quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Facturas da CUF datadas de 1914

Hoje trago um documento deveras curioso. Atente-se nesta interessante e rara factura da CUF de Julho de 1914. Um documento com 96 anos! Incrível a sua longevidade! E que informações nos dá este respectivo documento?

Numa primeira analise verifica-se ser uma compra efectuada no deposito da Companhia situada em Santarém. Como se sabe, logo de inicio a CUF, com Alfredo da Silva no lugar de Administrador-Gerente, estendeu a comercialização dos seus produtos, por meio de uma rede depósitos situados por todas as regiões do país. Observe-se ao alto do lado esquerdo, as inúmeras medalhas, que a empresa já tinha recebido em exposições internacionais (Paris - 1878, Lisboa - 1888, Anvers - 1894, Paris - 1900 e St. Louis - 1904) demonstrando que já na época a CUF não era uma empresa qualquer. Delicioso é tambem ler num português antigo, os principais produtos fabricados pela empresa, bem como os interessantes "endereços telegraphicos" nos quais cada produto correspondia a uma das fabricas. Outra informação curiosa, é a sede da Companhia, ser ainda na então Rua Vinte e Quatro de Julho (hoje Av. 24 de Julho)

Verifica-se que um senhor, de seu nome, António Lourenço da Silveira, morador na Rua de S. Bernardo em Lisboa, detentor da Quinta do Rosário em Santarém, comprou 450 Kg de "Enxofre Sicília" do qual a empresa fez um desconto de 2%, ficando o total da conta em 13 escudos e 25 centavos. A juntar a este documento apresenta-se ainda o interessante comprovativo do recebimento do dinheiro por parte da CUF, não faltando o selo fiscal e o carimbo do Tesoureiro da empresa.


domingo, 12 de setembro de 2010

Memórias Sobre a Colónia de Férias da CUF II

Caros Leitores, acabo de receber mais um interessante testemunho de um antigo monitor, tento frequentado a respectiva Colónia entre 1972 e 1981. Muito agradeço ao Sr. Adalberto Manuel Borges Petinga, que teve a honra de me enviar este seu testemunho apaixonado. Alias deixo o repto, a quem quiser, partilhar as suas memorias sobre a Colónia de Ferias, que entre em contacto comigo através do email: ricardo.estoril@gmail.com, aqui neste humilde blog garantirei sempre "tempo de antena" a todas elas. Pois como disse e muito bem o Sr Adalberto Petinga "Recordar é Viver". Aqui fica o texto:

"Chamo-me Adalberto Manuel Borges Petinga, tenho actualmente 58 anos, porque os meus pais eram trabalhadores da CUF, fui nascer na maternidade do Posto Médico da CUF, no Lavradio (Barreiro) e logo bebé fui para a respectiva creche até ao primeiro ano de vida.

Logo pela nascença fiquei "agarrado" à CUF.

Fiz a instrução primária na Moita, onde vivia e após conclusão desta, voltei ao Barreiro, para frequentar a Escola I. C. Alfredo da Silva, como aluno e mais tarde de 1977 a 1980, como professor.

Nunca frequentei a Colónia de Férias, em criança, pois tinha muito medo "pavôr" de fazer a análise do sangue na inspecção médica, que era obrigatória.

Mas já com 17 anos fui frequentar o curso de monitores para colónias de férias e com 18 anos (1972) ingressei como monitor desta saudosa colónia de férias. Tanto amor lhe tinha, que por lá fiquei até 1981, tendo até anos de fazer dois turnos, durante esses anos passei por todas as cores e nos últimos três anos fui Monitor Geral.

Adorei todos os anos que ali passei parte das minhas férias e da minha mocidade.

Recordo com muita saudade as crianças das quais fui monitor, hoje homens, das quais possúo algumas fotografias, que de vez em quando as revejo no meu álbum, para matar a saudade desses tempos, assim como todos os colegas monitores com quem me cruzei durante esses gloriosos tempos.

Recordo com emoção:

-Os serões que se faziam, com a "criançada".

-Os campeonatos de futebol.

-As gincanas de carrinhos de madeira, feitos pelos garotos e monitores.

-Os grandes jogos olímpicos, com a sua grande cerimónia e desfile de abertura, com o hastear da bandeira olímpica e o acendimento da pira e até a atribuição das medalhas e colocação da coroa de louro aos vencedores das várias modalidades.

-O grande jogo de pista, pela bela Serra de Sintra, ou a caça ao tesouro, conforme a garotada mais gostava de lhe chamar.

-Os passeios a pé e de autocarro, pelos arredores da colónia.

-As actividades de trabalhos manuais nos alpendres.

-A célebre festa final, na última tarde, onde a pequenada ensaiada pelos monitores cantava, dançava e representava, nesta festa também nós monitores actuávamos, de um modo geral como cantores, dançarinos de folclore, fazíamos teatro e fazíamos as partidas aos monitores mais novos, que metiam sempre a célebre "banhada", que a garotada achava sempre muita graça.

-Na última noite era a despedida final, com o acender das fogueiras no campo de futebol e entoação de cantigas de grupo à volta das fogueiras, as quais culminavam com a entoação do Hino do Adeus.

Aqui todos chorávamos, crianças por um lado e monitores por outro.

(Estou a escrever estas palavras e não contenho as lágrimas que me escorrem pela cara).

Todas estas actividades eram preparadas com todo o pormenor, pois tudo tinha de correr bem.

Muitas noitadas sem ir à cama, para preparar tudo isto. Mas de facto tudo isto valeu a pena.

Recordo também aqui, as partidas e as brincadeiras, que nós os monitores, tínhamos uns com os outros, quando a pequenada já adormecia.

De um modo geral o "bombo da festa" os sacrificados, eram sempre os monitores caloiros:

-Desde o retirar da sua cama o estrado e em vez deste colocar canas a suportar o colchão.

-Apanhar um sapo e colocá-lo no fundo da cama.

-Etc...

Hoje só lastimo, o ponto a que tudo isto chegou, como foi possível deixarem desfazer um local tão bonito e aprazível, onde milhares de crianças deste país passavam alguns dias de férias, muitas vindas do Interior Norte e Alentejo (Recordo o pequenito Libâneo de Mourão ou Reguengos de Monsaraz, que ali pela primeira vez viu o mar, parece que estou a ver a sua admiração no 1º dia da praia, coisa fascinante para o garoto).

Passei há quatro ou cinco anos pelo local, fiquei simplesmente desolado.

Conforme disse atrás, tenho imensas fotografias que brevemente tentarei colocar neste blog, para que todos aqueles que passámos por aquele belo espaço, possam rever e reviver as suas vidas, porque não esqueçamos que "Recordar é Viver".

Um grande abraço para a grande família CUF de colonos e monitores.

Um grande bem haja a todos.

Adalberto Petinga"

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Memórias Sobre a Colónia de Férias da CUF I

Venho hoje partilhar com todos os leitores, um interessante e fabuloso texto sobre a Colónia de Férias da CUF. O texto que aqui tenho a honra de publicar ,é da autoria de Corantina Dias, uma antiga colona que frequentou a Colónia entre 1963 e 1969, e uma devotada admiradora da obra da CUF a quem eu muito agradeço ter-me facultado este texto. Escrito de forma apaixonante, descreve com todo o detalhe, as peripécias, desde a ida á inspecção medica, a viagem ate Lisboa, á vida na Colónia, as cores das fardas, as brincadeiras, há de tudo e para todos os gostos, espero que apreciem, pois é um testemunho que merece verdadeiramente ser lido:

Pags. 1 e 2















Pags. 3 e 4















Pags. 5 e 6















Pags. 7 e 8














Pág. 9



quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Folheto Publicitario ao Fungicida DODIM

Curioso folheto publicitário, apresentando um novo produto da CUF, o DODIM, feito com base na "dodina" um fungicida cuja sua função era actuar como preventivo e curativo nas árvores de fruto. Tentei procurar achar mais referencias ao produto, mas nada apareceu, muito possivelmente este produto teria sido lançado no final da década de 60, princípios de 70. Observe-se o interessante grafismo do folheto.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Noticias sobre a Lisnave

Aqui vos deixo esta interessante noticia, encontrada na "Revista Observador" de Outubro de 1972, que tão bem nos retrata o profissionalismo e a capacidade de trabalho desta empresa:

domingo, 5 de setembro de 2010

Medalha dos 15 Anos da FISIPE



Apesar de ser já fora do âmbito temporal do estudo deste blog, publico hoje esta interessante medalha, comemorativa dos 15 anos da FISIPE (1973-1988). Empresa que na epoca foi inovadora em Portugal no fabrico de fibras artificiais, tem hoje a sua acção condicionada devido ao preço da sua matéria prima, (o acrilonitrilo) um derivado do petróleo. Sera infelizmente muito provavelmente a longo prazo mais uma industria condenada em Portugal, devido as condicionantes e a concorrência internacional que este sector sofre.

P.S. - Tenho a agradecer a Ana (uma leitora desta blogue) que me facultou a informaçao sobre o Design desta medalha: da autoria de Carlos Rocha e Franklin França para Letra ETP Agencia de Publicidade Lisboa

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

A Estatua de Alfredo da Silva em Albarraque

É verdade que há já algum tempo aqui não posto nada, mas já se sabe como é o Agosto, o mês em que o País pára e vai tudo de férias.

Venho hoje junto de vós, mostrar a Estátua de Alfredo da Silva que existe em Albarraque junto da Tabaqueira (empresa fundada em 1927 pelo industrial). Possivelmente desconhecida por alguns, por se pensar que apenas exista a estátua do Barreiro, foi esta inaugurada (tal como a do Barreiro) em 1965 aquando dos 100 Anos de vida da CUF.

A autoria desta estátua é do Mestre Leopoldo de Almeida, conhecido escultor de estatuária que deixou a sua obra um pouco por todo o país, bem como no campo da medalhística.

Juntamente com as fotos da Estátua deixo a noticia que apareceu no Boletim de Informação Interna da CUF de Maio de 1965. Infelizmente como se pode ver nas imagens, nem esta estátua situada no meio de uma rotunda escapa à chamada "arte grafitica" se assim podemos chamar. Enfim é o país que temos....








Noticia publicada na Revista de Informação Interna da CUF

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Cinzeiro do Banco Totta-Aliança

O Banco Totta-Aliança surge da fusão da Casa Bancária José Henriques Totta (adquirida pela CUF em 1921) com o Banco Aliança do Porto em 1961, que por sua vez veio mais tarde veio a dar origem ao Banco Totta & Açores, mas a seu tempo escreverei sobre tal assunto no meu blogue. Hoje o meu propósito é apenas de mostrar um interessante cinzeiro do respectivo Banco, que como se pode observar é bastante original, sendo a imitação de um cheque, sendo uma belíssima peça da Vista Alegre.



quarta-feira, 21 de julho de 2010

O navio "Pirata-Azul" da CNN

Este interessante (e creio que por muitos desconhecido) navio, que mais parece um "ferry", foi adquirido em 1971 pela Companhia Nacional de Navegação com o nome de "Blauer Pirat" sendo depois rebaptizado de "Pirata Azul". Esteve muito pouco tempo ao serviço da Companhia, tendo sido abatido ao efectivo em 24 de Março de 1974, tendo seguido para a Madeira. Pelo que li, curiosamente foi este o navio quem transportou o então deposto Presidente da República Almirante Américo Tomás entre o Funchal e Porto Santo, de onde partiu depois para o exilo em Maio desse mesmo ano. Deixo aqui um agradecimento especial a Nuno Bartolomeu, que me enviou a foto e a planta do antigo "Pirata Azul" sem as quais este post não poderia ter sido realizado.

Planta do Navio e suas características



Circular Interna da CNN





segunda-feira, 19 de julho de 2010

Exemplo da Interacção entre empresas do Grupo CUF

É por nós sabido que desde o tempo de Alfredo da Silva, que um dos pensamentos do Grupo CUF era o da sua maior complementaridade possível, para o efeito foram-se criando negócios em cascata que abrangiam novas áreas, mas sempre com a preocupação de integração na lógica do grupo. O caso que aqui vos trago é disso um exemplo.

Em 1971 a INDUVE - Industrias Angolanas de Óleos Vegetais S.A.R.L. com fábrica na Estrada do Cacuaco nos arredores de Luanda (fundada em 1957 sub os auspícios da CUF) necessitava de nova maquinaria para a sua fábrica, que adquiriu na Bélgica, a uma reputada marca de equipamentos para o processamento de Óleos Vegetais a "De Smet". Sobre a INDUVE irei logo que possa escrever no blogue um post sobre a sua história.

Abrindo aqui um pequeno parêntese: A "De Smet" foi fundada em 1946 por um engenheiro de Antuerpia de seu nome Jean-Albert De Smet que foi o primeiro homem a desenvolver o promeiro processo horizontal de extracção continua de óleos. A empresa cresceu e rapidamente ganhou reputada fama internacional, sendo ainda hoje uma marca de referencia no sector.

Desta forma caberá à Sociedade Geral que detinha à época a linha: Norte da Europa - Angola, o transporte de tais maquinismos até ao Porto de Luanda. A 3 de Dezembro de 1971 o navio Cunene (recém chegado á SG) atraca no porto de Antuérpia onde é carregado segundo o Manifesto de Carga : "Um jogo de peças de Extracção por Solvente De Smet" tendo este chegado ao seu destino a 22 de Dezembro do mesmo ano. Esta complementaridade entre empresas e sectores, permitia a estas o seu crescimento e desenvolvimento, coisa que (tirando algumas excepções) não vê nos tempos que correm.


Manifesto de Carga da Sociedade Geral, navio Cunene


Fotos:

1 - Vista Geral da Fábrica da INDUVE
2 - Navio Cunene no Tejo

terça-feira, 6 de julho de 2010

3º Aniversário deste Blogue

O tempo passa, esta tem sido uma longa caminhada, com altos e baixos como em qualquer empreendimento. Tem sido esta uma obra onde tenho tentado sempre dar o meu melhor, de forma a informar com o maior rigor possível sobre este tema. A minha colecção vai crescendo e tento partilhar com todos vocês o máximo que possa de historias, achados, objectos. Gosto que haja interacção entre a minha pessoa e os leitores, e por isso venho agradecer a todos os que aqui ao longo deste tempo deixaram os seus testemunhos, reparos, ou criticas, pois só assim se pode construir um blogue melhor. Estou sempre ao dispôr dos meus amigos leitores, para duvidas, troca de conhecimentos, ou alguma ajuda necessária. Que venha pois mais um ano recheado de histórias e curiosidades, que sejam do vosso agrado e participem neste blogue.

Respeitosos Cumprimentos

Ricardo Ferreira

quarta-feira, 30 de junho de 2010

30 de Junho de 1971 - Descerramento de uma Lápide Comemorativa dos 100 anos do Nascimento de Alfredo da Silva em Lisboa

No dia 30 de Junho de 1971, no âmbito das Comemorações do Centenário do Nascimento de Alfredo da Silva, foi descerrada com pompa e circunstancia uma lapide, no numero 185, da Rua da Prata, local onde o industrial tinha nascido. Na cerimónia esteve presente o Eng. Santos e Castro, á época Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, e claro os descendentes de Alfredo da Silva: Jorge de Mello (podemos ver nas fotos a discursar, e a assinar um documento) bem como José Manuel de Mello, Maria Cristina de Mello e Maria Amélia de Mello.


Aspecto Geral da Cerimónia



Os Descendentes do Industrial junto do Presidente da C.M.L. Eng. Santos e Castro



Jorge de Mello discursando



Assinando um documento



O local na actualidade:




quarta-feira, 23 de junho de 2010

Reportagem Vida Mundial: Thorsten Andersen & João Rocheta

No seguimento do post anterior, fui ao meu baú de revistas de descobri esta curiosidade. No dia em que precisamente era inaugurado o Estaleiro da Margueira, a conceituada revista "Vida Mundial" uma belíssima magazine semanal existente entre nós durante os anos 60 e 70 publicava uma reportagem, sobre dois grandes obreiros do novo empreendimento. Compartilhando os cargos de Directores-Gerais da Lisnave, Thorsten Andersen foram os homens-chave por detrás do sucesso e futuro crescimento da empresa. Esta é também a minha homenagem a esses dois senhores, esquecidos ou desconhecidos por muitos, nesta noticia poderão ficar a conhecer melhor estas personagens, para além de uma breve história sobre o empreendimento. (basta clicar nas folhas para aumentar e ler)






Curiosidade: Envelope e Postal com o Selo da Lisnave

Há 43 anos atrás, era hoje inaugurado, com pompa e circunstancia, o Estaleiro da Lisnave na Margueira, facto ao qual já aludi em anterior post. Hoje de forma a lembrar esse grande acontecimento vem este blogue mostrar o envelope feito pelos CTT para comemorar essa efeméride, com o selo e carimbo do primeiro dia. A outra trata-se de um postal com uma vista panorâmica da Lisnave, no seu auge, repleta de petroleiros e de trabalho! Outros tempos... quem hoje olhe para a Margueira apenas vê um local ao abandono, que contraste olhando para este postal! Um Estaleiro que devido as sua localização e estrutura ainda tinha tanto para dar... num pais que nos últimos 30 anos virou costas ao mar... esquecendo a sua vocação marítima de séculos....

Envelope com selo comemorativo



Postal