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terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Agenda de Bolso da Divisao de Texteis da CUF

Desde miúdo, que as agendas de bolso me fascinam. Em casa do avô existiam varias, ofertas de tempos idos. Quando lá ia adorava ficar horas a desfolhar esses pequenos livros que no se interior guardam múltiplas informações, bem como retalhos da vida das pessoas. O mais fascinante para mim, é que pensar há 40/50 anos uma pessoa abria aquele pequeno livro, e tinha acesso a informações importantes como os telefones mais importantes de Lisboa e do Porto, dos Táxis, dos Cinemas e Teatros, quais as carreiras dos eléctricos e autocarros, quais os feriados, as distancias quilométricas, os sinais em vigor no código da estrada, e ate curiosidades de como tirar nódoas! Hoje o mundo é diferente, as agendas de bolso são o mais simples possivel, ate porque esse tipo de informações estão a um "clik" do dedo, do comum dos mortais através das auto-estradas internauticas. 

Quanto a esta Agenda de Bolso, foi editada pela Divisão de Têxteis da CUF no ano de 1963. Observe-se a grande diversidade de produtos fabricados por esta Divisão, cujo a maioria dos seus serviços se encontravam centrados nas Fábricas do Barreiro. Relativamente à Juta, Cairo e Sisal, eram matérias primas provenientes não só do nosso Ultramar (Angola e Moçambique) como da Índia, Bangladesh, ou Birmânia. Os navios da Sociedade Geral terão neste processo uma enorme importância, já que era neles que tais matérias primas eram transportadas até ao Porto Fluvial da CUF no Barreiro. Ali eram descarregadas e depois transformadas numa vasta gama de produtos, que ia desde as cordas, até à tapeçaria.







 

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

A FISIPE

Nos anos 60 a CUF era reconhecida por uma vasta gama de produtos de excelência entre os quais os têxteis (alcatifas, tapetes, cortinados etc) detendo mesmo lojas de venda ao público. A sua tradição têxtil remonta ao inicio da Companhia, nascida da necessidade primária, do ensacamento dos seus adubos, seguindo-se depois, o fornecimento de cordoaria, para os navios da Sociedade Geral.

Contudo a partir dos anos 60 assiste-se a uma cada vez maior procura das fibras sintéticas, que pudessem substituir matérias-primas tradicionais, como a juta, ou cairo, ou a lã. Em 1968 a subida vertiginosa dos preços da juta, nos mercados internacionais e a concorrência por parte de outros tipo de embalagens viram ditar uma reconversão e uma reestruturação da Zona Têxtil da empresa. Sabemos que ao longo da sua vida industrial a CUF esteve sempre a par de todas as inovações técnicas que rapidamente eram introduzidas no seu complexo industrial e a têxtil não foi excepção. Era necessário acompanhar os tempos, vivia-se numa era de petróleo barato, através do qual por processos químicos, era possível transformar-lo em fibras mais resistentes que as naturais (tais como o Nylon, o Rayon, ou o Terylene) ditando assim uma grande procura no mercado deste tipo de produtos. Não será por acaso que a CUF em 1970 coloca em funcionamento novas linhas de feltro, nova estrusão e tecelagem de ráfia de polipropileno (necessário à modernização do ensacamento dos adubos).

O ano de 1973 ficará para sempre conhecido pelo seu Choque Petrolífero, que encerrou segundo a opinião de muitos economistas, um período dourado da economia mundial com taxas de crescimento espectaculares. Era também o fim da idade da inocência, para os países produtores desta matéria-prima essencial à vida moderna, que se aperceberam do seu poder, aumentando o preço do barril a 300%. Este choque teve ter grandes repercussões directas precisamente nas industrias derivadas do petróleo, estaleiros navais, e na química.

Seria em Abril de 1973 (a crise petrolífera só iria ocorrer no final do ano) que o Governo concede á CUF ou a empresa a constituir, autorização para a instalação de uma unidade produtora de fibras acrílicas a instalar no Barreiro. Para o efeito foi constituída no dia 7 de Setembro do mesmo ano a F.I.S.I.P.E. - Fibras Sintéticas de Portugal S.A.R.L. com o objectivo de realizar e explorar a referida unidade.
É importante referir que na época o país debatia-se com dificuldades de abastecimento deste tipo de fibras. Observando o seu relatório de contas pretendia a empresa os seguintes objectivos:

  • fomentar a difusão de novas tecnologias de laboração de fibras sintéticas
  • contribuir para a exploração mais racional do equipamento instalado
  • facultar meios de antecipação às tendências do mercado atribuindo novas perspectivas na comercialização e promoção dos produtos finais
  • reforçar o poder contratual do sector têxtil nos mercados externos pela garantia de aprovisionamento de matérias-primas necessárias
Esta nova unidade do Grupo CUF, teria como principal matéria-prima um derivado do petróleo o acrilonitrilo, que não era ainda produzida no país, mas que estava já planeada (para uma 2ª fase) o seu fabrico no futuro complexo industrial a C.N.P. (Companhia Nacional de Petroquímica) em Sines, que estaria previsto o seu arranque da laboração para 1977, contudo e até hoje o acrilonitrilo nunca se chegou a produzir entre nós, não passando da fase de projectos.









Fases da Construção da FISIPE


Apesar das dificuldades acrescidas pelo aumento do petróleo e da escassez mundial dos seus derivados, a FISIPE lança-se de imediato no mercado português de fibras acrílicas. Em Junho de 1973 lançam a fibra "Vonnel" iniciando a sua comercialização em sistema de «pré-marketing agreement» acordado pelos accionistas, que desta forma importava e comercializava a fibra acrílica produzida no Japão pela Mitsubishi Rayon Company, vendendo-se de imediato 750 toneladas de fibra no segundo semestre do ano, e formaram-se contratos para o fornecimento de 4000 toneladas para 1974. Podendo assim observar que apesar da crise, a FISIPE teve logo de imediato uma grande aceitação por parte do mercado nacional. Mas a situação no ano seguinte deteora-se, a revolução do 25 de Abril, as convulsões sociais, a instabilidade do consumo, levou a uma queda na procura deste produto. chegando a haver cancelamentos de encomendas. Em 1976 com o arranque da laboração, ha uma recuperação, e daí para a frente a empresa tornar-se-á numa importante unidade de fabrico de fibras sintecticas, chegando mesmo a expandir-se para a vizinha Espanha em 2000 onde adquiriu uma unidade industrial com uma produção anual de 68 000 toneladas, encerrada no ano 2004 por não ser economicamente viável.

Quanto a capitais a FISIPE representaria uma das ultimas "Join-Ventures" firmadas pela CUF desta vez com o Grupo Mitsubishi. O capital desta nova sociedade era de 250 000 000$ sendo o valor subscrito pela CUF de 60% e para a Mitsubishi os outros 40%.

O Projecto desta nova unidade fabril, localizada nos terrenos do complexo do Barreiro, numa área a roubar ao Tejo iria ficar a cargo a duas outras empresas do Grupo CUF, a Profabril e a E.N.I. Contudo a conjuntura económica, seguido da revolução de Abril nao era a mais favorável para investimentos desta envergadura e a administração deparou-se com múltiplos problemas: atrasos nos projectos de engenharia, problemas de fornecimento de equipamento e materiais de construção de origem estrangeira, dificuldade no recrutamento de pessoal especializado, conflitos de trabalho, por parte dos empreiteiros ligados à obra etc.

Nos planos iniciais feitos através do programa PERT, estava prevista o arranque da fábrica em Maio de 1975, , devido à conjuntura que então se vivia em Portugal, e aos constantes atrasos do projecto inicial a FISIPE so iniciará a sua produção em 1976, trabalhavam na unidade cerca de 450 pessoas, aquando da sua inauguração estiveram presentes o Presidente da Republica e o Secretário de Estado da Industria Pesada Eng. Nobre da Costa.




Bibliografia consultada:

  • Estatutos da FISIPE, 1973
  • "Jorge de Mello - um Homem", Jorge Alves, Edições Inapa
  • "Momentos de Inovação e Engenharia em Portugal no Século XX" Vol. III Cord. Manuel Heitor, José Maria Brandão de Brito e Maria Fernanda Rollo. (Cap. Sobre o Complexo Industrial da CUF no Barreiro) pp 242-285
  • Relatórios do Conselho de Administração (1973/75)

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Loja de Tapeçarias da CUF nos Restauradores



Estávamos nos anos 60, os produtos têxteis CUF, fazem parte da vida dos portugueses. As Alcatifas estavam na moda, e eram sinónimo de conforto e bom gosto. Ás cores, de uma única cor, elas lá iam ganhando terreno aos antigos encerados. A Divisão de Têxteis da CUF colocou à disposição uma panóplia de vários modelos e vários desenhos. Para maximizar o número de vendas a Companhia, dava facilidades de pagamento, como dizia um dos anúncios: “Não resiste à tentação de alcatifar a sua casa. A CUF – Têxtil dá-lhe a possibilidade de mudar a sua casa pagando depois… mês a mês suavemente.” Foi-se o tempo das Alcatifas, hoje as modas são outras, é o mundo em constante evolução! Para alem de alcatifas, tinham tapetes de vários estilos e tecidos para decoração. Com o seu atendimento personalizado a Loja dos Restauradores situada no Cinema Éden, com um estilo moderno, era uma das lojas que a CUF detinha em Lisboa, exclusivamente para a venda do seu sector têxtil. Aqui vos deixo o único anúncio que até agora consegui da Loja e do seu interior.



sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Coleccionismo CUF




Este é um Isqueiro tipo Zippo, com publicidade á Divisão Textil da CUF, bem como ás suas alcatifas, que nos anos 50, 60 e 70 eram muito famosas não so pela sua qualidade como pela sua diversidade. É um belo exemplar e que se encontra em execelente estado de conservação. Podemos assim constatar que a história de uma empresa também se encontra presente nesta pequenas coisas.