Mostrar mensagens com a etiqueta José Manuel de Mello. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta José Manuel de Mello. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

O Congresso da ISMA - 1954

Entre os dias 24 e 30 de maio de 1954 realizou-se em Lisboa um Congresso Internacional de Superfosfatos (I.S.M.A. - International Superphosphate and Compound Manufacturers Association) que contou com a presença de representantes das seguintes nações: Portugal, Espanha, França. Inglaterra, Irlanda, Suiça, Alemanha, Itália, Bélgica, Suécia, Noruega, Dinamarca, Finlandia, Holanda, Estados Unidos, Africa do Sul, Norte de África, India e Nova Zelândia.

Postal do Casino Estoril

O banquete inaugural reuniu cerca de 500 pessoas e decorreu no Casino Estoril, sendo presidido pelo secretário de Estado do Comércio e Industria. No fim do banquete o Dr. Jorge de Mello na qualidade de representante da Indústria Portuguesa a este congresso saudou todos os presentes. Depois de agradecer as facilidades concedidas pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros para a realização deste congresso referiu que a indústria portuguesa de superfosfatos não existiu entre nós até ao ano de 1908. Focando-se depois na actualidade referiu a existência de três empresas nacionais produtoras de Superfosfatos cujas suas fábricas foram totalmente modernizadas depois da última guerra. De seguida
Dr Jorge de Mello
frisou: "Fazemos face a todas as necessidades imediatas da Lavoura metropolitana e ultramarina e estamos preparados para os aumentos de consumo que derivarem da activa politica de fomento agrário do nosso Governo. Mas, enquanto o mercado interno não se desenvolver suficientemente sobram-nos largas disponibilidades para exportação, quer por possuirmos grandes fábricas modernas e bem apetrechadas; quer devido às existências de pirites no nosso País; quer ainda pela sua posição geográfica, relativamente aos jazigos de fosfatos do Norte de África, Portugal estaria hoje em condições de ocupar posição de maior destaque na exportação de superfosfatos se tivesse querido colaborar mais activamente na desordem internacional de preços." Falaram de seguida os Srs. Colbejornsen e Grandgeorge manifestando palavras de reconhecimento aos organizadores do Congresso. O Presidente do I.S.M.A. Sr. Biro agradeceu a festa e por ultimo o Subsecretário do Comércio referiu-se à necessidade da intensificação da lavoura nacional, por forma a dar resposta ao elevado ritmo de crescimento da população nacional.

Casa São Cristóvão no Estoril onde decorreu o Cocktail 
O local escolhido para a realização das reuniões deste Congresso, foi a sede da Associação Comercial de Lisboa. E como não poderia deixar de ser da praxe, entre estas reuniões, realizaram-se visitas turísticas e almoços de confraternização. No dia 26, os membros do Congresso visitaram os arredores de Lisboa tendo visitado o Palácio de Queluz, de seguida foi servido um almoço nos jardins do Palácio de Monserrate a convite da Câmara Municipal de Sintra. À tarde, D. Manuel de Mello ofereceu na sua casa do Estoril um cocktail aos congressistas.

No dia seguinte a comitiva rumou a Vila Franca de Xira, mais concretamente à Estalagem do Gado Bravo, local escolhido pelas empresas das minas de S. Domingos, Lousal e Aljustrel para oferecer o almoço aos congressistas. Durante o repasto os 400 congressistas poderam admirar danças e cantares caracteristicos da leziria ribatejana, tendo-se distinguido os seguintes solistas: Manuel Rabaça, Maria Paixão e Maria das Graça. Seguiu-se uma garraiada em que tomaram parte os cavaleiros Manuel Conde e Francisco Mascaranhas.


Capa do Menu


Menu do Almoço

Complexo da CUF no Barreiro

No dia 28 os delegrados do I.S.M.A. visitaram demoradamente as fábricas da CUF no Barreiro sendo acompanhados pelo Sr. D. Manuel de Mello, Nicolas Gregori, José Manuel de Mello e eng. Eduardo Madaíl administradores daquela empresa, bem como pelo Dr. Jorge de Mello, delegado a indústria portuguesa ao conselho da Associação Internacional de Fabricantes de Superfosfatos. Depois de terminada a visita foi oferecido pela administração da CUF um almoço, no meio do qual o Sr. D. Manuel de Mello usou da palavra, merecendo sem sombra de duvida serem lidos os seguintes excertos:

"Dirijo-me a homens de trabalho para quem o estudo, o espirito de decisão e a actividade valem mais do que a oratória. Tal como os congressistas, entendo que os ruídos de uma fábrica em laboração valem mais do que um discurso. Direi mesmo: para visitantes de alta categoria social e industrial de V. Exas. valem mais do que qualquer outra homenagem. Escutemos, então, o que esta fábrica nos está dizendo pelas voz de suas máquinas.

Ela quer contar-nos a sua história, as suas grandes dificuldades iniciais, o seu lento progresso , as lutas constantes, as desilusões e as vitórias. É, afinal, a história de quase todas as grandes fábricas que pelo Mundo têm sido geradas por esse inigualável factor de fomento que se chama iniciativa privada. Mas esta fábrica fala-vos, principalmente do homem, tantas vezes incompreendido, que a soube criar e fazer grande. Do homem que, mesmo no túmulo, permanece junto dela, como que a dirigi-la ainda com o seu espírito imortal e a extraordinária força de vontade que para nós, seus sucessores continua sempre viva. Muitos de V. Exas. o conheceram e com ele conviveram em reuniões e congressos internacionais.

Alfredo da Silva, com audácia, inteligência e tenacidade, com o mais são, mais útil e mais indiscutível patriotismo, foi o primeiro industrial português do seu tempo, em época em que as grandes iniciativas económicas não tinham ainda o devido acolhimento entre nós. Deu-nos exemplo magnifico, exemplo que frutificou. Apontou-nos o caminho do futuro. Soubemo-lo seguir. Antes de Alfredo da Silva se lançar no fabrico de superfosfatos, faltavam quase totalmente á lavoura nacional os adubos nacionais, motivo por que ela se encontrava á mercê das guerras e outras causas de dificuldades de abastecimento do estrangeiro.

Fabrica de Superfosfatos da C.I.P.

Hoje além desta fábrica que estão escutando, existem em Portugal mais duas outras, a da SAPEC de Setubal e a da Companhia Industrial Portuguesa na Póvoa de Santa Iria cuja soma de capacidade de produção atinge cerca de 650.000 toneladas a mais de superfosfatos, equiparadas portanto, para todas as necessidades actuais da lavoura metropolitana e ultramarina e para os aumentos de consumo previstos. Portugal, que soube conquistar o seu lugar como exportador de superfosfatos, deseja mantê-lo, para o que tem direito incontestável."

D. Manuel de Mello
O Sr. D. Manuel de Mello concluiu dizendo:

"Ao receber visitantes tão ilustres, esta fábrica inscreve os seus nomes, a letras de ouro, na memória dos seus dirigentes. Em meu nome pessoal e no conselho de administração da Companhia União Fabril, brindo por V. Exas. pela prosperidade das obras económicas e sociais que dirigem e faço votos  ardentes para que o congresso do I.S.M.A. contribua para a cooperação internacional cada vez mais forte e portanto, cada vez mais util para todas as nações nele representadas."

De seguida o Sr. Douglas Bird usou da palavra agradecendo em seu nome e dos delegados o prazer que a Companhia União Fabril lhes proporcinou de visitarem as suas fábricas do Barreiro. O representante da Holanda, Sr. J. D. Waler agradeceu a recepção dispensada e brindou a Portugal. Por ultimo o Subsecretário do Comércio e Industria, regozijou-se com o facto de o congresso ter sido realizado no nosso país, permitindo aos delegados conhecer a realidade do nosso desenvolvimento industial, bem como das gentes portuguesas.

Após o almoço os congressistas dirigiram-se para Belém, para ali visitar o Museu dos Coches, seguindo depois para o Castelo de S. Jorge.

Fontes consultadas:

- O Século, Diário de Noticias, Diário Popular

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Há 50 anos era inaugurado o Estaleiro da Margueira

Cartão de Ingresso no Estaleiro no dia da inauguração
Há precisamente 50 anos era inaugurado com pompa e circunstancia o Estaleiro da Margueira, que projectaram o nome da Lisnave pelo Mundo. O projecto era ambicioso e numa escala nunca antes vista no nosso país neste sector. Usando as mais modernas técnicas e "know-how" de ponta, cedo a marca Lisnave começou a ecoar pelos quatro cantos do mundo naval. A inauguração deste Estaleiro foi um verdadeiro acontecimento na vida do país. Os convidados começaram a chegar ao local por volta das 14 horas estando presentes membros do Governo, representantes dos meios económicos nacionais, altos funcionários do Estado, delegados de numerosas empresas financeiras e industriais estrangeiras, enviados das principais companhias petrolíferas e de armação de navios, nomeadamente a Esso, Gulf, BP, Shell, Niarchos, Onassis e Norwegian Shipping, já para não falar nos membros da direcção, técnicos e empregados da empresa. Citando a Revista Industria Potuguesa "Ao todo, cerca de 7500 pessoas. Um caso único na vida das empresas económicas portuguesas" (ontem, como hoje!) À chegada do Presidente da Républica, a cerimónia inaugural principiou pela abertura das válvulas da doca 11 de 300.000 toneladas. Cheia a doca, o que levou 2 horas, o Presidente da Republica descerrou uma lápida com os seguintes dizeres: 

Momento da abertura das valvulas da doca 11
"Aos 23 de Junho de 1967, Sua Excelência o Senhor Almirante Américo Deus Rodrigues Thomaz, Presidente da República Portuguesa inaugurou este estaleiro naval, empreendimento no qual se congregaram homens e capitais portugueses, holandeses, e suecos e cuja colaboração e esforço se devem o projecto e construção deste estaleiro, a previsão do seu futuro desenvolvimento e formação do seu pessoal"

E por falar em previsão, é interessante verificar a constante evolução em termos de previsibilidade da sua docagem ao longo do projecto. Em 1961 considerava-se uma tonelagem de 65.000 ton. como bastante grande. Porém em curto espaço de tempo, novas metas surgiram para fazer face ao rápido crescimento da arqueação bruta dos navios. Assim em 1962 previam-se duas docas para navios com 100.000 ton, em 1964 duas docas para 150.000 ton., no ano seguinte aumentava-se uma das docas para poder receber navios na ordem das 200.000 ton. e por fim em 1966 o projecto final: uma doca para navios até 300.000 ton. e outra com capacidade até 100.000 ton.

Este foi um dos primeiros projectos industriais virados a 100% para o mercado internacional. O que significava que a empresa iria concorrer sob forte concorrência internacional. E como se sabe, apesar disso, tornou-se num emorme sucesso empresarial, tão grande que passados apenas 4 anos, foi necessário construir uma gigantesca doca para navios até 1 milhão de toneladas por forma a fazer face ao constante crescimento da querenagem dos navios, bem como ao próprio estaleiro adiantar-se face aos seus concorrentes mundiais. A sua tecnologia de ponta era motivo para visitas de todo o tipo de personalidades e técnicos estrangeiros, mesmo em termos de desgasificaçao e lavagem dos navios tanques. A sua localização geográfica em plena Rota do Petróleo, fez despoletar em poucos anos a planificação de um ambicioso projecto de dominar essa mesma Rota em varios pontos com a criação em meados/finais dos anos 70 dos Estaleiros de Reparação no Bahrein, em Jeddah, no Brasil (que não foi concretizado) e outro em Curaçau. Mas isso são outras histórias que ficarão para contar numa próxima ocasião. 

Refira-se ainda que no acto inaugural do Estaleiro, os Paquetes "India" e "Principe Perfeito" na Companhia Nacional de Navegação deram entreada nas docas 11 e 12.

À esquerda o Paquete Principe Perfeito, vendo-se a entrar a doca o Paquete India


Discursaram depois, o Sr. José Manuel de Mello, Gonçalo Correia de Oliveira (Ministro de Economia) e o Almirante Américo Thomaz. 

No final da cerimónia foi servido um jantar a bordo do "Principe Perfeito"

Como forma de perpetuar este acontecimento a empresa editou uma medalha da autoria do grande escultor Leopoldo de Almeida, existentes em módulos grande e em módulo pequeno



Também os C.T.T. se juntaram às homenagens editando uma série comemorativa de selos com o carimbo do primeiro dia.





Uma das peças mais interessantes que possuo é esta. Trata-se da brochura lançada pela Lisnave da inauguração do Estaleiro que foi oferecida ao então Presidente da Républica, Almirante Américo Thomaz. Encadernada em pele e debruada a ouro, na primeira página pode-se ver a dedicatória e a assinatura de José Manuel de Mello ao Chefe de Estado.




E para terminar este post, deixo-vos parte dos ecos deste acontecimento nos meio de comunicação social.

Diário de Noticias de 24 de Junho de 1967


Revista Flama - 30 de Junho de 1967

Industria Portuguesa Nº 473. Julho de 1967

Vida Mundial Nº 1463, 23 de Junho de 1967

Jornal de Almada - 24 de Junho de 1967



Revista Lisnave Nº 19, Julho de 1967 (capa e noticia da pág. 4)


Defesa Nacional Nº 401-402, Setembro-Outubro de 1967


Shipping World & Shipbuilder, Agosto de 1967

Quero deixar aqui o meu agradecimento público ao meu amigo Carlos Caria que teve a gentileza de me oferecer o Cartão de Ingresso no Estaleiro no dia da inauguração, que deve ser um documento que certamente poucos devem ter sobrevivido á voragem dos tempos. 

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

In Memoriam - Jorge de Mello 1921-2013

Esta semana fica marcada pelo desaparecimento daquele que para muitos foi considerado o ultimo industrial português (quando me refiro ao termo "industrial" é de facto na acepçao pura e dura de criaçao de industria seja ela pesada ou ligeira). Por isso venho até vós para prestar o meu ultimo tributo a esta personalidade para a qual sempre olhei com grande admiraçao. Se uns têm por idolos jogadores de futebol, cantores, actores, há tambem aquele que olham para homens os industriais e empresarios, cujas suas visoes empresarios contribuiram para o progresso do pais nas mais diversas areas. É esse o meu ultimo caso.

 De seu nome completo Jorge Augusto Caetano da Silva José de Mello, nasceu em Sintra em 1921 no seio de uma familia aristocrática com elevado peso no tecido produtivo da nação.  Desde cedo lhe fizeram compreender a importancia de ser um Mello e de ter por avô Alfredo da Silva. Vivendo uma infancia repartida entre Sintra e Estoril, Jorge de Mello fez os primeiros estudos na Escola Primaria de Cascais, ingressando depois no Colégio Infante de Sagres. No seu livro de memórias Jorge de Mello refere que:

"nunca senti nenhum previlégio especial, nem os meus pais alguma vez alimentaram essa ideia, quer comigo, quer com as minhas irmãs e o meu irmão. Ia para a escola a pé. Quando chovia, lembrava-me que havia automoveis na garagem, que estavam parados mas nunca tive a ousadia de falar nisso à minha mãe. É verdade que tinha gabardina e os meus colegas de escola, que apanhavam a mesma chuva, talvez não tivessem sapatos com solas tao grossas como os meus. Mas essa diferença não era sentida por mim, não era importante não me sentia diferente deles."

Efectuou depois os estudos superiores (muito a contra gosto) no Instituto Superior Técnico (ali se manteve ate ao 2 ano do Curso, tendo interrompido o mesmo para cumprir o serviço militar  entre 1942 e 1945) onde Jorge se deveria formar em Engenharia Quimica, como era vontade expressa do seu avô. Porém Jorge sempre manifestou grande interesse pelo universo da gestao economica, assim e apos a morte do seu avô decide inscrever-se no ISCEF, passando a ter uma vida bastante preenchida. Nestes primeiros anos, os estudos e as responsabilidades que lhe sao atribuidas na CUF ocupam-lhe muito do seu tempo.

Jorge entra para a empresa em 1945, nunca epoca na qual a empresa estava a passar por grandes transformaçoes e modernizaçoes, que foram fulcrais para o crescimento e consolidação da CUF em novos sectores economicos do pós-guerra. É restruturado e fortalecido o seu quadro de pessoal tecnico, aumentado o seu nivel cientifico, com o recrutamento gradual e selecionado de dezenas de engenheiros, economistas, médicos, e outros especialistas para o desenvolvimento ou criação de novos serviços.  É feita uma aposta muito signficativa na area tecnica e na area de investigação de forma a criar condições para se atingirem niveis de produtivade e eficiencia paralelos aos observados em países estrangeiros mais desenvolvidos. Neste periodo é descoberto a seu pai (D. Manuel de Mello) a doença de parkinson, o que leva Jorge e o seu irmão José a assumirem responsabilidades e cargos de cada vez maior importãncia nos destinos da companhia. Durante este perido para alem dos negocios estará intimamente ligado à criaçao da Colonia de Férias da CUF, localizada em Almoçageme e inaugurada em 1950, destinada aos filhos dos trabalhadores. Amante do Desporto, praticava, ténis, futebol, hoquei e tiro, chegando mesmo a ser campeao nacional desta modalidade. Sempre demonstrou grande carinho pelo Grupo Desportivo da CUF (apesar de ser um fervoroso adepto do Sporting) e sempre o tentou dinamizar o mais possível. Deslocava-se frequentemente ao Barreiro para ir assistir aos jogos de futebol do Clube. Como grandes iniciativas deste periodo pode-se destacar a criação da UFA em Alferrarede que produzia amoniaco electrolitico, a construção no Barreiro da primeia fábrica nacional de granulação de adubos (1951), e a criação da fabrica de tintas Tinco (em associação com a multinacional inglesa I.C.I). Ou ainda a participaçao da empresa através do seu sector melato-mecanico, nas mais variadas obras publicas (construção de condutas forçadas, pontes rolantes, equipamentos para barragens, fabricas etc.) do esforço de modernizaçao nacional do pós-guerra.



Se a década de 60 foi a época de ouro da economia nacional com crescimentos superiores aos da média europeia à procura de uma rápida aceleração/transformação do tecido produtivo e das actividades economicas, nao o foi menos para a CUF. A empresa abre novos horizontes, exporta para paises que até então nenhuma empresa portuguesa sonhara fazê-lo: Japão, Australia, Egipto, Alemanha, Estados Unidos, Europa do Norte, Bulgária etc, comprovando a qualidade dos seus produtos, bem como a capacidade concorrencial da empresa. Abarca novas áreas de negócio como a Hotelaria/Turismo, Alimentar, Estudos de Mercado, Bioquimica etc. Manuel de Mello era já um homem muito doente, e quem geria verdadeiramente o Grupo empresarial era Jorge e o seu irmão, José, a quem coube o merito da criação dos Estaleiros da Lisnave, o primeiro empreendimento português vocacionado a 100% para o Estrangeiro.

Em 1963, Jorge de Mello é um dos mentores da C.I.E. - Comissão Interna da Empresa, que pertendia ser um elo de ligação entre os trabalhadores e a administração. Reunindo uma vez por mes na sede da CUF (Av. Infante Santo)  membros da administração e representantes dos varios sectores industriais da empresa debatiam desde, assunto relativos às fabricas, segurança no trabalho, escola da cuf, colonia de férias, dispensa operaria, etc. Segundo se diz à época o próprio governo do Estado Novo ficou alarmando com tal coisa, achando que poderia trazer grandes maleficios para a empresa e para o trabalho nacional, mas tal não aconteceu. O empresario limitou-se a aplicar um modelo já existente em paises mais desenvolvidos, onde as relações inter-laborais, eram vistas com outra preocupação social.


Em Outubro de 1966 com a morte D. Manuel de Mello, Jorge irá naturalmente ascender à presidencia da empresa, cargo que irá ocupar até 1975. No inicio dos anos 70, quando o Grupo CUF ja se preparava para assumir projecção internacional havia uma especie de cantilena que dizia assim: "Oh meu Portugal tão lindo,/ oh, meu Portugal tão belo,/ metade é Jorge de Brito, / metade é Jorge de Mello. Durante este periodo o Grupo para alem de uma constante aposta na modernizaçao das suas fábricas, procura novos processos de fabrico, estende de novo a sua actividade a outros sectores da vida económica, (Frio Industrial, Decoraçao de Interiores, Marmores, Casinos, Cargas e Descargas Martitimas, Montagens Industriais, Super e Hipermercados, Restaurantes e Refeitorios etc.). São efectuadas joint-ventures com reputadas empresas internacionais, caso da Mitsubishi nas fibras sintécticas, a Billerud no fabrico da Pasta de Papel, ou da Kawasaki nos estaleiros navais etc. Juntamente com esta medidas o Grupo CUF aposta na sua internacionalização sendo criadas as primeiras empresas no estrangeiro, casos da Interacid (Suiça), da Intercuf (Brasil), ou da Navelink (Suiça). A partir de 1973 essa mesma estratégia de internacionalização passa por um sério investimento no Brasil, onde a CUF pretende ganhar posiçao na industria adubeira, fabrico de tabaco, alimentação e construção/reparação naval. Ao mesmo tempo a Companhia continuava a participar nos maiores projectos de desenvolvimento económico nacional, caso no novo Estaleiro Naval de Setubal (Setenave) e do Complexo Industrial de Sines, na qual a CUF juntamente com a Sonap, começaram a construir a partir de 1973 uma refinaria de petroleos com uma produçao anual de 10 milhão de toneladas/ano. (que nos pós 25 de Abril passará para as maos a Petrogal). Esta é tambem a fase em que o industrial manda chamar a prestigiada consultora Mckinsey por forma a reestruturar um Grupo cada vez mais complexo, em que alguns dos seus sectores atingiram já a saturaçao de vendas no mercado interno, sendo necessario prescutar novos mercados, sectores a investir, e reconversao dos existentes.

Com o 25 de Abril de 1974 e as mudanças radicais ocorridas na politica e economia nacional, ditam no ano seguite a nacionalizaçao do Grupo CUF. Para se perceber a sua dimensao e importancia no tecido economico nacional refira-se apenas que nele trabalhavam mais de 110 mil pessoas, em mais de 150 empresas diferentes, que produziam mais de 1000 produtos diferentes, sendo responsavel por 5% de toda a nossa economia. Meses depois do 25 de Abril, o seu irmão José Manuel de Mello, encontra-se com Alvaro Cunhal na sede do partido, numa tentativa de chamar a atenção para o facto de que a destruição não levava a nada. Cunhal ouviu e concordou em parte. Segundo José de Mello "na altura as pessoas ouviam mas nao acontecia nada" Juntamente com o seu irmão, Ricardo Espirito Santo, Antonio Champalimaud, Jorge de Brito, Mario Vinhas e outros empresarios criar a MDE/S (Movimento Dinamizador Empresa/Sociedade) numa tentativa de lançar as bases de uma moderna economia liberal de tipo ocidental. Mas os tempos não estavam para essas coisas.

Após o 11 de Março de 1975 as condições politicas e sociais do pais agudizam-se e Jorge de Mello bem como os restantes empresarios nao ficam imunes aos novos ventos que se fizeram sentir. Assim a 12 de Março de 1975 o COPCON cerca pelas 18 horas a sede da CUF levando o empresario para Caxias onde ficaria detido durante uma semana. E so lá esteve esse curto perido graças à pressão exercida por várias personalidades nacional e estrangeiras, de onde sobressai a figura do Presidente da Republica françês Valérie Giscard d´Estang.

Em pleno PREC o dia a dia nas empresas era feito pelas comissoes de trabalhadores, que ontrolavam tudo e todos, efecuando longos plenarios onde era tudo era discutido e debatido. Perante tal cenario, Jorge de Mello sabia que naquele momento permanecer no pais, era perda de tempo. Preferiu não assistir ao golpe final desflorado em Setembro através do Decreto-Lei 457/75 na qual o governo nacionaliza por fim  CUF. Partirá para Suiça ali permanecendo três anos, seguindo depois para o Brasil para um exilio, que so acabará em 1980 ano que regressará definitivamente a Portugal. Fico  também dedicido pelos irmãos que dali para a frente, os negocios seriam repartidos. Numa entrevista o empresário explicou:

"Tem sido muito explorado o facto de sermos dois irmãos e de cada um ter o seu pequeno grupo. É que a nós foi-nos tirado tudo. Cada um de nós, o meu irmão, eu e as minhas irmãs recebemos como indemnizações aquelas titulos da divida pública, a 2,5% por 28 anos. Aquilo não dava para fazer muito: por isso, combinei com o meu irmão que cada um ia recomeçar tratando da sua vocação."

 Assim em 1980 Jorge de Mello, decide reinvestir em Portugal, para tal arranja um escritorio onde contava com uma equipa de 10 pessoas. Em 1982 adquire ao IPE - Instituto de Participações do Estado (organismo criado para gerir as empresaas intervencionadas pelo Estado aquando das nacionalizações de 1975) a Alco, empresa de transformaçao de sementes oleaginosas. Para tal teve de vender grande parte do seu património: Quinta de Ribafria, a Herdade do Peral, A Casa do Monte Estorl (que era do seu avó Alfredo da Silva) etc.

Nos anos seguintes o empresario construiu um grupo empresarial vocacionado para industria alimentar, adquirindo antigas empresas pertencentes à CUF, casos da Sovena e da Compal. Em finais dos anos 80 é constituida a Nutrinveste. Esta empresa tornar-se-á a holding do grupo Jorge de Mello para o sector dos oleos alimentares. Será sob a sua égide que em finais dos anos 80 principios de 90 serão adquiridas empresas como a Lusol, Tagol,  ou Fábrica Torrejana de Azeites, que irão catapultar a sua dimensao e volume de vendas. Apesar de ter dito "um empresário nunca se reforma. Não por uma questão de conquista, mas antes de continuidade" em inicios dos anos 2000 entregou os negocios da familia ao seu filho mais velho Manuel Alfredo de Mello.

Nos ultimos anos de vida, o empresário levava uma vida calma, dividida entre os jogos de tenis, cartas, e alguma batidas de caça. Porém em 2005 Jorge de Mello sofreu uma queda na sua casa do Estoril enquanto brincava com os seus labradores. Partiu o colo do femúr e teve de se sujeitar a um periodo de fisioterapia. Infelizmente no fim do perido de recuperaçao sofreu um AVC e entrou em coma. Só recuperou a consciência  meses mais tarde, ficando incapacitado de andar e de falar. Aos 92 anos partiu para sempre deste mundo deixando o seu legado. Fechou-se para sempre o derradeiro ciclo da história da CUF. A sua ultima morada é o Cemitério de S. Marçal onde foi sepultado no jazigo de familia.

Até sempre meu idolo!!!

Para rematar esta minha sentida homenagem deixo aqui um pensamento que se encontra no seu livro de memorias. Apenas akguem com inteligencia superior e dotada de um grande sentido de visão poderia escrever isto:

"E quanto à riqueza, conheci muitas pessoas em Portugal, de quem nunca se falou, que eram e são muito mais ricas do que eu. E é claro que bastava passar a fronteira para encontrar pessoas muito mais ricas e poderosas do que eu alguma vez poderia ser em Portugal. A ideia de riqueza é muito mais um produto da imaginação dos que não se sentem ricos. Um dia alguem me falou do homem mais rico de Potugal, ao que respondi que também já tinha sido disso, com a ironia de quem me conhece a relatividade desses atributos e desses titulos."


domingo, 28 de outubro de 2012

Convite do Almoço de Encerramento das Comemorações do Centenário da CUF




Mais uma vez o meu amigo Norberto Santos surpreendeu-me ao oferecer-me este interessante documento que desconhecia. Trata-se do convite do Almoço de encerramento do centenário da empresa, oferecido pela Administraçao. Este evento ocorreu no dia 8 de Janeiro de 1966, tendo como palco a Nave Central da FIL em Lisboa. Como poderão verificar, a capa encontra-se decorada com o símbolo elaborado para as comemorações dos 100 anos da empresa.

Estiveram presentes neste evento mais de 3000 pessoas. Da parte da administração estiveram presentes no almoço, D. Manuel de Mello, os filhos Jorge e José de Mello, bem como os restantes administradores da Companhia, Eng. Rocha e Mello, Vasco de Mello, Conde de Alcáçovas, Dr. João Salgueiro, D. Diogo de Mello e Dr. Fracisco Castro Caldas.

O Boletim de Informação Interna da CUF descreve da seguinte forma o acontecimento: "Esta reunião proporcionou, e era esse o seu objectivo principal, algumas horas de franco convívio entre alguns dos que constituem  a grande Família CUF. Estiveram presentes representações do Pessoal de todo o País onde a Companhia exerce a sua actividade, tal como, do Barreiro, Lisboa, Porto, Alferrarede, Ansião, Canas de Senhorim, Mirandela e Soure, Beja, Faro, Coimbra, Castelo Branco, Évora, Estremoz, Santarém, Viseu, Vila Real, Bombarral, Caldas da Rainha, Lourinhã, Torres Vedras, Coina, Moita, Sabugo, Malveira, Cascais, Braga, Famalicão, Barcelos, Viana do Castelo, Aveiro, Chaves, Régua, Bragança, Setúbal, Lagos, Cacém, Ponte de Sôr, Portalegre, Vale do Peso, Benavente, Tomar, Torres Novas, Sabugal, Guarda, Duas Igrejas, Mogadouro, Castelo Branco, Covilhã, Fundão, Cantanhede, Oliveira do Bairro, Pombal, Pampilhosa do Botão, Quintas e Amorim."

 Um aspecto do Almoço


Observe-se ainda que juntamente com este convite, vinha ainda em parte destacável, o respectivo titulo de transporte assegurado pela empresa:



quarta-feira, 30 de junho de 2010

30 de Junho de 1971 - Descerramento de uma Lápide Comemorativa dos 100 anos do Nascimento de Alfredo da Silva em Lisboa

No dia 30 de Junho de 1971, no âmbito das Comemorações do Centenário do Nascimento de Alfredo da Silva, foi descerrada com pompa e circunstancia uma lapide, no numero 185, da Rua da Prata, local onde o industrial tinha nascido. Na cerimónia esteve presente o Eng. Santos e Castro, á época Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, e claro os descendentes de Alfredo da Silva: Jorge de Mello (podemos ver nas fotos a discursar, e a assinar um documento) bem como José Manuel de Mello, Maria Cristina de Mello e Maria Amélia de Mello.


Aspecto Geral da Cerimónia



Os Descendentes do Industrial junto do Presidente da C.M.L. Eng. Santos e Castro



Jorge de Mello discursando



Assinando um documento



O local na actualidade:




quarta-feira, 23 de junho de 2010

Reportagem Vida Mundial: Thorsten Andersen & João Rocheta

No seguimento do post anterior, fui ao meu baú de revistas de descobri esta curiosidade. No dia em que precisamente era inaugurado o Estaleiro da Margueira, a conceituada revista "Vida Mundial" uma belíssima magazine semanal existente entre nós durante os anos 60 e 70 publicava uma reportagem, sobre dois grandes obreiros do novo empreendimento. Compartilhando os cargos de Directores-Gerais da Lisnave, Thorsten Andersen foram os homens-chave por detrás do sucesso e futuro crescimento da empresa. Esta é também a minha homenagem a esses dois senhores, esquecidos ou desconhecidos por muitos, nesta noticia poderão ficar a conhecer melhor estas personagens, para além de uma breve história sobre o empreendimento. (basta clicar nas folhas para aumentar e ler)