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sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Os 44 anos do hipermercado Pão de Açúcar/Jumbo em Cascais

Fez ontem 44 anos, que a inauguração do 17º estabelecimento do Pão de Açucar em Portugal revolucionou a ida às compras na Linha de Cascais. O novo hipermercado mudou hábitos de consumo, democratizou preços e levou maior variedade de produtos e bens a um vasto número de pessoas. Localizado estratégicamente junto á Estrada Marginal e à Linha de Comboio, não admira que se tenha tornado ao longo destes anos, tambem ele, um ícone desta Vila, tal como foi no passado o já desaparecido Hotel Estoril-Sol. É impossivel não se notar na azáfama diária de carros e de gente que ali se deslocam para fazer as suas compras. 

Como é referido na Revista Binário de Outubro de 1973 "Aos técnicos responsáveis por este novo empreendimento foi imposta uma brevidade na elaboração do projecto e na execução da obra que constituiu verdadeiro desafio à sua capacidade. Um desafio que aceitaram conscientemente, enriquecidos, como estavam, pelas experiências anteriores. 
Cento e vinte dias era o prazo fixado; trabalhou-se num ritmo intenso, ergueram-se cerca de 9 mil metros cúbicos de betão, num curto espaço de tempo fez-se praticamente tudo o mais: acabamentos, decoração, montagem do equipamento..." 






Caixas
O hipermercado do Pão de Açucar (actual Jumbo) ocupa uma area de 15.500 metros quadrados no qual o sector de vendas detinha à epoca um total de 5500 metros quadrados. Neste projecto tudo foi estudado ao pormenor inclusive a sua estéctica "No caso de Cascais, com uma urbanização definida e esteticamente valorizada, houve, no entanto, que procurar uma aliança entre as soluções técnicas e os ideais estéticos, por forma a enquadrá-lo dignamente no conjunto. Pôs-se assim de parte a concepção tradicional, marcada da maior sobriedade, para levantar um edificio de linhas mais apuradas, em que a fachada, rica de pormenores, empresta logo um aspecto deveras agradável. Essa mesma determinante inspirou o garden-center, com uma estrutura de ferro e vidro, no qual se atendeu, acima de tudo, ao cosmopolitismo de Cascais e ao propósito de contribuir para o seu aspecto paisagístico." 





                                                                                                           





   
     




Programação e coordenação: Eng. César Palha (Direcção de Expansão dos Supermercados Pão de Açúcar - Lisboa) Arq. Carlos Novais (Construtora Pão de Açucar, S.A. - S. Paulo)
Projecto de Arquitectura: Arq. Eugénio Nascimento
Projecto de Engenharia: Profabril
Direcção da Obra: Eng. Basto Machado
Projecto de Frio: Eng. António Vilela
Decoração: Agostinho Rocha 
Equipamento: Joaquim Serralheiro



A sua inauguração foi um verdadeiro acontecimento para a época, centenas de pessoas aglomeraram-se desde muito cedo junto à entrada do estabelecimento. O Dr. João Flores (Administrador-Delegado da SUPA) recebeu á entrada do edificio o presidente e vice-presidente da Câmara de Cascais, respectivamente, engº Pinto Machado e comodoro Julio Vieira Lopes, o Dr. Jorge de Mello, Eng. Sousa Rego, Vistulo de Abreu, e Drs Abilio e Arnaldo dos Santos Diniz. Após o discurso inaugural prferido pelo Dr. João Flores o pároco de Cascais, Assis Cardoso deu a benção a todos os que empenharam o seu esforço e talento no notável empreendimento, seguidamente a senhora de Pinto Machado cortou a fita simbólica, iniciando-se a visita inaugural. 



          











Snack-Bar
Como é referido no Diário de Noticias de 15 de Setembro de 1973 "Além de todas as secções comuns a todas as lojas, o Pão de Açucar de Cascais apresenta um actualizado pronto-a-vestir, sapataria, balcões de óptica e cosmética, fotografia, e cinema, artigos de campismo e desporto, acessórios de automóveis, bicicletas, electrodomésticos, roupa de casa e mobiliario. Tem igualmente, um excelente snack-bar e uma moderna secção de padaria e de pratos cozinhados. Prevê-se ainda para breve, a abertura de um «garden-center». autêntica novidade nos estabelecimentos similares, e onde poderáo adquirir-se utensilios de jardinagem, sementes, plantas, adubos, vasos e terras, bem como, numa secção anexa, peixes e aves e plantas aquáticas.
Sublinhe-se também, que o Pão de Açucar de Cascais tem a maior rede de frio de todos os supermercados da Peninsula Ibérica e que para comodidade do público, dispõe de um parque para 300 automóveis" Á epoca este estabelecimento era sem sombra de duvida o mais moderno e mais bem equipado hipermercado do país. 



Garden-Center
Pormenor do Interior do Garden-Center
Anuncio da Inauguração do Pão de Açucar de Cascais


Passados que são 44 anos, é natural que muito tenha mudado no actual Jumbo, que hoje tem um parqueamento muito maior devido á construção há mais de 20 anos do silo auto de 2 andares. O espaço do antigo Garden-center já não existe, dos cinemas já só resta uma leve lembrança etc. E é bem possivel que hajam novas alterações (desta vez alterações radicais) relacionadas com aquele espaço. Na edição online do Jornal Expresso de 12 de Março de 2017, é apresentado um novo projecto que pretende revolucionar a entrada de Cascais. O que uns chamam de revolução, chamo eu de pura especulação imobiliária que ira trazer dividendos fenomenais a alguns! Mas quem sou eu para julgar tais propósitos! Deixo o assunto á sensibilidade e visão de cada um. Para mim o mais divertido é ir à página do projecto, fazer o download do seu powerpoint e chegar à parte histórica e ver aquilo em branco. Vê-se de facto o valor dado à parte histórica neste país nos mais diversos sectores. Se calhar estavam á espera que um tipo como eu, lhes fizesse o trabalho de casa. Agora já podem vir aqui roubar e fazer "copy-paste" à vontade, como aconteceu já com tantas postagens deste blogue!



Abilio Diniz
Em jeito de remate coloco em destaque a figura de Abilio Diniz. Para muitos acredito que seja um nome totalmente desconhecido. Abilio dos Santos Diniz, é filho de Valentim dos Santos Diniz, originário de uma aldeia do distrito da Guarda, e que cedo imigrou para o Brasil, à procura de uma vida melhor. O que começou por ser uma modesta doçaria com o nome "Pão de Açucar" tornou-se anos depois na maior cadeia de super e hipermercados da América Latina. Abilio desde cedo se interessou pelo negócio, apostado em fazer crescer ainda mais a marca. Assim entre 1959 e 1963 estudou nos Estados Unidos da América, as mais modernas técnicas e métodos de distribuição a todos os níveis, uma espécie de formação "de como ter êxito na vida montando supermercados" terá ele dito a uma entrevista de uma revista. Abilio foi o grande responsavel pela rápida expansão da marca "Pão de Açucar" pela América Latina, tornando-se num empresário respeitado quer no Brasil quer no estrangeiro. Por isso não é de todo estranho que um homem dinâmico como ele, tenha aceite o desafio de se juntar ao Grupo CUF por forma a internacionalizar ainda mais a sua marca. A sua presença em Portugal oferecia-lhe não só o mercado interno e ultramarino (Jumbo de Luanda), mas ainda a possibilidade de fazer crescer o nome "Pão de Açucar" na Europa. E a verdade é que em meados de 1974 foi inaugurado no centro de Madrid o "Pan Azucar", havendo planos para estender a sua actividade a Londres, mas as mudanças politicas em Portugal e a consequente nacionalização do Grupo CUF deitaram por terra esse projecto. 

domingo, 7 de novembro de 2010

10 Anos da PROFABRIL, Noticias de Imprensa e Medalha

A PROFABRIL - Centro de Projectos S.A.R.L. comemorava em Novembro de 1973, o seu décimo aniversário, para o efeito, convocou os órgãos de imprensa de forma a assinalar a efeméride. Empresa pioneira do "engineering" em Portugal, resultado com antigo Departamento de Projectos da CUF (como já foi referido num "post" anterior) encontrava-se neste periodo numa verdadeira fase de crescimento exponencial quer fosse em Portugal, com projectos de alto nível, como as obras de expansão do Estaleiro da Lisnave, as Refinarias do Porto ou de Luanda, ou a Universidade de Lourenço Marques, começava também a ser reconhecida a nível internacional a sua capacidade de trabalho, com obras no Brasil, Espanha, Bahrein, ou Marrocos. A sua politica expansão assentava na criação de filiais, estando presente nos seguintes países Angola, Moçambique e Marrocos.

Aqui vos deixo duas noticias sobre os 10 Anos da Empresa, uma retirada da Revista Flama, data de 9 de Novembro de 1973, e outra retirada do Jornal Republica, da mesma época. (para aumentar basta clicar sobre as noticias)



Quanto à medalha, de estilo muito moderno, a autoria é do escultor Vasco Nuno, foram feitas 500 exemplares, o material é Bronze.


quarta-feira, 17 de março de 2010

A COMPAL

Como é do conhecimento geral, Portugal, tem uma longa tradição na industria de conservas alimentares, especialmente no que se refere às conservas de peixe. País de vocação marítima, com uma larga costa, e possuindo uma larga frota pesqueira, teve como consequência natural, o investimento no sector conserveiro. As nossas conservas de peixe, eram reconhecidas a nível internacional, cujas exportações tinham grande impacto na nossa balança comercial.*

Numa nova óptica de industrialização, surgirá nos anos 30, as primeiras fábricas de processamento de conservas alimentares de frutos. O objectivo num pais como Portugal (até aí essencialmente agrícola), era o de promover uma interligação entre a agricultura e a industria, valorizando os recursos nacionais. Na sua maioria eram unidades industriais pequenas e pouco apetrechadas tecnologicamente. Talvez o facto mais curioso, terá sido o de que com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, e a consequente, reconversão ou destruição das industrias dos países envolvidos na Guerra, levaram os industriais portugueses a exportar o concentrado de tomate para diversos países, fazendo-o com grande sucesso, e ganhando bons dividendos. Esta nova realidade teve como consequência um "boom" deste tipo de unidades fabris, contudo a recuperação das unidades industriais por parte dos países tradicionalmente produtores deste tipo de produtos (casos da Itália, França e Hungria) bem como a exigência dos consumidores desses mercados ditou o fim da aventura exportadora e o desaparecimento de grande parte dessas unidades em finais dos anos 40, levando a uma reestruturação do sector.

Com a introdução de campos de ensaio, escolha e experimentação das variedades de tomate que melhor se adaptassem ao clima e solo português, a montagem de serviços de assistência e a introdução de métodos mecânicos na cultura do tomate, abriram-se novas perspectivas no sector. Deu-se então um ponto de viragem, com o aumento da produtividade e da qualidade deste fruto, assumindo contornos de cultura intensiva no Ribatejo, área que anos mais tarde seria beneficiada, com a criação da grande obra de rega do Vale do Sorraia.

Surge em 1952 a COMPAL - Companhia Produtora de Conservas Alimentares detendo um capital inicial de sete mil contos, dividido em acções unitárias de 1000$00, fruto de uma fusão de duas fábricas: a Sociedade de Fruta Liquida e a ENCA - Empresa Nacional de Conservas Alimentares. É considerada desde logo uma empresa inovadora, apostando nos métodos científicos, o que muito nos diz do tipo de accionistas (nomes sonantes da agronomia, técnicos superiores e até professores do ISA - Instituto Superior de Agronomia, complementado por proprietários rurais). O local escolhido para a implantação da fábrica é o Entroncamento, area forte de produção horto-frutícola. A estratégia comercial da COMPAL nesta primeira fase é especialmente dedicada ao concentrado de tomate, que estava em alta nos mercados internacionais. Por isso contacta com técnicos estrangeiros (alemães e italianos) numa óptica de transferência e aquisição de moderna tecnologia. Apesar dos normais problemas de funcionamento da nova unidade fabril, a COMPAL começa a ganhar nome, cresce, tanto no mercado interno como no externo para onde exporta parte da sua produção (Inglaterra e Noruega) em 1957 dando o mercado grandes sinais de vitalidade, aumenta a sua capacidade fabril. Mas desde cedo o projecto COMPAL revelou fragilidades em termos de capitais, fundamentais para uma industria deste tipo, que necessita de constante investimento na modernização das suas unidades, dinheiro esse que a empresa só consegue através de empréstimos bancários. O ano de 1958 e seguintes irão marcar um ponto de viragem, com um abrandamento das suas vendas, acumulação de stocks e problemas financeiros, em que os accionistas que poderiam ajudar a empresa, acabam por se desligar dela. A Administração procura soluções viáveis, passando uma delas por encontrar um novo accionista de referencia. Sabendo que a CUF se encontrava interessada em se expandir para sector alimentar começaram as negociações para a aquisição maioritária das acções da empresa em 1963 após uma visita do Dr. Jorge de Mello e de outros técnicos da CUF ás instalações da empresa.

Iniciava-se assim um novo ciclo da COMPAL, agora inserida no grande e diversificado grupo empresarial da CUF que a vai salvar da ruína e transforma-la numa marca de referencia no mercado nacional. A empresa passava a deter um maior acesso ao crédito (através do Banco Totta) chegam novos gestores e uma nova cultura empresarial. Logo de imediato é discutido um plano de expansão imediata pelo qual passava a construção de uma nova fábrica, que viria a construída em Almeirim sob a supervisão de outra empresa do Grupo: a Profabril. Esta fabrica arranca a todo o vapor no ano de 1964, com os mais modernos equipamentos que vieram de Itália. Asseguraram-se os destinos tradicionais do concentrado de tomate (Inglaterra, Canadá e Noruega) alargando também as exportações para países como R.F.A., Suíça e França. Diversificam-se as produções de sumos (laranja, alperce, pêra) e refrigerantes. No âmbito de uma nova e agressiva campanha de marketing (dirigida por outra empresa do grupo, a NORMA) surge em 1965 o slogan que gerações de portugueses conhecem: "COMPAL é mesmo Natural". Em 1967 a empresa começou a comercializar doces de fruta, bem como sopas enlatadas (segmento onde estava na vanguarda) latas de favas e ervilhas, puré de grão, puré de feijão etc. A distribuição da COMPAL é integrada na rede CUF/SONADEL o que significa chegar a zonas mais afastadas e menos rentáveis devido à enorme e eficaz cobertura que tal rede possuía, centra-se a produção na Fábrica de Almeirim. No final dos anos 60 verifica-se descidas consideráveis na venda do tradicional concentrado de tomate, e ganhos significativos, nas áreas dos sumos e conservas alimentares. Será devido a este declínio que a COMPAL vai procurar novas áreas diversificando-se ainda mais. Em 1971 entra em acordo com a Câmara Municipal de Cascais, e passa a ser a concessionária das Águas de Vale de Cavalos, firmando posição no negocio das águas de mesa. Por volta de 1973 e numa óptica crescente e internacionalização do Grupo CUF a COMPAL funda a COMBAL - Companhia Brasileira de Conservas Alimentares, de forma a penetrar no mercado brasileiro. Pouco antes da Revolução de Abril de 1974, a COMPAL, ira participar na constituição de uma empresa de dietética, a EURODIETÉTICA - Produtos Dietéticos e Alimentes, numa tentativa de entrar num mercado em crescimento e até então controlado pela DIESE, participa ainda na constituição da SUNEXPOR - Sociedade de Comercialização de Produtos Agrícolas, tendo como accionistas outras empresas do Grupo CUF e o Estado Português (veja-se um dos posts no meu blogue sobre a constituição desta empresa). Os tempos mudaram bem como as politicas e as conjunturas e essas empresas nunca chegaram a ver a luz do dia, tendo a COMPAL ficado a perder dinheiro. Com a nacionalização e desmembramento do Grupo CUF em 1975 a empresa voltaria a ficar de novo numa situação financeira difícil, passando para as mãos do IPE - Instituto de Participações do Estado, foi sobrevivendo às crises, à falta de capital e as indecisões dos poderes, foi reestruturada e privatizada em 1993 continua até hoje a ser uma marca de referencia.


* Registe-se que no ano de 1965, era das nossas maiores exportações cifrando-se em cerca de 1 milhão e 400 mil contos (a preços da época).

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

A FISIPE

Nos anos 60 a CUF era reconhecida por uma vasta gama de produtos de excelência entre os quais os têxteis (alcatifas, tapetes, cortinados etc) detendo mesmo lojas de venda ao público. A sua tradição têxtil remonta ao inicio da Companhia, nascida da necessidade primária, do ensacamento dos seus adubos, seguindo-se depois, o fornecimento de cordoaria, para os navios da Sociedade Geral.

Contudo a partir dos anos 60 assiste-se a uma cada vez maior procura das fibras sintéticas, que pudessem substituir matérias-primas tradicionais, como a juta, ou cairo, ou a lã. Em 1968 a subida vertiginosa dos preços da juta, nos mercados internacionais e a concorrência por parte de outros tipo de embalagens viram ditar uma reconversão e uma reestruturação da Zona Têxtil da empresa. Sabemos que ao longo da sua vida industrial a CUF esteve sempre a par de todas as inovações técnicas que rapidamente eram introduzidas no seu complexo industrial e a têxtil não foi excepção. Era necessário acompanhar os tempos, vivia-se numa era de petróleo barato, através do qual por processos químicos, era possível transformar-lo em fibras mais resistentes que as naturais (tais como o Nylon, o Rayon, ou o Terylene) ditando assim uma grande procura no mercado deste tipo de produtos. Não será por acaso que a CUF em 1970 coloca em funcionamento novas linhas de feltro, nova estrusão e tecelagem de ráfia de polipropileno (necessário à modernização do ensacamento dos adubos).

O ano de 1973 ficará para sempre conhecido pelo seu Choque Petrolífero, que encerrou segundo a opinião de muitos economistas, um período dourado da economia mundial com taxas de crescimento espectaculares. Era também o fim da idade da inocência, para os países produtores desta matéria-prima essencial à vida moderna, que se aperceberam do seu poder, aumentando o preço do barril a 300%. Este choque teve ter grandes repercussões directas precisamente nas industrias derivadas do petróleo, estaleiros navais, e na química.

Seria em Abril de 1973 (a crise petrolífera só iria ocorrer no final do ano) que o Governo concede á CUF ou a empresa a constituir, autorização para a instalação de uma unidade produtora de fibras acrílicas a instalar no Barreiro. Para o efeito foi constituída no dia 7 de Setembro do mesmo ano a F.I.S.I.P.E. - Fibras Sintéticas de Portugal S.A.R.L. com o objectivo de realizar e explorar a referida unidade.
É importante referir que na época o país debatia-se com dificuldades de abastecimento deste tipo de fibras. Observando o seu relatório de contas pretendia a empresa os seguintes objectivos:

  • fomentar a difusão de novas tecnologias de laboração de fibras sintéticas
  • contribuir para a exploração mais racional do equipamento instalado
  • facultar meios de antecipação às tendências do mercado atribuindo novas perspectivas na comercialização e promoção dos produtos finais
  • reforçar o poder contratual do sector têxtil nos mercados externos pela garantia de aprovisionamento de matérias-primas necessárias
Esta nova unidade do Grupo CUF, teria como principal matéria-prima um derivado do petróleo o acrilonitrilo, que não era ainda produzida no país, mas que estava já planeada (para uma 2ª fase) o seu fabrico no futuro complexo industrial a C.N.P. (Companhia Nacional de Petroquímica) em Sines, que estaria previsto o seu arranque da laboração para 1977, contudo e até hoje o acrilonitrilo nunca se chegou a produzir entre nós, não passando da fase de projectos.









Fases da Construção da FISIPE


Apesar das dificuldades acrescidas pelo aumento do petróleo e da escassez mundial dos seus derivados, a FISIPE lança-se de imediato no mercado português de fibras acrílicas. Em Junho de 1973 lançam a fibra "Vonnel" iniciando a sua comercialização em sistema de «pré-marketing agreement» acordado pelos accionistas, que desta forma importava e comercializava a fibra acrílica produzida no Japão pela Mitsubishi Rayon Company, vendendo-se de imediato 750 toneladas de fibra no segundo semestre do ano, e formaram-se contratos para o fornecimento de 4000 toneladas para 1974. Podendo assim observar que apesar da crise, a FISIPE teve logo de imediato uma grande aceitação por parte do mercado nacional. Mas a situação no ano seguinte deteora-se, a revolução do 25 de Abril, as convulsões sociais, a instabilidade do consumo, levou a uma queda na procura deste produto. chegando a haver cancelamentos de encomendas. Em 1976 com o arranque da laboração, ha uma recuperação, e daí para a frente a empresa tornar-se-á numa importante unidade de fabrico de fibras sintecticas, chegando mesmo a expandir-se para a vizinha Espanha em 2000 onde adquiriu uma unidade industrial com uma produção anual de 68 000 toneladas, encerrada no ano 2004 por não ser economicamente viável.

Quanto a capitais a FISIPE representaria uma das ultimas "Join-Ventures" firmadas pela CUF desta vez com o Grupo Mitsubishi. O capital desta nova sociedade era de 250 000 000$ sendo o valor subscrito pela CUF de 60% e para a Mitsubishi os outros 40%.

O Projecto desta nova unidade fabril, localizada nos terrenos do complexo do Barreiro, numa área a roubar ao Tejo iria ficar a cargo a duas outras empresas do Grupo CUF, a Profabril e a E.N.I. Contudo a conjuntura económica, seguido da revolução de Abril nao era a mais favorável para investimentos desta envergadura e a administração deparou-se com múltiplos problemas: atrasos nos projectos de engenharia, problemas de fornecimento de equipamento e materiais de construção de origem estrangeira, dificuldade no recrutamento de pessoal especializado, conflitos de trabalho, por parte dos empreiteiros ligados à obra etc.

Nos planos iniciais feitos através do programa PERT, estava prevista o arranque da fábrica em Maio de 1975, , devido à conjuntura que então se vivia em Portugal, e aos constantes atrasos do projecto inicial a FISIPE so iniciará a sua produção em 1976, trabalhavam na unidade cerca de 450 pessoas, aquando da sua inauguração estiveram presentes o Presidente da Republica e o Secretário de Estado da Industria Pesada Eng. Nobre da Costa.




Bibliografia consultada:

  • Estatutos da FISIPE, 1973
  • "Jorge de Mello - um Homem", Jorge Alves, Edições Inapa
  • "Momentos de Inovação e Engenharia em Portugal no Século XX" Vol. III Cord. Manuel Heitor, José Maria Brandão de Brito e Maria Fernanda Rollo. (Cap. Sobre o Complexo Industrial da CUF no Barreiro) pp 242-285
  • Relatórios do Conselho de Administração (1973/75)

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Profabril - Concurso para Novos Edificios Públicos em Lourenço Marques - 1972

A PROFABRIL - Centro de Projectos S.AR.L. foi fundada em 1963 (sendo talvez a primeiro empresa de Estudos e Projectos a aparecer em Portugal), herdeira do antigo Centro de Projectos CUF fundado em 1934, detentora de uma longa e valiosa experiencia e conhecimentos práticos para a sua actividade, a qual se estendia, praticamente a todas as fases de concepção planeamento e realização de novos empreendimentos nos domínios da grande e média industrias, obras publicas, infra-estruturas e grandes edifícios para equipamento social e planeamento técnico e financeiro.

A experiência adquirida permitiu à PROFABRIL levar a efeito planos de desenvolvimento regional e de sector, pré-investimentos, planeamento de praticabilidade técnica e financeira, projectos arquitectónicos e de engenharia em todos os ramos, aparte a supervisão, coordenação e administração de projectos globais; direcção e supervisão de trabalhos de construção e montagem, bem como empreitadas gerais do tipo «até ao pormenor mais ínfimo».

Nos inicio dos anos 70 era já uma empresa com provas dadas e reconhecida a nível
internacional, em franca expansão (Angola, Moçambique, Marrocos e Brasil) detendo nos anos de 1971-72 um gigantesco volume de trabalho:

  • Projecto da Cidade Universitária de Lourenço Marques
  • Estudos de Planeamento Hidro-agrícola de 2 grandes zonas de Moçambique
  • Plano Director de Nova Lisboa
  • Novas Unidades Industriais da CUF
  • Projectos de dois grandes Hoteis
  • Ampliação da Fábrica de Relógios Timex
  • Anteprojectos de docas-secas em Espanha
  • Plano viário da região do Porto
  • Projecto dos supermercados Pão de Açúcar
  • tarefas de fiscalização tanto nas obras da Margueira, como nas obras de Cabora-Bassa
  • Trabalhos de programação de hospitais e edifícios públicos e coordenação de transportes em Moçambique
  • Planos dos portos de Lisboa e Setúbal
  • Projecto e fiscalização do novo estaleiro de Setúbal (SETENAVE)
  • a Linha beira-rio do Metropolitano de Lisboa
  • o "engineering" de novas fábricas de Estarreja
  • Parques de estacionamento subterrâneos de Lisboa
  • a Refinaria de Sines (PETROSUL)
  • Amplicaçao da refinaria do Porto
  • a rede de auto-estradas de concessão
  • Novos hospitais na Metrópole

Após esta breve introdução das actividades desta empresa do Grupo CUF passamos ao Concurso para Novos Edifícios em Lourenço Marques. Em 1972 o então Governo do Estado de Moçambique, delega á PROFABRIL a elaboração deste mesmo Concurso a ser apresentado ao Sindicato Nacional dos Arquitectos.

Propunha-se construir um conjunto de edifícios tanto administrativos como culturais na Zona da Baixa de Maxaquene em Lourenço Marques.

A zona de intervenção tinha como limites:

A Sul - A Baía de Lourenço Marques

A Norte - A Av. da República

A Poente - A Zona envolvente do moderno edifício da Fazenda (consultar fotos) fazendo ainda parte do conjunto considerado.

A Nascente - A rua limite do terreno, onde se encontravam as instalações da F.A.C.I.M. (Feira Agrícola Comercial e Industrial)

Toda este espaço detinha um total de 35 hectares, sendo a área destinada a edifícios públicos bastante menos, pretendendo-se que na parte nascente se situasse uma zona arborizada publica. Nos projectos estava ainda incluído a construção do Palácio da Cidade.

A Zona teria uma densidade global de mais de 1300 habitantes pro hectare em horas de ponta, e umas densidade de habitação próxima dos 200 habitantes por hectare. Uma capacidade para estacionamento de 1200 veículos no futuro alargado para 3000.

Edificios Projectados:

1 - Governo Geral
  • Instalação do Governo Geral
  • Gabinete Provincial de Acção Psicológica
  • Serviços de Centralização e Coordenação de Informação
  • Conselho Legislativo e Económico e Social
2 - Secretaria Geral
  • Instalações da Secretaria Geral
  • Governo do Distrito de Lourenço Marques
  • Serviços de Administração Civil
  • Inspecção dos Serviços Administrativos
3- Secretaria Provincial de Educação
  • Instalações da Secretaria Provincial de Educação
  • Serviços de Educação
  • Inspecção Provincial de Educação
  • Servo Extra-Escolar
  • Repartição Escolar Distrital
  • Inspecção Escolar Distrital
  • Mocidade Portuguesa
  • Mocidade Portuguesa Feminina
  • Instituto de Orientação Profissional
  • Conselho Provincial de Educação Física
4 - Biblioteca Nacional e Arquivo Histórico

5 - Secretaria Provincial de Planeamento e Fazenda
  • Instalações da Secretaria de Planeamento e Fazenda
  • Direcção dos Serviços de Fazenda e Contabilidade
  • Inspecção dos Serviços de Fazenda
  • Direcção dos Serviços de Planeamento e Integração Económica
  • Direcção dos Serviços de Estatística
6 - Secretaria Provincial do Trabalho e Previdência
  • Instalações da Secretaria do Trabalho e Previdência
  • Instituto do Trabalho, Previdência e Acção Social
  • Serviço de Emprego
  • Fundo de Acção Social no Trabalho
  • Gabinete Coordenador dos Serviços Sociais
7- Instalações Comuns
  • Restaurante
  • Posto Médico
  • Oficinas

Acervo Fotográfico:

Área do Projecto


Várias perspectivas da Área




Edifício da Fazenda



Panorâmica Geral com a Av. da Republica no Centro







Fontes:

  • Concurso de Arquitectura para Edifícios Públicos em Lourenço Marques, Profabril 1972
  • Revista Interna da Profabril
  • O Grupo CUF, 1974

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Participação da CUF na Construção da Central Térmica do Carregado

A Central Térmica do Carregado, viu o seu Estudo de Localização aprovado a 27 de Março de 1964. Localizada a 30 quilómetros de Lisboa, junto à Linha férrea Lisboa-Porto, esta Central vinha reforçar o abastecimento de energia eléctrica à área da Grande Lisboa. O País encontrava-se numa época de franco crescimento a todos os níveis, a que os consumos energéticos não eram alheios, tanto a nível privado como a nível industrial. O preço de petróleo era ainda baixo, impulsionando a construção de Centrais Térmicas baseadas na queima de Fuelóleo. Verifica-se que a produção eléctrica por via térmica evoluiu de 998 milhões de KWh para 1686 milhões de KWh em 1972. A construção desde Central, com uma potência instalada de 500 MW decorreu entre os anos de 1964 a 1968, participando neste empreendimento o Grupo CUF através de várias empresas.


Profabril - Centro de Projectos Industriais

Coube a esta empresa a totalidade do projecto das estruturas de betão armado, incluindo as fundações do Edifício da Sala das Máquinas, do Edificio de Auxiliares Eléctricos da Estrutura de Apoio dos Reservatórios e Desgasificadores (Travée dês Bâches), das Celas dos Transformadores e de maciços de apoio de equipamentos vários.

Durante a construção do empreendimento a Profabril, adjudicou à Divisão Metalo-Mecânica da CUF as seguintes obras:

- Estruturas metálicas, cobertura e sistema de ventilação natural do edifício principal da Central.

- Sistema de armazenagem e de alimentação de combustível às caldeiras principais (1º e 2º grupo) e auxiliares; seus sistemas de purgas a traçagem por vapor; instrumentação destes sistemas.

- Sistemas de fluidos principais de média e baixa pressão (águas de alimentação das caldeiras, industrial e desmineralizada) e auxiliares (vapor, ar comprimido, água de incêndios, agua potável e azoto) para os dois grupos de turbo-alternadores.

Um facto curioso que podemos verificar neste empreendimento, é o da interacção entre a Profabril, com a Divisao de Metalo-Mecânica da CUF, assim observamos que tanto a Profabril contrata a CUF para certos trabalhos como assistimos ao inverso.

Assim a Divisão de Metalo-Mecânica da CUF contrata à Profabril a execução de todos os projectos referentes a estas empreitadas com execução das que se referem à ventilação natural do edificio, à protecção catódica das tubagens enterradas e o sistema de protecção de incêndios dos transformadores


Coube á EFACEC o fornecimento e montagem dos transformadores eléctricos (que aliás á sua época eram o maiores transformadores e de maior potencia construídos no país) com 150 000 KVA – 230 000 V – 204 000 Kg. Este feito colocou esta empresa ao nível dos maiores construtores mundiais de material eléctrico. Bem como forneceu os transformadores de medida Hermetic de Alta Tensão, disjuntores ortoejectores de pequeno volume de óleo (com 7500 MVA – 220 000 V) e motores eléctricos de Alta Tensão.



Motor Eléctrico de Alta Tensão Motor trifásico tipo AF, 1000 RPM, 570 KW

Fontes Consultadas:

  • Revista Binário - arquitectura, construção equipamento, nº117, Junho de 1968
  • Politica Industrial (1968-1972 Progresso em Paz)

segunda-feira, 21 de abril de 2008

O Secretário de Estado da Indústria visita a SETENAVE


Como já foi dito noutros posts em 1972 o Grupo CUF começou a planear um novo e grandioso empreendimento na sector da Construção Naval, falamos dos Estaleiros Navais de Setúbal - SETENAVE. Nesta foto podemos ver o Eng. Rogério Martins (Secretário de Estado da Indústria desde 27 de Março de 1969) com o ponteiro na mão apontando para a fotografia. Aliás Rogério Martins não era estranho ao Grupo CUF sendo um antigo colaborador do mesmo, desempenhando um cargo directivo na Sociedade Geral de Comércio Indústria e Transportes, de 1966 a 1969. Saltando um senhor ao lado do Secretário de Estado, com o seu cabelo esbranquiçado e esboçando um sorriso no rosto, deparamo-nos com um alto quadro da Lisnave, Eng. João Farrajota Rocheta, um dos criadores e impulsionadores da Lisnave, sendo seu Director Técnico. Em seguida e virado para o Eng Rogério Martins, vemos Dr. José Manuel de Mello, Presidente do Conselho de Administração da SETENAVE que com certeza estaria a dar explicações sobre o projecto. Ao seu lado um pouco mais alto encontra-se o Eng. Perestrello de Vasconcellos sendo na época o Administrador- Delegado da Lisnave.

Toda a concepção deste grande projecto foi entregue a outra empresa do grupo, a Profabril, que nesta época ganhava cada vez mais fama a nível internacional. A foto que se vê por detrás deste grupo de pessoas é esta que coloco aqui, é um ante-projecto que demonstra a enormidade de tal projecto com base na planta da cidade de Lisboa.


Foto da Revista da Lisnave, 1972

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

O Grupo CUF e as Auto-Estradas

O Governo de Marcello Caetano liderado por tecnocratas, cedo se apercebeu que devido ao seu avultado custo, não poderia ser o Estado a construir a futura rede de auto-estradas. Desta forma opta por lançar em 1971 um concurso público para a construção e exploração das novas auto-estradas, criando-se para esse efeito uma concessionária juntamente com a respectiva duração da concessão.

Bases do Concurso

- Menor tarifa de portagem
- Menor montante de empréstimos estrangeiros
- Maior montante de capital social
- Maior participação portuguesa na concessionária a ser fundada
- Menor prazo de duração da concessão
- Menor prazo de execução dos trabalhos de construção
- Melhor nível de estudos de carácter técnico e financeiro
- Negociação sobre a melhor quantia oferecida pelo lanço Lisboa - Vila Franca de Xira (construído em 1961)

Plano das Construções

- Conclusão da Auto-Estrada do Norte (Vila Franca de Xira – Carvalhos), numa extensão de 273 quilómetros

- Auto-Estrada do Sul, construção do acesso ao Futuro Aeroporto de Lisboa (Rio Frio) e o lanço entre o Fogueteiro e Setúbal numa extensão de 35 quilómetros

- Auto-Estrada da Costa do Sol compreendendo uma extensão de 20 quilómetros (Estádio Nacional – Cascais)

- Auto-Estrada Lisboa – Sintra, 20 quilómetros

- Auto-Estrada do Oeste entre Lisboa e Malveira, numa extensão de 20 quilómetros

- Auto-Estrada do Porto a Braga e Guimarães, numa extensão de 57 quilómetros

- Auto-Estrada do Porto à Povoa de Varzim, numa extensão de 23 quilómetros

- Auto-Estrada do Porto a Penafiel, numa extensão de 32 quilómetros.


O projecto resulta assim numa rede de 480 quilómetros de Auto-estradas, onde seria também integrada os lanços anteriormente construídos. Estimava-se, segundo este plano a entrada ao serviço desta rede entre os anos de 1973 e 1982. Para o efeito o Governo criou uma comissão de técnicos para analisar as várias propostas levadas a concurso. A comissão era presidida pelo Eng. Manuel Duarte Gaspar, presidente da J.A.E. Dr. Luís Pires Cabral da Procuradoria Geral da Republica, Eng. Fernando Barbosa Perdigão e Eng. Manuel Pinto Serrão direcções do Serviço de Construção e do Gabinete de Estudos e Planeamento da J.A.E.

Foram três as propostas apresentadas a concurso:

- Grupo Internacional Brisa
- Grupo CUF
- Consórcio Luso-Hispano-Italiano

Vejamos pois a formação dos três grupos concorrentes:

Grupo Internacional Brisa

Sociedade de Empreendimentos e Infra-estruturas Interbrisa S.A.R.L.

Consorcio Financeiro:

• Banco Espírito Santo e Comercial de Lisboa
• Banco Fonsecas & Burnay
• Credito Predial Português
• Crédit Franco-Portugais

Empresas Nacionais:

• Sociedade de Empreitadas Somague S.A.R.L.
• SEOP – Soecidade de Empreitadas e Obras Públicas S.A.R.L.
• EMPEC – Empresa de Estudos e Construções Lda.

Empresas Estrangeiras

• Sir Alfred McAlpine and Son Ltd. (Inglaterra)
• S.A. Conrad Zschokke (Suiça)
• Societé Française de Travaux Publics Fougeroulle S.A. (França)
• Societé Général d´Entreprises S.A. (França)
• Societé Routière Colas S.A. (França)
• Bec Frères S.A. (França)
• Finanzas y Projectos S.A. (Espanha)
• Técnica y Obras S.A. (Espanha)
• Ginez Navarro e Hijos Construciones S.A. (Espanha)


Grupo CUF

• Companhia União Fabril S.A.R.L.
• Lindsay Parkinson e Co. Ltd. (Inglaterra)
• W. e C. French Ltd. (Inglaterra)

Consorcio Financeiro

• Banco Totta & Açores S.A.R.L.
• Kleinwort Benson Ltd.
• (possibilidade de criação de um segundo grupo tanto de bancos nacionais como estrangeiros para assegurar os investimentos a realizar)

Consultoras técnicas:

• Owen Williams and Partners
• Profabril - Centro de Porjectos Industriais S.A.R.L.


Consorcio Luso-Hispano-Italiano

• Banco Pinto & Sotto Mayor
• Banco Português do Atlântico
• Liga Financeira S.A. (Espanha)
• Union Industrial Bancária S.A. – Bankunion
• Impresit-Impresa Italiana all Estero S.A.

Apresenta-se seguidamente as propostas das três empresas:

Grupo Brisa

• 65% de capitais nacionais sendo 35% de origem estrangeira
• 522,2 Km de extensão de percursos
• Execução da Rede em 12 anos
• 27 anos de concessão
• Participação do Estado em 10%
• Compra do troço da Auto-estrada Lisboa – Vila Franca de Xira ao Estado (500.000 em 4 prestações)
• Tarifas médias ($40 e $60 para veículos ligeiros e pesados)


Grupo CUF

• Valor do capital desconhecido (sendo que 24% seria do Grupo CUF e associadas, 20% Estado Português, Lindsay Parkinson e W. e C. French ambas com 23% e 10% para outra comparticipações internas))
• 446 Km de extensão (tendo apresentado 6 projectos diferentes)
• Execução da Rede em 12 anos
• 88 anos de concessão
• Participação do Estado até 20%
• Compra do troço da Auto-estrada Lisboa – Vila Franca de Xira ao Estado (400.000 contos em 10 prestações)
• Tarifas médias ($50 por veiculo)

Consorcio Luso-Hispano-Italiano

• Capital inicial de 500.000 contos
• 480 Km de extensão
• Execução da rede em 12 anos
• 35 anos de concessão
• Participação do Estado (desconhecida)
• Compra do troço da Auto-estrada Lisboa – Vila Franca de Xira ao Estado (400.000 contos em 10 prestaçoes)
• Tarifas médias ($45 por unidade movimentada)






Como se sabe quem veio a ganhar este concurso foi a BRISA que até hoje é a concessionária de parte da rede de Auto-Estradas de Portugal. Este foi um dos projectos do Grupo CUF que não tiveram sucesso como aconteceu no passado com o arrendamento da Linha Sul e Sueste nos anos 20, ou a tentativa de controlo da Companhia Portuguesa de Rádio Marconi em 1926.

O projecto do Grupo CUF para as auto-estradas se o analisarmos bem tem os seus prós e os seus contras:

- A favor poderemos enunciar a capacidade de auto-financiamento e de concretização, pois como se sabe o Banco Totta e a Profabril eram empresas do Grupo, o que tornaria o projecto menos dispendioso, apesar da necessidade natural de recurso a capitais estrangeiros.

- Contra temos de enunciar a extensão da rede de Auto-Estradas, foi o grupo que apresentou a menor extensão de quilómetros, já para não falar no prazo de Concessão onde muito se alargou perante os seus concorrentes, o concurso dizia explicitamente “menor prazo da duração de concessão”, tornando-se inviável.

O facto mais curioso é que hoje em dia o maior accionista nacional da BRISA é o Grupo José de Mello com 30% do seu capital e que detém também a CUF.