticia os problemas de urbanização do concelho do Barreiro, resultado da construção desordenada, construíram-se bairros junto ao Complexo Industrial da CUF, quando nunca ali deveriam ter sido erigidos. Quem vá hoje ao Barreiro pode observar ainda hoje com os seus olhos esses erros.

Por ultimo deixo-vos umas fotografias impressionantes do Contacto 6 que na época era a unica do Mundo a funcionar pelo processo BASF usando fornos de leito turbulento em série.



segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Cinzeiro da Companhia Industrial Portuguesa












Como já foi anteriormente dito neste blogue o Grupo CUF tomou posição dominante da C.I.P. em 1955. Esta fabrica esta situada na Póvoa de Santa Iria perto de Vila Franca. Contudo a C.I.P. não ficou somente conhecida pelos seus adubos, e acido sulfúrico, a industria vidreira era uma área com grande tradição na empresa. Ao pesquisar um pouco sobre esta empresa na internet, surpreendeu-me encontrar fotografias desta unidade fabril. Quem desejar ver este enorme acervo fotográfico do fotógrafo Horácio de Novais basta clicar aqui: Edifícios Industriais pertença da Fundação Calouste Gulbenkian.

Sobre as fotos estes devem ser essencialmente da década de 30 (anterior á entrada da CUF na empresa). São mais um belo testemunho de outros tempos, e de como era nessa época a Industria desses tempos.

Vista Geral da Fábrica


Outra Vista Geral da Fabrica


Vista da Unidade de Fabrico de Ácido Sulfúrico (Processo de Câmaras)


Nova vista do mesmo edifico de outra perspectiva


Câmaras para o Fabrico do Ácido Sulfúrico


Fornos de Queima da Pirite


Outra perspectiva do mesmo forno


Fontes: Fotografias da CIP pertencente ao espólio de Horácio Novais

sábado, 22 de agosto de 2009

67º Aniversário da Morte de Alfredo da Silva

Faz exactamente no dia de hoje 67 anos que Alfredo da Silva deixou o mundo dos vivos. Homem como poucos existiram em Portugal, infelizmente é hoje uma figura desconhecida da maioria. Ha 67 anos atrás o país vivia a sombra da IIª Guerra Mundial, das longas filas dos racionamentos, problemas de abastecimentos aos quais a CUF também não escapou.
Contudo Alfredo da Silva, foi sempre um lutador e um vencedor, acreditou nas potencialidades da indústria portuguesa, e com a CUF tentou explorar ao máximo todas essas vertentes (lema que aliás se manteve com os seus sucessores até 1975). Homem enérgico, empreendedor e de pouca paciência, diziam que tentava andar mais depressa que o país, entrava dentro dos gabinetes dos Ministros, falava directamente com eles, tentando vencer com a maior celeridade a enorme máquina burocrática do país (ontem, tal como hoje...). Quando fechou os seus olhos não quis que as suas fábricas parassem, e não pararam, as suas buzinas e apitos ecoaram em uníssono, como ultima homenagem, ao homem criador do Barreiro Moderno. Quis repousar junto da sua obra que já não existe, e que foi o seu projecto de vida.
Alfredo da Silva tinha desaparecido, mas contudo a sua obra foi continuada, pelo génio do seu genro Manuel de Mello, e pelos seus netos Jorge e José de Mello. Continuaram a criar novas fontes de trabalho, a introduzir modernidade, nos maquinismos das fabricas, novas mentalidades, maior diversificação de negócios, tornando a CUF num motor de desenvolvimento tecnológico e económico único em Portugal.
Infelizmente o ser humano é capaz de destruir coisas maravilhosas e foi isso que aconteceu com a CUF, precisamente numa época em que esta se estava a afirmar perante o Mundo, a politica quando mal executada e pensada leva a erros estratégicos fatais e este foi um deles. Hoje o panorama português é bem diferente a braços com uma crise profunda, típica de um país que não sabe para onde vai e que já pouco produz. Hoje tal como no passado, governantes e industriais, deveriam saber qual a linha de rumo a seguir, e trabalharem de perto precisamente, para que se voltassem a criar novas fontes de trabalho e de riqueza nacional.
Num passado bem recente Portugal demonstrou ao Mundo, do que era capaz no campo industrial, em varias áreas (algumas ligadas ao universo CUF) chegou-se mesmo a criar tecnologia nacional. Não é só com os livros e com os outros países que podemos aprender, com a Historia podemos e devemos aprender, para podermos construir um futuro melhor.
Andam por aí uns senhores nos dias de hoje empenhados em criar choques tecnológicos, pois se calhar essas e muitas outras pessoas deste país desconhece que o Grupo CUF foi por si só um verdadeiro choque tecnológico, ao longo de toda a sua existência . Pena é que em Portugal a maioria das pessoas tenham memória curta.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Crachás de Acampamentos do G.D. da CUF

Aqui vos trago uns interessantes crachás da Secção de Campismo do Grupo Desportivo da CUF, de 3 acampamentos por eles realizados. Logo que conseguir adquirir os restantes irei colocando. Este é um post para os aficionados do desporto, e não só. São de facto muito bonitos. Aqui estão eles:


IV Acampamento, Penalva (Maio de 1966)


V Acampamento (Maio de 1967)


8º Acampamento, Sarilhos Pequenos (Maio de 1974)

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

O ESSO MERCIA na Lisnave em 1968

O Esso Mercia, chegou ao Tejo no dia 2 de Fevereiro de 1968, este era na época o maior navio entrado no por de Lisboa. Possuía 170 mil toneladas de porte bruto, e 308 metros de comprimento e 45 de largura.
Este petroleiro foi construído nos estaleiros da A.G. Weser, de Bremen (Alemanha), empresa essa que na época estava a construir para a Lisnave o casco de petroleiro de 82 mil toneladas que tinha sido encomendado pela SOPONATA, baptizado de "Larouco" e que seria entregue em 23 de Junho de 1969.
Chegado ao Estaleiro da Margueira, procedeu-se à pintura do casco e fundo e outros trabalhos de acabamento, e depois entregue ao armador.
Podemos ainda observar, o enorme terrapleno no qual em 1971 passaria a estar a Doca 13 (Doca Alfredo da Silva) que era uma das maior do Mundo do seu género. Ao fundo observe-se os as enormes torres de Almada ainda em construção, com a cidade de Lisboa em pano de fundo. Deixo-vos ainda 3 fotografias da chegada o Esso Mercia ao Estaleiro da Margueira. As palavras ditas na capa da Revista "Mais Alto" fazem jus ao que naqueles tempos era verdadeiramente os os Estaleiros da Lisnave, uma Estação de Serviço Internacional, na principal rota do petroleo.



quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Anuncios do Sabão Activado CUF

Aqui vos deixo mais uns interessantes anúncios do Sabão Activado da CUF que consegui, estão datados entre 1958 e 1961, a sua imagem gráfica é deveras interessante. Foi mais uma campanha agressiva por parte da empresa, numa época em que os detergentes em Portugal estavam na sua infancia.





terça-feira, 4 de agosto de 2009

Enxofre Slublimado CUF


E aqui está outra marca de enxofre da CUF, o Sublimado Flor Extra. Que segundo o Simposium Agrícola de 1960 nos informava: "O Enxofre utiliza-se principalmente para o tratamento das plantas atacadas pelo Oídio. Esta doença é frequente nas seguintes culturas: Videira, Roseira, Pessegueiro, Alpercheiro, cereais, cucurbitáceas, etc. O enxofre utiliza-se ainda na desinfecção do material vinário, na refinação do açucar , pirotecnia, etc" Depois desta linguagem máis tecnica, observe-se o pano. Mais uma vez e devido á optima qualidade o linho da CUF, foi este transformado numa toalha. Curisamente todos os que tenho adquirido, foram todos transformados em panos, mal sabia a CUF que pelo pais fora os seus produtos teriam uma dupla funcionalidade! É deveras curioso.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Jogadores do Grupo Desportivo da CUF, Uria e Faia

Aqui vos trago mais esta curiosidade, estas magnificas caricaturas de jogadores do Grupo Desportivo da CUF. As carteiras de fósforos antigamente, eram muito mais coloridas, desenhadas, e com uma multiplicidade de temas que nos dias de hoje, (servindo até como forma de coleccionismo por muitas pessoas) também não era para menos, na época todos os usavam, e os isqueiros? Bom quem quisesse isqueiro, era melhor ter uma licença (há até quem diga que era a formula encontrada pelo governo de subsidiar as fosforeiras). Histórias a parte, aqui ficam as imagens, prometo que assim que encontrar mais serão publicadas.

URIA






















Infelizmente a informação sobre este jogador é muito pouca, apenas sabendo o que está escrito nesta carteira de fósforos, representou o Grupo Desportivo Estoril Praia e depois o Grupo Desportivo da CUF.


FAIA





















Sobre o Faia ou como também era conhecido "Guerra Faia" era um filho da terra. Desportista nato, começou a sua carreira na natação onde com apenas 14 anos de idade foi campeão regional nos 50 e 100 metros. Passado um ano muda-se para o Futebol Clube Barreirense, onde pratica o Basquetebol e o Futebol, até que aos 18 anos opta por um dos desportos, o futebol. Em 21 anos de profissional representa diversos clubes: Académica, Barreirense, Grupo Desportivo da CUF e Luso Futebol Clube. Conta no seu palmarés 400 golos marcados. Voltará ainda ao Desportivo da CUF como treinador, seguindo-se depois o Luso Futebol Clube, o Oriental, o Portimonense, o Barreirense entre outros. Em 1998 foi-lhe atribuido pela Camara do Barreiro o galardão "Barreiro Reconhecido" na area do Desporto.

sábado, 11 de julho de 2009

Postal da SG de aviso de recepção de cargas



Em tempos idos, quando se enviava encomenda por navios, mal ela chegava ao porto de destino, a pessoa a quem esta era dirigida, recebia um postal idêntico ao que se pode ver neste post. Repare-se no já moderno logótipo da Sociedade Geral que durou até 1972. Se observarmos no verso podemos ler modelo S.G., muitas pessoas poderão pensar que é Sociedade Geral, mas estarão enganadas, pois segundo me disseram pessoas que trabalharam na parte dos escritórios significava: Secretariado Geral, pode-se ainda ler que foram feitos 2000 exemplares em 1971.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Ainda o Sabão Clarim





Aqui está uma coisa que não se vê todos os dias. Um sabão Clarim, dos antigos ainda no seu celofane original. Vê-se no seu aspecto que já lhe passaram muitos anos por cima, resistindo aos tempos. Podemos observar o antigo símbolo do Clarim, que já nada tem a haver com o actual. De resto a única coisa que ainda continua a manter a tradição é precisamente continuar a ser produzido pela SOVENA. Com um símbolo que parece uma árvore, com letras encarnadas a dizer "Fabricado por CUF, SNS (sociedade Nacional de Sabões, e M&C (Macedo & Coelho)". Digno de registo é encontrarmos por todo o celofane, escrito em italiano, françês. inglês, grego, esponhol e alemão, a sua categoria de sabão, o que claramente nos indicia que era exportado para esses países.
Era vendido em barras de 250 gramas como também podemos observar. Aqui fica mais esta curiosidade para a história do Clarim.

2º Aniversário do Blogue

No passado dia 5 de Julho, fez este blogue o seu segundo ano de vida. Foi um ano em que o blogue sofreu uma quebra na sua actividade, e provavelmente nas visitas. Prometo que de agora para a frente, será diferente. Este foi também um ano de muitas novidades quer em estudos quer em aquisições que pretendo demonstrar aqui. Quero agradecer a todos os que nos visitaram, e a todos aqueles que vão deixando mensagens, pois também elas enriquecem o já vasto conteúdo deste blogue. Sejam recordações, sejam criticas, façam-nas só assim podemos melhorar este blogue que é feito para todos aqueles que gostam do tema, e uma homenagem a todos os aqueles que durante décadas participaram, na construção, no crescimento, e desenvolvimento das Novas Fontes de Trabalho que a CUF proporcionou ao País.