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sexta-feira, 23 de junho de 2017

Há 50 anos era inaugurado o Estaleiro da Margueira

Cartão de Ingresso no Estaleiro no dia da inauguração
Há precisamente 50 anos era inaugurado com pompa e circunstancia o Estaleiro da Margueira, que projectaram o nome da Lisnave pelo Mundo. O projecto era ambicioso e numa escala nunca antes vista no nosso país neste sector. Usando as mais modernas técnicas e "know-how" de ponta, cedo a marca Lisnave começou a ecoar pelos quatro cantos do mundo naval. A inauguração deste Estaleiro foi um verdadeiro acontecimento na vida do país. Os convidados começaram a chegar ao local por volta das 14 horas estando presentes membros do Governo, representantes dos meios económicos nacionais, altos funcionários do Estado, delegados de numerosas empresas financeiras e industriais estrangeiras, enviados das principais companhias petrolíferas e de armação de navios, nomeadamente a Esso, Gulf, BP, Shell, Niarchos, Onassis e Norwegian Shipping, já para não falar nos membros da direcção, técnicos e empregados da empresa. Citando a Revista Industria Potuguesa "Ao todo, cerca de 7500 pessoas. Um caso único na vida das empresas económicas portuguesas" (ontem, como hoje!) À chegada do Presidente da Républica, a cerimónia inaugural principiou pela abertura das válvulas da doca 11 de 300.000 toneladas. Cheia a doca, o que levou 2 horas, o Presidente da Republica descerrou uma lápida com os seguintes dizeres: 

Momento da abertura das valvulas da doca 11
"Aos 23 de Junho de 1967, Sua Excelência o Senhor Almirante Américo Deus Rodrigues Thomaz, Presidente da República Portuguesa inaugurou este estaleiro naval, empreendimento no qual se congregaram homens e capitais portugueses, holandeses, e suecos e cuja colaboração e esforço se devem o projecto e construção deste estaleiro, a previsão do seu futuro desenvolvimento e formação do seu pessoal"

E por falar em previsão, é interessante verificar a constante evolução em termos de previsibilidade da sua docagem ao longo do projecto. Em 1961 considerava-se uma tonelagem de 65.000 ton. como bastante grande. Porém em curto espaço de tempo, novas metas surgiram para fazer face ao rápido crescimento da arqueação bruta dos navios. Assim em 1962 previam-se duas docas para navios com 100.000 ton, em 1964 duas docas para 150.000 ton., no ano seguinte aumentava-se uma das docas para poder receber navios na ordem das 200.000 ton. e por fim em 1966 o projecto final: uma doca para navios até 300.000 ton. e outra com capacidade até 100.000 ton.

Este foi um dos primeiros projectos industriais virados a 100% para o mercado internacional. O que significava que a empresa iria concorrer sob forte concorrência internacional. E como se sabe, apesar disso, tornou-se num emorme sucesso empresarial, tão grande que passados apenas 4 anos, foi necessário construir uma gigantesca doca para navios até 1 milhão de toneladas por forma a fazer face ao constante crescimento da querenagem dos navios, bem como ao próprio estaleiro adiantar-se face aos seus concorrentes mundiais. A sua tecnologia de ponta era motivo para visitas de todo o tipo de personalidades e técnicos estrangeiros, mesmo em termos de desgasificaçao e lavagem dos navios tanques. A sua localização geográfica em plena Rota do Petróleo, fez despoletar em poucos anos a planificação de um ambicioso projecto de dominar essa mesma Rota em varios pontos com a criação em meados/finais dos anos 70 dos Estaleiros de Reparação no Bahrein, em Jeddah, no Brasil (que não foi concretizado) e outro em Curaçau. Mas isso são outras histórias que ficarão para contar numa próxima ocasião. 

Refira-se ainda que no acto inaugural do Estaleiro, os Paquetes "India" e "Principe Perfeito" na Companhia Nacional de Navegação deram entreada nas docas 11 e 12.

À esquerda o Paquete Principe Perfeito, vendo-se a entrar a doca o Paquete India


Discursaram depois, o Sr. José Manuel de Mello, Gonçalo Correia de Oliveira (Ministro de Economia) e o Almirante Américo Thomaz. 

No final da cerimónia foi servido um jantar a bordo do "Principe Perfeito"

Como forma de perpetuar este acontecimento a empresa editou uma medalha da autoria do grande escultor Leopoldo de Almeida, existentes em módulos grande e em módulo pequeno



Também os C.T.T. se juntaram às homenagens editando uma série comemorativa de selos com o carimbo do primeiro dia.





Uma das peças mais interessantes que possuo é esta. Trata-se da brochura lançada pela Lisnave da inauguração do Estaleiro que foi oferecida ao então Presidente da Républica, Almirante Américo Thomaz. Encadernada em pele e debruada a ouro, na primeira página pode-se ver a dedicatória e a assinatura de José Manuel de Mello ao Chefe de Estado.




E para terminar este post, deixo-vos parte dos ecos deste acontecimento nos meio de comunicação social.

Diário de Noticias de 24 de Junho de 1967


Revista Flama - 30 de Junho de 1967

Industria Portuguesa Nº 473. Julho de 1967

Vida Mundial Nº 1463, 23 de Junho de 1967

Jornal de Almada - 24 de Junho de 1967



Revista Lisnave Nº 19, Julho de 1967 (capa e noticia da pág. 4)


Defesa Nacional Nº 401-402, Setembro-Outubro de 1967


Shipping World & Shipbuilder, Agosto de 1967

Quero deixar aqui o meu agradecimento público ao meu amigo Carlos Caria que teve a gentileza de me oferecer o Cartão de Ingresso no Estaleiro no dia da inauguração, que deve ser um documento que certamente poucos devem ter sobrevivido á voragem dos tempos. 

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

A FISIPE

Nos anos 60 a CUF era reconhecida por uma vasta gama de produtos de excelência entre os quais os têxteis (alcatifas, tapetes, cortinados etc) detendo mesmo lojas de venda ao público. A sua tradição têxtil remonta ao inicio da Companhia, nascida da necessidade primária, do ensacamento dos seus adubos, seguindo-se depois, o fornecimento de cordoaria, para os navios da Sociedade Geral.

Contudo a partir dos anos 60 assiste-se a uma cada vez maior procura das fibras sintéticas, que pudessem substituir matérias-primas tradicionais, como a juta, ou cairo, ou a lã. Em 1968 a subida vertiginosa dos preços da juta, nos mercados internacionais e a concorrência por parte de outros tipo de embalagens viram ditar uma reconversão e uma reestruturação da Zona Têxtil da empresa. Sabemos que ao longo da sua vida industrial a CUF esteve sempre a par de todas as inovações técnicas que rapidamente eram introduzidas no seu complexo industrial e a têxtil não foi excepção. Era necessário acompanhar os tempos, vivia-se numa era de petróleo barato, através do qual por processos químicos, era possível transformar-lo em fibras mais resistentes que as naturais (tais como o Nylon, o Rayon, ou o Terylene) ditando assim uma grande procura no mercado deste tipo de produtos. Não será por acaso que a CUF em 1970 coloca em funcionamento novas linhas de feltro, nova estrusão e tecelagem de ráfia de polipropileno (necessário à modernização do ensacamento dos adubos).

O ano de 1973 ficará para sempre conhecido pelo seu Choque Petrolífero, que encerrou segundo a opinião de muitos economistas, um período dourado da economia mundial com taxas de crescimento espectaculares. Era também o fim da idade da inocência, para os países produtores desta matéria-prima essencial à vida moderna, que se aperceberam do seu poder, aumentando o preço do barril a 300%. Este choque teve ter grandes repercussões directas precisamente nas industrias derivadas do petróleo, estaleiros navais, e na química.

Seria em Abril de 1973 (a crise petrolífera só iria ocorrer no final do ano) que o Governo concede á CUF ou a empresa a constituir, autorização para a instalação de uma unidade produtora de fibras acrílicas a instalar no Barreiro. Para o efeito foi constituída no dia 7 de Setembro do mesmo ano a F.I.S.I.P.E. - Fibras Sintéticas de Portugal S.A.R.L. com o objectivo de realizar e explorar a referida unidade.
É importante referir que na época o país debatia-se com dificuldades de abastecimento deste tipo de fibras. Observando o seu relatório de contas pretendia a empresa os seguintes objectivos:

  • fomentar a difusão de novas tecnologias de laboração de fibras sintéticas
  • contribuir para a exploração mais racional do equipamento instalado
  • facultar meios de antecipação às tendências do mercado atribuindo novas perspectivas na comercialização e promoção dos produtos finais
  • reforçar o poder contratual do sector têxtil nos mercados externos pela garantia de aprovisionamento de matérias-primas necessárias
Esta nova unidade do Grupo CUF, teria como principal matéria-prima um derivado do petróleo o acrilonitrilo, que não era ainda produzida no país, mas que estava já planeada (para uma 2ª fase) o seu fabrico no futuro complexo industrial a C.N.P. (Companhia Nacional de Petroquímica) em Sines, que estaria previsto o seu arranque da laboração para 1977, contudo e até hoje o acrilonitrilo nunca se chegou a produzir entre nós, não passando da fase de projectos.









Fases da Construção da FISIPE


Apesar das dificuldades acrescidas pelo aumento do petróleo e da escassez mundial dos seus derivados, a FISIPE lança-se de imediato no mercado português de fibras acrílicas. Em Junho de 1973 lançam a fibra "Vonnel" iniciando a sua comercialização em sistema de «pré-marketing agreement» acordado pelos accionistas, que desta forma importava e comercializava a fibra acrílica produzida no Japão pela Mitsubishi Rayon Company, vendendo-se de imediato 750 toneladas de fibra no segundo semestre do ano, e formaram-se contratos para o fornecimento de 4000 toneladas para 1974. Podendo assim observar que apesar da crise, a FISIPE teve logo de imediato uma grande aceitação por parte do mercado nacional. Mas a situação no ano seguinte deteora-se, a revolução do 25 de Abril, as convulsões sociais, a instabilidade do consumo, levou a uma queda na procura deste produto. chegando a haver cancelamentos de encomendas. Em 1976 com o arranque da laboração, ha uma recuperação, e daí para a frente a empresa tornar-se-á numa importante unidade de fabrico de fibras sintecticas, chegando mesmo a expandir-se para a vizinha Espanha em 2000 onde adquiriu uma unidade industrial com uma produção anual de 68 000 toneladas, encerrada no ano 2004 por não ser economicamente viável.

Quanto a capitais a FISIPE representaria uma das ultimas "Join-Ventures" firmadas pela CUF desta vez com o Grupo Mitsubishi. O capital desta nova sociedade era de 250 000 000$ sendo o valor subscrito pela CUF de 60% e para a Mitsubishi os outros 40%.

O Projecto desta nova unidade fabril, localizada nos terrenos do complexo do Barreiro, numa área a roubar ao Tejo iria ficar a cargo a duas outras empresas do Grupo CUF, a Profabril e a E.N.I. Contudo a conjuntura económica, seguido da revolução de Abril nao era a mais favorável para investimentos desta envergadura e a administração deparou-se com múltiplos problemas: atrasos nos projectos de engenharia, problemas de fornecimento de equipamento e materiais de construção de origem estrangeira, dificuldade no recrutamento de pessoal especializado, conflitos de trabalho, por parte dos empreiteiros ligados à obra etc.

Nos planos iniciais feitos através do programa PERT, estava prevista o arranque da fábrica em Maio de 1975, , devido à conjuntura que então se vivia em Portugal, e aos constantes atrasos do projecto inicial a FISIPE so iniciará a sua produção em 1976, trabalhavam na unidade cerca de 450 pessoas, aquando da sua inauguração estiveram presentes o Presidente da Republica e o Secretário de Estado da Industria Pesada Eng. Nobre da Costa.




Bibliografia consultada:

  • Estatutos da FISIPE, 1973
  • "Jorge de Mello - um Homem", Jorge Alves, Edições Inapa
  • "Momentos de Inovação e Engenharia em Portugal no Século XX" Vol. III Cord. Manuel Heitor, José Maria Brandão de Brito e Maria Fernanda Rollo. (Cap. Sobre o Complexo Industrial da CUF no Barreiro) pp 242-285
  • Relatórios do Conselho de Administração (1973/75)

sábado, 22 de agosto de 2009

67º Aniversário da Morte de Alfredo da Silva

Faz exactamente no dia de hoje 67 anos que Alfredo da Silva deixou o mundo dos vivos. Homem como poucos existiram em Portugal, infelizmente é hoje uma figura desconhecida da maioria. Ha 67 anos atrás o país vivia a sombra da IIª Guerra Mundial, das longas filas dos racionamentos, problemas de abastecimentos aos quais a CUF também não escapou.
Contudo Alfredo da Silva, foi sempre um lutador e um vencedor, acreditou nas potencialidades da indústria portuguesa, e com a CUF tentou explorar ao máximo todas essas vertentes (lema que aliás se manteve com os seus sucessores até 1975). Homem enérgico, empreendedor e de pouca paciência, diziam que tentava andar mais depressa que o país, entrava dentro dos gabinetes dos Ministros, falava directamente com eles, tentando vencer com a maior celeridade a enorme máquina burocrática do país (ontem, tal como hoje...). Quando fechou os seus olhos não quis que as suas fábricas parassem, e não pararam, as suas buzinas e apitos ecoaram em uníssono, como ultima homenagem, ao homem criador do Barreiro Moderno. Quis repousar junto da sua obra que já não existe, e que foi o seu projecto de vida.
Alfredo da Silva tinha desaparecido, mas contudo a sua obra foi continuada, pelo génio do seu genro Manuel de Mello, e pelos seus netos Jorge e José de Mello. Continuaram a criar novas fontes de trabalho, a introduzir modernidade, nos maquinismos das fabricas, novas mentalidades, maior diversificação de negócios, tornando a CUF num motor de desenvolvimento tecnológico e económico único em Portugal.
Infelizmente o ser humano é capaz de destruir coisas maravilhosas e foi isso que aconteceu com a CUF, precisamente numa época em que esta se estava a afirmar perante o Mundo, a politica quando mal executada e pensada leva a erros estratégicos fatais e este foi um deles. Hoje o panorama português é bem diferente a braços com uma crise profunda, típica de um país que não sabe para onde vai e que já pouco produz. Hoje tal como no passado, governantes e industriais, deveriam saber qual a linha de rumo a seguir, e trabalharem de perto precisamente, para que se voltassem a criar novas fontes de trabalho e de riqueza nacional.
Num passado bem recente Portugal demonstrou ao Mundo, do que era capaz no campo industrial, em varias áreas (algumas ligadas ao universo CUF) chegou-se mesmo a criar tecnologia nacional. Não é só com os livros e com os outros países que podemos aprender, com a Historia podemos e devemos aprender, para podermos construir um futuro melhor.
Andam por aí uns senhores nos dias de hoje empenhados em criar choques tecnológicos, pois se calhar essas e muitas outras pessoas deste país desconhece que o Grupo CUF foi por si só um verdadeiro choque tecnológico, ao longo de toda a sua existência . Pena é que em Portugal a maioria das pessoas tenham memória curta.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Fotos da Divisão de Metalo-Mecânica da CUF

No passado mês de Dezembro, foi doado ao Arquivo Municipal do Barreiro, um espolio fotográfico da antiga Divisão Metalo-Mecânica da CUF/EQUIMETAL (empresa que a partir de 1 de Janeiro de 1974 passou a gerir as respectivas actividades) doada pelo Sr. Manuel Azambujo. O espólio é composto por 247 fotografias datadas entre 1960 a 1976. Deixo aqui um agradecimento ao Arquivo Municipal do Barreiro, e aos seus funcionários que com a sua amabilidade me deram autorizaçao que colocasse aqui umas fotos desse mesmo espólio.

O tratamento de cinzas de pirite, era efectuado pela CUF desde o longinquo ano de 1926, recuperando dessa forma minérios de ferro conhecidos pela designaçao de "purple-ore" que eram maioritariamente vendidos ás siderurgias estrangeiras para o fabrico de ferro. Contudo e com tecnologia adquada a CUF sabia que poderia recuperar metais não ferrosos como o cobre a partir dessas cinzas (teores na ordem de 0,8 a 1,2%). A partir de 1954 sao instalados tambores Humbolt de precipitação mecância do cobre, sendo estas instalações de tratamento de cinzas (por lixiviação) a primeira e única do genero no país, passando a substituir o anterior processo estáctico (por meio de rigolas).

As soluções concentradas da lavagem das cinzas, eram bombadas para a instalação de precipitação mecânica onde o cobre era precipitado sob a forma de cemento. Esta precipitação era efectuada por intermédio de sucata de ferro. Refira-se que este cemento de cobre era uma das matérias-primas base do Sulfato de Cobre.

Para concluir, refiro apenas, a fabulosa capacidade de trabalho e de autonomia que a CUF detinha. Na sua Divisão de metalo-mecânica, eram fabricados os tambores Humbolt, que juntamente com a divisão de estudos e projectos, estudam e executam o projecto e a montagem do mesmo, permitindo desta forma á Companhia uma enorme redução de custos.


Fabricação de um tambor Humbolt


Instalação de um Tambor nas instalações da Tratamento de Cinzas de Pirite (T.C.P.)


Instalação de um 3º Tambor no T.C.P. em 1962


Fontes:

  • Espolio Fotográfico do Arquivo Municipal do Barreiro
  • "50 Anos da CUF no Barreiro", Direcção das Fábricas do Barreiro, 1958

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Os Directores das Fábricas da CUF no Barreiro

Desta vez vou deixar uma pequena lista com todos os Directores das Fábricas do Barreiro. Cargo de extrema importância tanto no período inicial da montagem do novo Complexo, trazendo para o país novas tecnologias, e novos métodos de trabalho, que careciam de ser absorvidos pela Companhia. Bem como posteriormente da Planificação, Desenvolvimento e Modernização do Complexo Fabril durante as décadas seguintes. Esta é uma homenagem aqueles a quem até 1975, coube a Gestão e remodelação deste Complexo bem como dos problemas internos que como se sabe há em todas as empresas, mas também o é a todos os trabalhadores da CUF, pois sem eles nada do que ali se fez não teria sido possível.


Período de 1907 a 1927

Auguste Stinville (Françês) *

Pelet (Fraçês)
António Birne Pereira (Português)
Henri Casterat (Francês)
Deutsch (Alemão)
Juan Codoñer (Espanhol)


Período de Agosto de 1927 a Dezembro de 1929

Eng. Eduardo Cândido Bravo Madaíl


Período de Janeiro de 1930 a Dezembro de 1943


Eng. João Osório da Rocha e Melo


Período de Janeiro de 1944 a Outubro de 1952

Eng. Faustino d´Ascenção Rodrigues de Sousa


Período de Janeiro de 1953 a Julho de 1953
(ocupou o lugar de subdirector de Janeiro de 1951 a Dezembro de 1952)

Eng. Edgar Whanon


Período de Agosto de 1953 a Abril de 1956
(ocupou o lugar de subdirector de Janeiro de 1953 a Julho de 1953)

Eng. António Augusto Pessoa Monteiro


Período de Maio de 1956 a Julho de 1959

Eng. Ruy Rebello da Mota Guedes


Período de Agosto de 1959 a Março de 1962

Eng. Virgílio Ruy Teixeira Lopo


Periodo de Março de 1962 a Abril de 1968


Eng. José Francisco Amorim de Guimarães Serôdio (Sabrosa)


Periodo de Abril de 1968 a Janeiro de 1971

Eng. Frederico José da Cunha Mendonça e Menezes


Periodo de Janeiro de 1971 até 1975


Eng. José Manuel Faria Santos



*Auguste Lucien Stinville (1868-1949) foi o Engenheiro Quimico Francês escolhido por Alfredo da Silva, para construir de raíz no Barreiro, um complexo quimico de dimensão europeia e com a mais moderna tecnologia da sua época. O seu nome foi posteriormente imortalizado dando o nome a uma Rua, no antigo Bairro operário da CUF, no qual aliás a maioria nomes das suas ruas são uma homenagem aos grandes nomes da quimica (ex: Lawes, Dalton, Lavoisier ou Gay-Lussac).

Olhando para esta lista, apercebemo-nos que nos primeiros 20 anos, o Complexo foi dirigido por estrangeiros, maioritáriamente de origem francesa. Não causa admiração, se pensarmos que em Portugal esta era uma área para a qual ainda haveria poucos técnicos á sua altura. Será so com a criação em 1911 do Instituto Superior Técnico pelas mãos de Alfredo Bensaúde que comecarão a ser ministrados em Portugal cursos de Engenharia Quimico-Industrial, e será precisamente desse instituto que sairão os primeiros futuros quadros superiores portugueses que irão fazer carreira e escola na CUF.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Participação da CUF na Construção da Central Térmica do Carregado

A Central Térmica do Carregado, viu o seu Estudo de Localização aprovado a 27 de Março de 1964. Localizada a 30 quilómetros de Lisboa, junto à Linha férrea Lisboa-Porto, esta Central vinha reforçar o abastecimento de energia eléctrica à área da Grande Lisboa. O País encontrava-se numa época de franco crescimento a todos os níveis, a que os consumos energéticos não eram alheios, tanto a nível privado como a nível industrial. O preço de petróleo era ainda baixo, impulsionando a construção de Centrais Térmicas baseadas na queima de Fuelóleo. Verifica-se que a produção eléctrica por via térmica evoluiu de 998 milhões de KWh para 1686 milhões de KWh em 1972. A construção desde Central, com uma potência instalada de 500 MW decorreu entre os anos de 1964 a 1968, participando neste empreendimento o Grupo CUF através de várias empresas.


Profabril - Centro de Projectos Industriais

Coube a esta empresa a totalidade do projecto das estruturas de betão armado, incluindo as fundações do Edifício da Sala das Máquinas, do Edificio de Auxiliares Eléctricos da Estrutura de Apoio dos Reservatórios e Desgasificadores (Travée dês Bâches), das Celas dos Transformadores e de maciços de apoio de equipamentos vários.

Durante a construção do empreendimento a Profabril, adjudicou à Divisão Metalo-Mecânica da CUF as seguintes obras:

- Estruturas metálicas, cobertura e sistema de ventilação natural do edifício principal da Central.

- Sistema de armazenagem e de alimentação de combustível às caldeiras principais (1º e 2º grupo) e auxiliares; seus sistemas de purgas a traçagem por vapor; instrumentação destes sistemas.

- Sistemas de fluidos principais de média e baixa pressão (águas de alimentação das caldeiras, industrial e desmineralizada) e auxiliares (vapor, ar comprimido, água de incêndios, agua potável e azoto) para os dois grupos de turbo-alternadores.

Um facto curioso que podemos verificar neste empreendimento, é o da interacção entre a Profabril, com a Divisao de Metalo-Mecânica da CUF, assim observamos que tanto a Profabril contrata a CUF para certos trabalhos como assistimos ao inverso.

Assim a Divisão de Metalo-Mecânica da CUF contrata à Profabril a execução de todos os projectos referentes a estas empreitadas com execução das que se referem à ventilação natural do edificio, à protecção catódica das tubagens enterradas e o sistema de protecção de incêndios dos transformadores


Coube á EFACEC o fornecimento e montagem dos transformadores eléctricos (que aliás á sua época eram o maiores transformadores e de maior potencia construídos no país) com 150 000 KVA – 230 000 V – 204 000 Kg. Este feito colocou esta empresa ao nível dos maiores construtores mundiais de material eléctrico. Bem como forneceu os transformadores de medida Hermetic de Alta Tensão, disjuntores ortoejectores de pequeno volume de óleo (com 7500 MVA – 220 000 V) e motores eléctricos de Alta Tensão.



Motor Eléctrico de Alta Tensão Motor trifásico tipo AF, 1000 RPM, 570 KW

Fontes Consultadas:

  • Revista Binário - arquitectura, construção equipamento, nº117, Junho de 1968
  • Politica Industrial (1968-1972 Progresso em Paz)

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

O Grupo CUF recebe em 1971 “Le Trophée International de L´Industrie”


O Institut International de Promotion et de Prestige com sede em Genève atribuiu no ano 1971 a sua mais alta distinção – O Troféu Internacional – à Companhia União Fabril. O Instituto foi criado em 1963, em seguimento de um desejo de André Maurois, da Academia Francaise, de reunir personalidades de numerosos países, tendo finalidade homenagear aqueles que se distinguissem na valorização do património cultural mundial, alargou posteriormente a sua actividade aos domínios do humanitário, cientifico e industrial, esforçando-se por promover o progresso nesses campos. É uma entidade isenta de ligações politicas, financeiras e religiosas. Do mesmo Instituto fazem ainda parte individualidades da maior representação social na França, Holanda, Madagáscar, Estados Unidos, Hungria, Áustria, Japão, Marrocos, Itália, Suécia, Noruega, Israel, Espanha, Honduras, Grã-Bretanha entre outras. Durante décadas tem honrado com os seus três prémios – Medalha Internacional Humanitária, Troféu de Promoção Internacional e Troféu Internacional – numerosas personalidades e empresas.



Este prémio só poderia ser atribuído a empresas que tinham atingido fama internacional. O Grupo CUF foi destacado pelo seu desenvolvimento e evolução, pelo seu lugar cimeiro na indústria portuguesa e por ser um dos mais importantes grupos económicos europeus. A cerimónia de entrega do Troféu que coincidiu com a dos festejos do 1º Centenário do Nascimento de Alfredo da Silva, foi efectuada no Barreiro.

Algumas empresas que receberam também este prestigioso troféu:

Domínio Cientifico:

NASA – (National Aeronautics and Space Administration)

Domínio Industrial:

Automóveis Porsche (Alemanha)

Dragados y Construcciones S. A. (Espanha)

Sociedade de Produtos Químicos Solvay (Bélgica)

Compagnie General d´Electricité – C.G.E. (França)

Grupo Royal Dutch-Shell (Holanda – Grã-Bretanha)

Farmitalia de Montecatini (Itália)

Grupo Siderúrgico Cockerill (Bélgica)

Alfa-Laval (Suécia) entre muitas outras pois a lista é muito extensa.

N.B. – Quem consultar o site do Instituit International de Promotion et de Prestige, verificará que para além da CUF, a Lisnave receberá esse prémio em 1980 assim como do Grupo Unicer em 1991., sendo até ao momento as únicas empresas nacionais que receberam tal prémio.

Indice das Imagens:

1 - Sede do Instituit International de Promotion et de Prestige

2 - Trophée International de L´Industrie

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

A C.U.F. e a Siderurgia Nacional

A Siderurgia Nacional foi inaugurada a 24 de Agosto de 1961, grandioso projecto integrado numa política governamental de Substituição de Importações, foi motivo de orgulho á época. Esta grandiosa obra com o cunho de António Champalimaud, homem dos cimentos e da banca ao qual se juntou o Aço, permitia uma produção em 1961 de 230.000 toneladas de gusa, 140.000 de escória, usadas em aplicações como balastro de estradas, construção civil, fabrico de “clinker” (cimentos). Na área da Aciaria, a produção anual era de 300.000 de aço bruto, e na Laminagem, onde era transformado o aço, produzia-se 150.000 toneladas de aço para betão, chapas de aço para várias utilizações e perfis de carris para a CP.

Também o Grupo C.U.F. contribuiu para este novo empreendimento, foi a Navalis (sociedade de construção e reparação naval S.A.R.L.) que procedeu á construção da chaminé da central térmica da Siderurgia. Também devido ao novo empreendimento a Direcção Técnica da C.U.F. nas Fábricas do Barreiro decidiram dar uso as cinzas de pirite, sendo estas um subproduto do fabrico de ácido sulfúrico. Estas acumulavam-se em grandes quantidades no complexo industrial, não havendo até a data uso possível para as mesmas. Com o surgimento da Siderurgia Nacional, e num esquema determinado por uma politica governamental para a utilização de matérias primas nacionais, a C.U.F. instalou no Barreiro, uma Unidade de Tratamento de Cinzas de Pirite, onde depois de tratadas essas mesmas Cinzas eram depois vendidas á Siderurgia Nacional. Eram transportadas por barcaças do Barreiro até ao cais privativo da Siderurgia Nacional em Paio Pires, sendo depois usadas como matéria-prima. A C.U.F. vendia cerca de 170.000 toneladas anuais deste produto à Siderurgia, contribuindo mais uma vez para a indústria nacional.