sábado, 26 de dezembro de 2009

Bilhetes da Carris com publicidade á CUF

E que tal se fossemos dar uma voltinha de Eléctrico, e já agora porque não no Americano? Vamos a isso. Mas para isso precisamos do bilhetes não é verdade? Pois aqui estão eles! Observe-se estas preciosidades, pela frente são simples bilhetes, mas quando nos deparamos com o seu verso fica-se logo deliciado e espantado.

O primeiro que vos apresento, é tão antigo que deve datar mais ou menos cerca de 1898. precisamente o ano em que a CUF de Henry Burnay e a CAF (Companhia Aliança Fabril) de Alfredo da Silva se juntam, ficando a empresa com o nome da primeira. Daí ler-se neste bilhete o nome das duas empresas juntamente com as marcas e produtos fabricados mais a morada do Deposito, onde era efectuada a venda ao publico.




Este segundo bilhete aparenta já ser dos anos 10, no qual é mencionada com destaque a sua "Fábrica de Adubos no Barreiro" a maior do "Paiz" a escrita antiga está fabulosa. A sua sede era ainda na então Fábrica Sol, em plena Av. 24 de Julho, anos mais tarde seria transferida para a Rua do Comércio no coração da Baixa Lisboeta.



O ultimo bilhete tem apenas uma publicidade a um dos seus mais antigos produtos: as lamparinas. Não nos podemos esquecer que os produtos tradicionais da CUF eram as Velas, as Lamparinas e os Sabões. A expansão para os Adubos e a Química só virá a partir dos anos 10


terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Notìcia: Eliminação do Grupo Desportivo da CUF da Taça de Portugal

A notícia que hoje vos trago foi retirada da revista "O Século Ilustrado" datada de 21 de Outubro de 1967, da sua secção desportiva, que aqui a transcrevo na íntegra:

"Da Eliminação da CUF, Pouco Se Pode Orgulhar o Sporting


Acabou-se a primeira eliminatória da Taça de Portugal. Vinte e uma equipas já foram pela borda fora. Foram as que estavam em previsão. E daí... Bom, se a Taça fosse um nadinha mais considerada e não se servissem dela apenas para tapar furos do calendário federativo, por outras palavras, se esta malfadada competição tivesse vitalidade que lhe compete e as suas eliminatórias, para que não lhes faltasse decência desportiva, fossem disputadas numa só mão e em campo a designar por sorteio, é bem possível que tivesse havido algumas surpresas. De certeza pelo menos, não seria possível que, na dúvida do resultado, os clubes mais fortes apresentassem as suas reservas contra os mais fracos, na certeza de que na segunda mão, estão sempre a tempo de fazer as indispensáveis rectificações no marcador.

O facto mais saliente desta eliminatória foi a eliminação da CUF. Claro que o contrário também não seria surpresa. A CUF eliminar o Sporting em Alvalade seria caso muito falado. Mas o Sporting eliminou a CUF, por ter jogado muito mal, a revelar mazelas que começam a ser muito graves e, acima de tudo, por ter defrontado um adversário em inferioridade numérica nos momentos decisivos do desafio, também é facto de assinalar.

Assinalado e bem, não deixou ele de ficar pelos próprios adeptos da equipa leonina, que não puderam esquivar-se a algumas manifestações de descontentamento. Enfim o Sporting qualificou-se e está agora muito a tempo de afinar as agulhas e justificar a passagem à segunda eliminatória, mas da eliminação da CUF é que não tem muito de se orgulhar.

Durante este mal jogado e mal arbitrado desafio, sofreram lesões graves os cufistas Capitão-Mor, que teve de ir ao hospital para que lhe fosse suturado o ferimento, e ainda Medeiros, que também abandonou o campo, e Durand, que teve de deixar o seu lugar de defesa, para derivar para o lugar de extremo.

Além do Sporting, ficaram apurados para a segunda eliminatória, que se realiza em 21 e 28 de Janeiro os seguintes clubes: Benfica, Belenenses, Académica, Setúbal, Leixões, Guimarães, Braga, F. C. do Porto, Sanjoanense, Barreirense, Tirsense, Cova da Piedade, Covilhã, Torriense, Sintrense, Viseu, Leça e Gouveia.

Espinho-Varzim e Penafiel-Lamas só decidirão a eliminatória em terceiro jogo."

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Festas Felizes

Quero antes de mais desejar a todos os leitores deste meu blogue, um Feliz Natal e um próspero Ano Novo. Que o próximo possa ser melhor daquele que passou, a todos os níveis.

Desejo também que os portugueses em geral olhem mais para o seu País, e com o seu esforço e dinamismo, tornem este rectângulo à beira-mar plantado num local melhor para se viver.

Mais justo, menos burocrático, e que saiba identificar quais os seus problemas centrais e as suas linhas de rumo, pois sem esse planeamento, continuaremos sempre à deriva como um barco desgovernado.

Não podemos nem devemos apenas apontar os erros e queixarmo-nos da governação do país, não podemos ficar á espera que as coisas nos caíam do céu, é necessário trabalho e esforço conjunto, pois sem este, torna-se uma tarefa inglória que não nos leva a lado nenhum.

Deixo-vos um simples postal de natal do Hotel Alvor Praia, propriedade da SALVOR:

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Frasco de Químicos da CUF

Chegou às minhas mãos este curioso objecto da CUF. Este frasco em vidro, muito possivelmente seria dos seus laboratórios, ou então seria para enviar amostras do seu produto para os então Grémios da Lavoura, porém inclino-me mais para a primeira hipótese. Vê-se que já passaram muitos anos por este objecto, com o rotulo comido pelos insectos, onde mesmo assim ainda se consegue ler: "Super 42% em Pó". Graças a um atento leitor do blogue, e que desde já muito agradeço, fiquei a saber que o produto que este frasco continha era superfosfato triplo 42% (TSP) Super 42 % de (P2O5) Anidrido Fosfórico . Utilizado directamente na agricultura ou como matéria prima no fabrico de adubos compostos(NPK)-Azoto(N),Fosforo(P),Potassio(K),consumido na agricultura em diversas adubações. Mas provavelmente a coisa mais curiosa e fabulosa, e que será mesmo a principal atracção deste frasco é a sua tampa. De cor verde, com uma fabulosa Roda Dentada da CUF, tendo cortiça na parte interior que servia como vedante.



Sugestão para Prenda de Natal: "Alfredo da Silva e Salazar"

Caros amigos, deixo-vos uma sugestão como prenda de natal, obviamente ligada ao tema deste blogue, um livro da Bertrand que segundo esta editora, saía hoje. Fui à procura do mesmo mas infelizmente ainda nao tinha chegado. Repasso por isso o texto de apresentação da obra, escrita pelo mesmo historiador que escreveu a biografia do Industrial.

Alfredo da Silva e Salazar – Retrato de uma Relação Sinuosa – Miguel Figueira de Faria
Sobre o livro: «Das primeiras medidas da Ditadura, passando pela questão dos Tabacos e até ao auge da crise Totta, Alfredo da Silva e Salazar mais do que juntar as biografias do fundador da CUF e de Oliveira Salazar, revela o retrato detalhado de uma relação conturbada entre Alfredo da Silva e Salazar.
Numa obra de profunda pesquisa e rigor, Miguel Figueira de Faria, doutor em História da Arte pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, professor do Departamento de História, Artes e Património do Instituto de Investigação Pluridisciplinar da Universidade Autónoma de Lisboa, apresenta e analisa a relação entre Alfredo da Silva, personalidade chave da economia portuguesa, destacado industrial e financeiro, e António de Oliveira Salazar.
Segundo o autor, “a narrativa procurou deste modo estabelecer, numa primeira fase, um quadro de partida do exilado (prólogo) e do seu combate (I Capítulo), até à regeneração política (II). Segue-se uma segunda parte com a aproximação de Alfredo da Silva ao regime, em plena crise mundial (III-IV), onde descrevemos os primeiros encontros entre o industrial e o político, na luta pela sobrevivência da CUF, no contexto da Grande Depressão (V). Finalmente, reconhecemos o momento de maior atrito com a situação, ditado pelos interesses contraditórios no sector da Marinha Mercante (VI), para concluirmos numa derradeira etapa de conciliação da convergência de Salazar, no quadro dos grandes conflitos internacionais que eclodiram na segunda metade da década de Trinta.”»

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Selos dos Maços de Cigarros da TABAQUEIRA

Antigamente, antes de haverem os actuais, selos fiscais no maços de tabaco, que hoje já passaram para a era digital, para evitar a contra-facção do produto, existiam os normais selos da marca. Servia para garantir, a qualidade do produto e a sua inviolabilidade, até o maço chegar as mãos do cliente. Contudo e como a maioria das coisas mundanas, poucos serão aqueles que se chegam a aperceber, do seu grafismo, ou das suas cores. Pois bem é isso que hoje vos pretendo aqui trazer.
Os três primeiro selos, ainda com o primeiro logótipo da Tabaqueira com o seu T, e com o lema "Para bem Servir" deverão ser dos primórdios da época em que a sua fábrica estava instalada no Poço do Bispo, têm como se pode ver três cores distintas, o Laranja, Vermelho, e Verde, enquanto os restantes pertencem já anos anos 60, época na qual a fábrica se muda para Albarraque.


Curioso ainda será observar esta medalha da TABAQUEIRA, é precisamente uma cópia fiel do último selo colocado.






segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Revista Desportiva com o jogador José Palma da CUF


Esta Revista remonta à época futebolística de 1958-1959, fundada um ano antes tendo como Director: Henrique Parreirão e como editor Artur Agostinho. Era à semelhança de outras revistas que existiram anteriormente como a celebre "Stadium" uma revista de foto-reportagem sobre o desporto-rei. Esta tem como capa o jogador José Palma, defesa-central da CUF, que tanto brilhou na década de 60, aqui era ainda apresentado como "astro do futuro". Nessa época tal como li numa publicação algures, o Barreiro, era um viveiro a fervilhar de bons futebolistas.

Nao resisto a transcrever o pequeno texto que acompanha a imagem da capa: "Portugal sempre teve excelentes médios-centros. No futebol clássico, hoje recordação de velhas gerações, Artur José Pereira e Augusto Silva; com o advento do W.M., com outra função tão distinta, os idolos Feliciano e Félix. A mocidade vive a táctica do 4x2x4, com dois defesas-centrais, em cobertura frontal da baliza, e lutando com «pontas de lança».
Palma, da CUF, com 22 anos de idade, é um produto cem por cento barreirense. É um futebolista de certa personalidade. Titular indiscutível da famosa equipa de juniores da época 1953-1954 que na Alemanha teve uma actuação notável, Palma foi um júnior excepcional. Nele vivia o instinto do jogador servido por um tecnicismo apreciável
Tem o sentido do lugar; a percepção clara do lance; o golpe de vista que define um jogador. Dotado de «détente», essencial no lugar, Palma na galeria dos jovens poderá conquistar uma posição interessante. O magnifico júnior, de longe o melhor da defesa portuguesa, autoritário, rápido e evoluído, vai renascer? Os últimos jogos indicam melhoria. Tem sido um dos baluartes da CUF. Continua sereno, lúcido. Sabendo do oficio. Menos ligeiro, mas com noção da entrega para os médios, ou aliviando largo, para os flancos.
O instinto não feneceu, os reflexos reaparecem. Palma, grande futebolista aos 18 anos, um caso especial na categoria júnior, se treinar com entusiasmo, poderá no mundo do futebol português ser, de novo, um jogador inigualável.
Tem 22 anos, e uma experiência larga. Na élite do futebol nacional o barreirense da CUF, único clube que conheceu tem o direito e obrigação de mostrar que as virtudes juvenis de 1954, não desapareceram. Com magnificas condições atléticas, servido por um poder de elevação clarividente e técnico, Palma na era do 4x2x4, poderá ascender a plano de realce.
Acreditamos na sua evolução. Sabemos que como júnior brilhou. A qualidade do seu futebol está ressurgindo por uma preparação intensa. Conhecendo o posto, e colocando-se, com calma, na «zona de tiro» Palma na plêiade de defesas nacionais poderá reconquistar o ceptro.
O Grande público não o aplaude, porque pertence a uma simpática agremiação, mas sem as «massas» dos «grandes». Palma vai ser o astro do futuro. Assim esperamos!"

Folheando um pouco a revista deparamo-nos com uma vitória do Grupo Desportivo da CUF, ao F.C. do Porto, no Campo de Santa Barbara, seguido de um empate a 3 bolas contra o Vitória de Setúbal, onde nos apercebemos a existência de um auto-golo por parte dos sadinos . Aqui fica a constituição das equipas:

sábado, 5 de dezembro de 2009

O Atentado Contra Alfredo da Silva em 1919

Em finais do século XIX princípios do século XX, andava muito na voga, revistas amplamente ilustradas e cheias de reportagens fotográficas, de noticias vindas um pouco de todo o mundo. A Fotografia e os seus processos estavam em evolução, tornando o seu uso banal. A mais conhecida deste género de revistas chegava de Franca, a célebre "Illustracion" e por cá felizmente não quisemos ficar atrás e para tal foi fundada a célebre "Ilustração Portuguesa" que diga-se era uma revista fabulosa para a época, com bom papel, bom grafismo, com belíssimas reportagens da vida portuguesa atraindo os mais famosos caricaturistas da época. Foi também um retrato vivo da historia do país, e da sua sociedade, uma das mais famosas capas é sem duvida a do Regicídio do Rei D. Carlos e do Príncipe Luís Filipe ocorrido 1 de Fevereiro de 1908, amplamente divulgada tanto no país como no estrangeiro.

Pois bem, chegou ás minhas mãos uma revista que certamente pela sua capa, passaria-me despercebida á primeira vista. Contudo para alem das habituais crónicas, as modas da época, e uma curiosa caricatura de Rocha Vieira onde se já gozava com o então mau estado das estradas nacionais (ontem como hoje...) e variados anúncios, salta á vista no meio de tudo isto, uma ampla reportagem fotográfica de uma página sobre uma das tentativas de assassinato de Alfredo da Silva em 1919.
Como se sabe durante a vigência da então Iª Republica Portuguesa, a agitação social era bastante grande, e não nos podemos esquecer que durante esse período os grupos anarquistas tinham muita força, e um homem como Alfredo da Silva era já considerado por muitos como a expressão máxima do capitalismo em Portugal e era um alvo a abater.

A primeira tentativa ocorreu quando o industrial se dirigia do Parlamento para Alcântara, perpetrado por um pintor de construção civil de seu nome Arsénio José Ferreira. Na segunda tentativa é surpreendido por dois homens à porta da sua casa, no palacete que possuía ao Alto de Santa Catarina (precisamente onde hoje está instalado o Museu da Farmácia). Um dos homens teria cerca de 28 anos, estucador de profissão, apontou-lhe uma pistola, mas teve azar, pois esta encravou, o industrial precipita-se para dentro do seu carro, auxiliado pelo seu motorista que com a manivela de arranque, faz frente ao agressor. O segundo homem, que estaria nas imediações atira um engenho explosivo para o local, ferindo o seu motorista. Depois destes episódios Alfredo da Silva, irá exilar-se em Espanha, até 1927, passando apenas pequenas estadas em Portugal para tratar de assuntos ligados ás suas empresas.

Observando a reportagem, pode ler-se com curiosidade, que aquando desta tentativa, na casa do industrial estava a decorrer um incêndio, seria curioso encontrar registos do que terá acontecido. Quem sabe andem algures perdidos!


quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Património Artistico em empresas do Grupo CUF

O assunto que aqui será abordado, é inédito neste blogue, como se sabe, as empresas para alem dos seus patrimónios em capitais, maquinaria, ou edifícios, também compram ou encomendam obras de arte, procurando dessa forma embelezar os seus escritórios ou salas dos conselhos de administração. Dentro do Grupo CUF deveria ter sido vasta o seu património artístico, porém hoje é escassa a informaçao que existe sobre o tema, bem como do seu espólio. Por isso vou apenas colocar obras que tenho apanhado em publicações, ou noutra documentação.




Comecemos pelos retratos de Alfredo da Silva e D. Manuel de Mello, ambos da autoria de Eduardo Malta mestre do Retrato nasceu na cidade da Covilhã, na freguesia de S.Martinho a 28 de Outubro de 1900. Contava apenas 10 anos de idade quando deu entrada na Escola de Belas Artes do Porto. Repartiu a sua existência também pela ilustração, pela pintura de ficção e ainda por obras literárias. A sua obra mereceu dos criticos os mais rasgados elogios pelo que lhe foram atribuidos divrsos galardões como: Prémio Columbano ,1936, Medalha de ouro da Exposição Internacional de Paris, 1937, Prémio Luciano Freire entre outros. Faleceu em Óbidos a 31 de Maio de 1967. O quadro de Alfredo da Silva está a sua casa-museu no Barreiro, e o de D. Manuel de Mello creio estar na sede da Império.


Este quadro chama-se "Tecelagem" é um Óleo sobre tela da autoria de João Aires, é datado de 1970, e era pertença da Companhia Têxtil do Punguè, situada na Beira, em Moçambique, da qual irei falar em momento oportuno. Sobre o autor: Pintor expressionista e abstracto, nasceu em Lisboa em 1921 e expôs pela primeira vez com obras neo-realistas em Lourenço Marques em 1949 e depois em 1966, tendo evoluido depois para a pintura abstracta.


Esta Tapecaria pertencia a MICROFABRIL - Sociedade Industrial de Bioquímica S.A.R.L. é da autoria do famoso Guilherme Camarinha, cuja a sua obra é bastante conhecida, a suas belas tapecarias, encontram-se em inumeros edificios publicos, como a Biblioteca Nacional ou especialmente em Tribunais.


Este belíssimo quadro que deve ter sido pertença da Sociedade Geral, mostra-nos o navio Manuel Alfredo ancorado nas docas. O titulo do quadro é "Barco à descarga" e a sua autoria é do pintor Silva Lino (1911-1984)

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Cinzeiro da Tabaqueira

Aqui está mais uma curiosidade da Tabaqueira, um cinzeiro em vidro, ainda com o seu antigo símbolo com a divisa "Para Bem Servir" é de facto muito antigo, devendo ainda ser do tempo em que a fábrica estava instalada no Poço do Bispo. É uma peça simples mas com a sua elegância, e felizmente, foi pouco usado, estando praticamente num estado impecável.

A NORTEMAR

A NORTEMAR - Agência Marítima do Norte Lda. foi constituída a 7 de Janeiro de 1971. Esta empresa associada da C.N.N. e da S.G. tinha a sua morada no Porto, na Rua Infante D. Henrique nº63, tendo sido criada com o efeito de representar as duas companhias de navegação do Grupo CUF na zona norte do país. Aqui vos deixo uma fotografia do aspecto da Agência e dois envelopes (um pequeno e outro grande) desta firma.






quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Algumas Ementas da C.N.N.

E que tal se déssemos uma espreitadela a algumas ementas da Companhia Nacional de Navegação? Há sempre aquela curiosidade de se saber o que se comia e quais as especialidades gastronómicas a bordo. Três destas ementas são muito provavelmente de 3ª Classe, estão datadas entre Fevereiro e Março de 1957, e referem-se ao Paquete Índia. A outra já com uma apresentação de maior requinte, com as letras em relevo, trata-se de um Almoço de 2ª Classe servido abordo no Paquete Niassa em Agosto de 1965.





sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Impressões de uma Visita á Colonia de Férias da CUF

Hoje trago-vos de novo um tema que, é muito querido, neste blogue, refiro-me à Colónia de Férias da CUF. Andava eu em investigações quando descobri um interessante texto feito um por trabalhador da empresa sobre a visita à respectiva colónia, que não resisto a postar, aqui fica ele:

"Como é a Colónia de Férias da C.U.F., impressões da visita do pai de um colono"

"Ainda estou debaixo da agradável impressão causada pela minha visita de hoje à Colónia de Férias da C.U.F. em Almoçageme, perto de Colares. E fiquei tão satisfeito que não deixo de fazer algumas considerações.

Depois da camioneta nos deixar, caminha-se um pouco e pé e eis que surge a Colónia logo distinguida à distancia pelas letras CUF, implantadas no depósito que sobressai acima da vegetação. À entrada recebem-se senhas para a visita e indica-se o número do colono que se pretende ver. Num pequeno edifício, quase mais um alpendre, as famílias aglomeram-se, esperam ansiosas. Vão olhando as lindas flores junto à entrada, os baloiços os «escorregas», todo um parque infantil espalhado por debaixo dum pinhal frondoso. Mas crianças... nem uma se vê. Há comentários, perguntas, suposições, sobretudo da parte dos que têm ali os filhos pela primeira vez.
Alguém grita:
- Lá vêm eles!

E toda a gente corre a espreitar. De facto, o ranchinho dos que têm visitas à espera avança vagarosamente, com as suas blusas verdes e os seus suestes sempre pendurados ao pescoço, pois quando o Sol espreita aquece mesmo.

Um frémito de emoção percorre o coração dos pais que já não vêem os filhos há uns dias. E parece-me que das centenas de pessoas ali presentes não houve uma sequer que ao ver o seu rebento não acenasse para ele, com fulgor nos olhos e alegria no coração. Depois são os abraços e as clássicas perguntas «como estás tu», «tens passado bem?», «tens comido muito?», «tens tido saudades dos paizinhos?», e «estás tão queimado!», «queres ir-te embora?». Ir embora? Mas quem pensa nisso? Qual ir embora, qual deixar aquele ambiente!...

É certo que alguns se agarram aos pais, choram, mas não são poucos. A grande maioria, findos os primeiros momentos de certa estranheza até, e de tomarem contacto com os mimos e guloseimas oferecidos, começam a contar as suas aventuras, as suas brincadeiras.

Entretanto, por grupos, inicia-se a visita à Colónia com a indicação solicita dos monitores. E então é que é admirar. Magnificas instalações. Tudo impecável. Aqui a secretaria, ali a enfermaria, com médico diariamente, onde felizmente as camas estão quase sempre vazias, e o seu posto de socorros, com enfermeiro permanente, onde a pequenada vai tratar os arranhões, regressando toda satisfeita com as tiras de adesivo nos braços e nas pernas. A seguir o edifício da Direcção da Colónia e também um enorme campo de jogos, onde as competições são bem acesas e se aproveita sempre a ocasião para se ensinar o lema do saber ganhar e do saber perder.

Depois a cozinha, ampla, higiénica de funcionamento moderno, onde mãos hábeis despacham refeições para mais de 350 pessoas. De cada lado um vasto refeitório, arejado, das janelas dos quais, olhando em direcção ao mar, se desfruta uma soberba vista, logo realçada com canteiros mimosos cheios de flores garridas, lindíssimas e bem tratadas. Anexos aos refeitórios grandes baterias de lavatórios que se tornam bem necessários para despachar tanto garoto.

Agora o balneário, enorme na sua extensão, mas de tamanho reduzido no seu formato, atendendo à natureza, à idade dos colonos. Uma graça

Também há uma biblioteca que tanto tem revistas e jornais acessiveis aos mais miudos, como livros para os mais velhinhos. Ao lado situa-se um salão geral, onde se ouve missa e também, fechada a zona onde está o altar, se reunem à noite para verem cinema ou para brincarem antes de se deitarem.

Mais ao lado, espalhados pelo meio dos eucaliptos, existem os alpendres resguardados, decorados pelas crianças sempre auxiliadas pelos monitores que são como uns irmãos mais velhos, que as vigiam e aproveitam todas as ocasiões para dar um bom conselho ou um bom ensinamento. Estes monitores são devidamente preparados ao longo do ano, frequentando um curso que visa a sua formação pedagógica. E na verdade, a comprovar, está o facto de se verificar em todos os rapazes a maneira como se referem aos seus monitores, a quem tratam como verdadeiros camaradas.

Finalmente temos os dormitórios, que são pavilhões separados, disseminados entre arvores, plantas e flores, com arruamentos bem delineados. Cada dormitório é formado por dois corpos ligados ao centro por um quarto onde ficam os monitores. Igualmente têm os anexos sanitários. Cada uma das fofas camas daquele ambiente liliputiano tem uma caixa onde o colono tem as suas coisas. As camas são todas ligadas no sentido longitudinal dando um aspecto fora do vulgar. O pavimento brilha. Tudo é irrepreensivel, impecável, higiénico e confortável!

Finda a visita regressa-se ao ponto de partida e fica-se por ali pelo enorme parque infantil já mencionado acima. Há alegria, bulicio. É vê-los pulando, brincando, gritando, misturados com os familiares que os observam embevecidos.

Agora está um turno de rapazes, depois será um de meninas. São 320 de cada vez, divididos em 5 grupos de 64 com 4 monitores cada. Os grupos têm cada um sua cor, um nome ou divisa. Há os verdes, os vermelhos, os amarelos, os castanhos e os azuis. Distinguem-se pela indumentária. Os próprios monitores têm camisola da cor a que pertencem. Cada grupo tem o seu dormitório, o seu alpendre e faz uma vida à parte, desenvolvendo um centro de interesse que pode ser desportivo, cultural ou botânico.

A vida que ali se leva é sempre movimentada e salutar. Levantam-se cedo é certo, às sete e meia, mas também se deitam às vinte e duas ou vinte e uma e trinta, conforme têm ou não cinema. Vão às nova horas para a praia, descendo os trezentos e tal degraus implantados entre as rochas, fazem a sua ginástica antes do banho e passam o resto da manhã brincando em mais baloiços, mais argolas, em alegre convivio. Depois do almoço fazem duas horas de repouso. Dois dias por semana têm canto coral com cantigas próprias para a sua idade. O resto do seu tempo é aproveitado nos jogos, nos trabalhos manuais, nas tarefas colectivas para o grupo e na brincadeira. Existem também uns regulares serviços religiosos com capelão permamente. Todavia, algum garoto que não professe a religião católica não é obrigado ao cumprimento de tais serviços. De vez em quando têm excursões pela serra e passeios ao exterior, visitando monumentos ou locais dignos de interesse.

Vida sadia, de ar livre, de contacto com a Natureza, sem pensarem em livros, em contas, cópias ou ditados. Sem preconceitos de indumentária, andando por vezes com camisolas e calções mais largos. É preciso é pular, cantar, viver os vinte dias de vida sã. Há ali rapazes do Barreiro, de Lisboa, de Alferrarede, do Porto, de todos os lados onde há familia CUF. Há filhos de operários, de empregados, de chefes. Porque ali pròpriamente não estão só os que precisam de ter férias de campo e praia, férias que os pais lhes não possam proporcionar. Trata-se dum convivio que faz bem às crianças, dum ambiente em que têm de resolver já alguns assuntos por iniciativa própria sem estarem sempre a depender dos pais; ali passam sem os mimos mas passam também muitos dias sem ouvirem as habituais frases «não mexas aí», «está calado», «está quieto» e também sem apanharem o seu açoite...

Chega finalmente o termo da visita. As famílias vão tomando o caminho da saída. Há um ou outro pequeno que nessa altura é acometido duma pequena crise de choro. Mas é só um momento. Passado um bocado, distraído com os outros, já nem se lembra. A maioria, porém, despede-se à pressa dos familiares e vai terminar os jogos. Alguns até nem descem dos baloiços para não perderem o lugar...

Sai-se com excelentes recordações. Não há duvida que todos os pais voltam descansados, confiantes. E tão bem impressionados que, ao deixar o portão da Colónia, só se houve murmurar...

- Até a mim me apetecia passar aqui uns dias!
E talvez sejam palavras ditas com senso..."

L.V.


E pronto, aqui está ele, espero que tenham gostado, e que vos traga à memória o imaginário da Colónia (por quem lá passou). Depois de todas as experiências relatadas por varias pessoas, o mínimo que poderia fazer era colocar aqui este texto de forma a avivar esses tempos idos que todos vocês retêm na vossa memória e que daria para escrever um interessante livro sobre a Colónia de Férias da CUF.

domingo, 20 de setembro de 2009

Papel Reagente para o Sulfato de Cobre

O Sulfato de Cobre, essencial para o tratamento e prevenção das doenças da vinha e da batata era maioritariamente importado, até que a CUF através de um processo de recuperação do cobre por lixiviação, dá inicio ao seu fabrico por volta de 1913. E como podemos observar na imagem a empresa criou de imediato 3 marcas: UVA, PARRA, e Crystal. É alias muito provável que o símbolo da marca que ilustra a capa deste caderninho existisse, em chapa, tipo anuncio, colocado nas delegações agronómicas da CUF e em locais de venda especializados, pois já vi uma chapa dessas mas respeitante à marca UVA. Esta publicação deve ser dos anos 20 ou 30, digo isto pela forma como o português está escrito. Observe-se no verso, a explicação sobre como utilizar estas tiras de papel para verificar se a proporção de sulfato para a Calda Bordalesa estaria no ponto. Pode-se ainda ler, que este papel era grátis, possivelmente oferecido aquando da compra do produto. Um testemunho de outros tempos que chegou até nos em óptimo estado de conservação.