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segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

A inauguração da 5ª da Loja Pão de Açucar

A postagem de hoje é feita com um grande valor sentimental, já que ao fazê-la é como um regresso à minha infancia. Mais à frente irão perceber o porquê de tal afirmação.

Há precisamente 47 anos, em plena época natalicia era inaugurada a 5º loja da cadeia de Super e Hipermercados Pão de Açucar.  Ficava localizada no numero 25 da Rua Conde de Sabugosa, por forma a servir a parte sul do populoso Bairro de Alvalade. Detendo uma area comercial de 800 metros quadrados nela se podia (e pode ainda hoje) comprar um pouco de tudo: Artigos alimentares, artigos para automoveis, artigos para casa etc. 



De forma a promover esta nova Loja o Pão de Acuçar efectuou uma campanha promocional que ia até ao dia 29 de Dezembro de 1971 conforme se pode observar aqui:



São de facto inumeras as promoçoes, uma autentica parafernália de produtos desde vinhos, wiskys, Mel, Detergentes, Doces, farois para automovel, brinquedos, fraldas, camisolas de senhora, etc. Os mais curiosos quanto a mim é o guarda-chuva automatico, e a parte da roupa. Talvez por serem coisas que na actual loja detida pela marca Pingo Doce já não serem comercializadas. 

Nas férias escolares da minha infancia, sempre passadas em Lisboa, não havia dia que não fosse lá com os meus avós. À entrada, do lado esquerdo, havia uma tabacaria onde o meu aô comprava o seu tabaco e o jornal desportivo. Do lado contrario ficava um largo balcão em madeira onde estava uma funcionária que guardava os sacos ou outros haveres que as pessoas traziam da rua, a quem eram dadas umas fichas com um número correspondente para no final se ir levantar os pertences. Lembro-me que em cada caixa registadora havia um globo branco com o seu respectivo número indentificador. E depois havia os carrinhos de compras (que logo me voluntariava para guiar!) ainda em ferro, todos cromados, os guiadores eram laranjas com o símbolo do Pão de Açucar. Sabe tão bem fechar por momentos os olhos e recordar por momentos pessoas, lugares, e situações que ficaram guardadas para sempre nas nossas memórias. Como em outras situações desta vida, mal sabia eu que anos mais tarde, já adulto, iria voltar a cruzar-me com todas essas vivências e memórias, tudo isso graças ao Grupo CUF. 

Estado actual da entrada da Loja

Como já havia referido atrás, actualmente esta loja continua a existir, fazendo parte da marca Pingo Doce e creio que há pouco tempo terá levado grandes obras de modernização. 

sábado, 23 de junho de 2018

Menú da Inauguração do Estaleiro da Margueira

Faz hoje precisamente 51 anos que o Estaleiro da Margueira foi inaugurado e se estão recordados, o ano passado dediquei uma longa postagem a esse marco da industria nacional. Contudo há cerca de uns meses veio-me parar às mãos um daqueles documentos inesperados que às tantas pensamos que já nem existem: o menú da inauguração do Estaleiro da Lisnave! Após as cerimónia oficial da inauguração do estaleiro, foi oferecido aos cerca de 7500 convidados, um jantar volante abordo do Paquete Principe Perfeito que se encontrava estacionado na doca 12.

O Paquete Principe Perfeito aguardando os convidados (creditos fotold)

E agora vamos dar uma espreitadela pelo menú. Olhando à primeira vista para a sua capa, é em todo identico aos milhares de menús que foram feitos ao longos dos anos para os navios da Nacional... o que me causou uma imensa admiração. De facto esperava que para um evento desta grandeza a Lisnave tivesse apresentado um menú com outro arranjo gráfico mais relacionado com o tema e não uma imagem de "Assemblée de Buveurs" de Jean-Baptiste Haussard. Relativamente à ementa, como poderão ver, a escolha foi vasta e variada, e dela me sobressaiem na parte das sobremesas os Bolos "Lisnave" e "Ponte Salazar" tinha de facto curiosidade em ver os seus formatos, mas com grande pena minha foi-me impossivel encontrar fotos do jantar.

Capa do Menu

Página interior

Página interior

Contracapa


Os jornais da época dão a entender que o então afamado Snack-Bar Noite e Dia terá sido um dos fornecedores deste gigantesco repasto conforme se poderá ver no seguinte anuncio:

Anuncio do Diário de Noticias de 24 de Junho de 1967



sábado, 16 de junho de 2018

Cartaz Publicitário da CUF - 1935




E já que estamos numa de publicidades, há tempos tive a sorte de comprar uma daquelas peças que uma pessoa olha e é como que amor à primeira vista. Assim que a vi sabia que teria de ser minha. Como poderão ver trata-se de um cartaz publicitário da CUF datado do já longínquo ano de 1935. Esta preciosidade veio-me de Estremoz, onde certamente deve ter estado pendurada por muitos anos em algum estabelecimento de venda de produtos para a agricultura. É de cartão de forma rectangular e tem por medidas 50 cm de altura por 31 cm de largura. Apesar de ter algumas "pinturas de guerra" (riscos e escritos) que normalmente este tipo de material tem, em nada afecta a sua beleza, quase parece que foi pintado à mão! Atente-se no pormenor do cartaz: o ceifeiro com a sua foiçe segurando um molho de trigo que por sua vez se transforma em moedas de ouro! Foi impresso da Litografia Portugal que ao que parece ficava em Lisboa, infelizmente o cartaz não nos dá pistas sobre a autoria do mesmo. A existência da data de 1935 no cartaz leva-me também a supôr que tal como a CUF lançou ao longo de vários anos os famosos cartazes publicitários em que o Zé Povinho passa de um simples burro para um belo carro desportivo descapotável, a empresa terá também lançado anualmente cartazes publicitários todos diferentes, aquando da Campanha do Trigo e que este seria um deles. Mas por agora é apenas uma suposição pois não tenho forma de por enquanto comprovar isso. Uma coisa é certa: com a idade que este cartaz tem não acredito que ainda restem por aí muitos, pois era material que ia para o lixo. Daí ter dito logo no inicio deste texto "tive sorte!"

terça-feira, 12 de junho de 2018

A nova imagem do Banco Totta Standard de Angola

Como o tempo passa! Há 10 anos atrás escrevi pela primeira vez neste blogue alguns apontamentos sobre o Banco Totta Standard de Angola, e hoje decidi que é tempo de voltar à carga nessa temática. Para quem como eu andava sempre a passar a vista pelos jornais é pois natural que se sempre encontre novidades e curiosidades. Há pouco tempo deparei-me com a apresentação do novo simbolo deste banco e pensei logo "olha! isto dava um "post" bem engraçado no meu blogue!". O problema é que esses anuncios foram retirados de microfilmes cuja imagem não estava no melhor estado pelo que tive de fazer o seu restauro o que ainda me levou algum tempo, mas podem crer que foi feito com muito gosto.

Angola - Baía de Luanda
  
Até meados dos anos 50, apesar das vastas possibilidades em multiplos sectores económicos, o sistema bancário angolano, contava apenas com o Banco de Angola criado em 1926 e que detinha também as funções de banco emissor. Esse paradigna só iria mudar com a lei nº 2061 de 9 de Maio de 1953 que veio reformar o sistema bancário no ultramar, estabelecendo bases mais adequadas à autorização e funcionamento de bancos no Ultramar. Refra-se que esta reforma, estava inserida nas novas linhas de planificação económica (Os chamados Planos de Fomento) adoptadas por forma a estimular os diversos sectores da vida nacional (industria, transportes, obras publicas, ultramar etc.). O banqueiro Cupertino de Miranda, criador do Banco Português do Atlântico foi o primeiro a perceber as inúmeras possibilidades que a então florescente economia angolana lhe poderia oferecer e assim em 1955 fundou o Banco Comercial de Angola. Nos anos 60 apesar do deflagrar da guerra, a economia Angola não esmoreceu, mostrando sinais de grande vitalidade e de expansão continuando a interessar os grupos económicos nacionais. Como consequência desse facto surge em 1965 o Banco de Crédito Comercial e Industrial (sob a égide do Banco Borges e Irmão). No ano seguinte foi a vez do Grupo CUF se interessar por este sector, o que levou o Banco Totta-Aliança a fazer uma joint-venture com o Standard Bank of South Africa surgindo assim o Banco Totta Standard de Angola e o Standard Totta de Moçambique. Seguidamente foram fundadas outras instutuições bancárias como o Banco Pinto & Sotto Mayor de Angola em 1967 ou o Banco Inter-unido fundado em 1973 cujos os capitais perticiam à familia Espirito Santo. 

Após esta breve introdução ao sistema bancário angolano, foque-mo-nos no logótipo do Banco Totta Standard de Angola conforme se poderá ver nas digitalizaçoes e anuncios em anexo. O Simbolo em forma de escudo de côr castanha com as letras TS a branco e o nome do banco por extenso em letra preta. Este logótipo acompanhou o crescimento e a expansão do Banco tendo sido completamente reformulado em Janeiro de 1974.

Primeiro Logótipo do Banco Totta Standard de Angola

Anuncio de Agosto de 1966

Anuncio de 1973

Entre Janeiro e Fevereiro de 1974, o Banco Totta Standard de Angola, elabora uma intensa campanha publicitária (curiosamente elaborada por outra empresa pertencente ao Grupo CUF: a Penta Publicidade) nos meios de comunicação social do território nomeadamente na A Provincia de Angola  no Diário de Luanda, Revista Noticia etc. Ao longo dos mês de Janeiro e em foi sendo desvendado o novo simbolo em forma de "teaser". Não sei se nesta época  era já comum fazer-se anúncios deste género, mas de facto encontro neles alguma comparação aos anúncios do mesmo género que se fazem na actualidade. Até posso estar a dizer uma barbaridade e se de facto o estou, agradeço que me corrijam.

O novo logótipo detém um design e um letering moderno tipicamente anos 70. O símbolo passa a ser em forma de circulo com as letras TS a branco e fundo azul claro. Como é dito num dos anuncios o Banco "já não cabia no seu antigo simbolo e por isso criaram um simbolo novo mais voltado o futuro" que pretendia ser a sua imagem de marca para os próximos anos. Refira-se que à época a economia angolana estava numa fase de crescimento sem precedentes. No periodo de 1960 a 1973 apresentava taxas de crescimento anuais de 7% ao ano, sendo que no inicio da década de 70 a industria representava 41% do PIB. À epoca o Banco Totta Standard de Angola contava com 54 agencias espalhadas por todo o território (registe-se que só em 1973 tinham sido abertas novas 14 agencias bancarias) o que demonstrava a plena confiança que esta instituição tinha no futuro da economia angolana.


A Provincia de Angola - 20 de Janeiro de 1974

A Provincia de Angola - 24 de Janeiro de 1974

A Provincia de Angola - 30 de Janeiro de 1974

A Provincia de Angola - 2 de Fevereiro de 1974


Revista Prisma - Março de 1974

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Saca de Nitrato do Chile

Em finais do século XIX, inícios de XX, o Chile tinha uma abundante reserva de um químico precioso: o Nitrato de Sódio, que à època era também designado por Ouro Branco ou Salitre. É um composto químico, cristalino inodoro e incolor. É solúvel com água, álcool e amónia liquida. Usado maioritariamente como fertilizante agrícola e para o fabrico de explosivos, o Chile começou a exportar este mineral para a Europa na década de 1820. O seu valor de mercado e importância foram crescendo, tendo levado mesmo a uma disputa que ficou conhecida pela "Guerra do Pacifico" (também conhecida por Guerra do Salitre) que decorreu entre 1879 e 1883. As razões deste conflito centravam-se nos territórios da região do Deserto do Atacama, rico nesse mineral, levando a uma contenda por parte do Chile, Perú e a Bolívia, da qual os chilenos saíram vitoriosos.  


Desde cedo, a empresa proprietária da marca Nitrato do Chile apostou forte na propaganda, como forma de aumentar os seus lucros. À época a publicidade estava ainda na sua primeira infância, contudo quem soubesse criar uma imagem marcante, que se destacasse da concorrência era meio caminho andado para o sucesso. Na Península Ibérica dos anos 30, a sua estratégia publicitária, passou por colocar painéis de azulejo (material mais barato e com muita durabilidade) cuidadosamente colocados à entrada das localidades, ou lugares centrais para que a sua mensagem chegasse a todos.

Painel Publicitário

Quem percorra o país rural de lés-a-lés pela sua rede de estradas nacionais, irá encontrar inúmeros painéis publicitários do Nitrato do Chile, que ainda hoje resistem ao tempo e às mudanças do mundo. Aqui como na vizinha Espanha, o anúncio a estre produto acabou por tornar-se num dos ícones publicitários do século XX.

Botoeira do Nitrato do Chile
Mas sempre me surgiu a interrogação: "Quem teria sido o criador deste símbolo?" Aparentemente tudo leva a crer que a ideia terá surgido pela mão de Adolfo López-Durán Lozano. Este estudante madrileno de arquitectura terá sido convidado a pintar um anuncio por um professor do seu curso que presumivelmente teria uma ligação com a empresa chilena de nitratos. A empresa gostou do resultado final, e assim nasceu o homem com chapéu de abas largas sentado em cima de um cavalo que fez parte do imaginário e do quotidiano de tantas e tantas gerações. 

Em Portugal a Companhia União Fabril foi desde cedo o distribuidor oficial do Nitrato do Chile e quem consulte, revistas de agricultura como a "Gazeta das Aldeias", irá certamente encontrar um anúncio a referir tal facto. Veja-se por exemplo este lançado logo depois do final da II Guerra Mundial: 



A saca de juta que aqui vos apresento é já bem mais recente, devendo datar de finais do anos 60 mas que como podem observar se encontra em optimo estado de conservação:

                               
   

                                                                                                                                                             
Anúncio de 1969 ao Produto

                                                                                         
Pegando no "Simposium Agro-Pecuário" lançado em 1969 vamos ver o que ele nos diz sobre o Nitrato de Sódio do Chile:

Composição: Fertilizante azotado natural, de fórmula química NaNO3, contendo 16% de azoto sob a forma nítrica, além de pequenas quantidades de micronutrientes, dos quais se destaca o boro.

Indicações: Pelo facto de conter o azoto sob a forma nítrica, é prontamente assimilado pelas plantas, às quais concede vigor imediato. Convém, em geral, a todas as terras e pode empregar-se em todas as culturas, no começo da sua vegetação, ou em cobertura.
Pode misturar-se em qualquer altura com os adubos potássicos, e com o superfosfato de cal, na altura da aplicação.

Doses: Desde 100 a 700 Kg por hectare

Apresentação: Em sacos de juta com 50 Kg

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

A Induve

Esta minha primeira postagem deste novo ano de 2018, demorou um bocadinho mais do que eu estava a espera pois fui encontrando novos dados que me levaram a reformular o texto que agora se apresenta. É dedicada a um tema muita vezes esquecido ou ignorado: os negócios ultramarinos do Grupo CUF. Talvez por a informação disponível ser parca, é ainda hoje uma área que se encontra praticamente por estudar. Se  juntarmos a esta problemática as longas guerras civis, tanto em Angola como em Moçambique, e o consequente desaparecimento/destruição, não só dessas unidades industriais,  bem como dos seus arquivos, não nos restará por certo, grande margem de manobra para um estudo detalhado sobre tais actividades.  

Apesar da CUF ter alargado os seus negócios ao Ultramar português logo em 1919, (criação da Casa Gouvêa na Guiné e mais tarde a Companhia do Congo Português em Angola) ainda sob a liderança de Alfredo da Silva, será apenas nos anos 50 que o Grupo estende exponencialmente as suas actividades económicas a estes territórios. Ali iriá criar empresas abarcando os mais variados sectores e produtos: minérios, industria alimentar, cordoaria, banca, seguros, navegação representações de marcas, etc.


Porta-chaves da Induve


Vista da Fábrica em 1967
A INDUVE - Industrias Angolanas de Óleos Vegetais S.A.R.L. foi criada em Agosto de 1957 nessa vaga de investimentos, com vista ao aproveitamento das matérias-primas ultramarinas. O seu capital accionista encontrava-se repartido pelas seguintes firmas: CUF, Sociedade Nacional de Sabões, Macedo & Coelho, Comfabril e Sovena. Os dois anos que se seguiram foram dedicados à construção das modernas instalações fabris, situadas às portas de Luanda, na Estrada do Cacuaco. Dedicada essencialmente à extracção e refinação de oleos vegetais, fabrico do sabão e rações para animais a marca Induve foi crescendo, impondo-se no mercado angolano ao longo dos anos. Mas não se pense que os primeiros anos foram fáceis, marcados por um periodo em que apesar do grande esforço dispendido, a situação das suas contas/lucros encontrava-se altamente deficitária. Tudo estava por fazer, e a Induve percebeu que para reverter a situação em que se encontrava era preciso mudar a sua estratégia. Numa terra com tão vastas potencialidades agrícolas como Angola, não fazia sentido estar-se a importar oleaginosas para o fabrico do oleos alimentares. Assim, um dos objectivos primaciais da empresa, passou pelo incremento da produção local da matéria-prima oleaginosa tão necessária à sua laboração.


Vista da Fábrica - anos 60


Stand da Induve - FILDA 1972
Criadora de marcas como, o óleo de amendoim Maná, o óleo de girassol Gisol, ou o óleo de milho Solmil, representava ainda as consagradas marcas metropolitanas como o Clarim e o Tudóleo da Sovena. Os grandes esforços iniciais acabaram por ser largamente compensados, pois em 1969 a Induve é já responsavel por 33% da produção de sabão, 40% da produção de óleo de amendoim e 85% da produção de óleo de girassol de Angola, valores que mostram a grandeza e importância desta empresa no território. No ano seguinte a companhia produziu 61,6% dos oleos comestiveis e 49,1% dos sabões consumidos em Angola. Tudo isto só foi possivel pela grande racionalização dos processos de fabrico apoiados por um elevado "Know-How" bem como de meios humanos (refira-se que entre 1969 e 1973 o quadro de pessoal passou de 280 para 440 elementos). Em 1971 foi modernizada a sua Saboaria, tendo-se instalado uma nova linha de arrefecimento contínuo de sabões, nesse ano foi também ampliada a capacidade da fábrica de óleos, com a entrada em funcionamento de uma nova unidade de extração por dissolventes (Unidade De Smet sobre a qual já havia falado no meu blogue em Julho de 2010) elevando o seu nível de transformação para 120 Ton/dia. A Induve era presença constante nos mais diversos certames e feiras de Angola, caso da FILDA (Feira Internacional de Luanda).


Anuncio de 1972


Anuncio de Aumento de Capital - 1974
Para além de utilizar matéria-prima 100% angolana a empresa dava também o seu contributo para a divulgação de adquadas técnicas agrícolas. Em 1973/74 devido á forte expansão do sector de alimentação e higiene em Angola, a Induve tinha já previsto um plano de expansão do aumento da capcidade de refinação de óleos de 8.100 para 21.600 toneladas/ano, a duplicação da produção de sabões e a entrada no campo dos detergentes. Planeava-se ainda a criação de uma nova unidade de aproveitamento de glicerina destinada à exportação. Este programa de investimentos estava orçado na ordem dos 75 mil contos, facto que levou a empresa em Novembro de 1974 a lançar um aumento de capital social de 65.000 para 100.000 contos para fazer face a tais encargos. Porém, como se pode ler no relatório e contas da empresa, referente a esse ano, o momento escolhido para o fazer não foi o mais propício: "o mercado financeiro de Angola estava acusando [...] as consequências de uma agitação social que afectava sensivelmente a actividade económica". Maís à frente o texto justifica da seguinte forma outra das razões de tal insucesso: "Verificou-se de facto, que o grande investidor não aproveitou esta oportunidade de comparticipar de um empreendimento, que é útil e rentável. Apenas a pequena poupança se interessou, com o número de adesões apreciável mas de fraca expressão no montante a subscrever." E a partir de 1974-75, com grande pena minha, não possuo mais dados sobre a empresa, porque deixam também de haver jornais de Angola nos arquivos e bibliotecas portuguesas.


Botoeira da Induve para colocar no casaco




Na actualidade a Induve S.A. é uma das joias da coroa do Grupo Phoenician Eagle que investiu uma elevada soma de capitais com vista à sua modernização. Possui hoje equipamento e tecnologia do mais moderno que existe no campo da produção da farinha de milho com uma capacidade instalada de 450 toneladas/dia, bem como 100 toneladas/dia de rações para animais. Em 2007 foi construida uma nova fábrica de engarrafamento de óleos alimentares com capacidade de encher 6000 garrafas e 500 "jerrycans" por hora. Actualmente trabalham na Induve S.A. mais de 250 empregados. Tal como no passado, a empresa continua a deter um papel importante no fomento das matérias-primas locais, participando com o governo em programas de incentivo a determinados tipo de culturas (caso do milho). É curioso verificar que ao longo destes 61 anos de existência ainda hoje o óleo Maná é uma marca de referência da empresa às quais se juntaram entretanto novas marcas tais como: Tia Bella, Fubada, Romana, Nossa Fuba, Solmilho, Gazela do Norte, Óleo d´Ouro, Óleo Dourado e Óleo Kamba.


Vista Parcial das Instalações Industriais da Induve na actualidade



Moderna Linha de ensacamento de farinhas
Fontes Consultadas:


  • Relatórios e Contas da Induve (1967, 1968, 1971 e 1974)
  • Jornal "A Provincia de Angola"
  • The CUF Group - 1969
  • O Grupo CUF - 1972

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

O lançamento da linha de produtos "O´ki Scientific"

Em Fevereiro de 1972, a UNICLAR - Inernacional de Cosmética S.A.R.L., empresa fundada no ano anterior no seio do Grupo CUF, escolheu o salão de festas do Hotel Ritz para a apresentação da marca O´ki Scientific. Para além da administração, quadros técnicos e comercial da empresa, estiveram também presentes os sectores de vendas da UNISOL e da UNIFA bem como o Engs. Vistulo Abreu e Sousa Rego. 

Informação Interna CUF - Junho de 1972, pág. 16

Segundo a noticia publicada no Diário Popular de 27 de Fevereiro de 1972, o O´ki Scientific tratava.se de uma "extraordinária inovação no campo especifico dos produtos para a desodorização corporal. Na realidade O´ki Scientific vem superir uma lacuna não preenchida até agora pelos desodorizantes vulgares - na fórmula de O´ki Scientific entra um componente exclusivo que desempenha uma acção de desodorização automática. Isto é: a sua acção aumenta à medida que a transpiração também aumenta."


Noticia do Diário Popular de 27 de Fevereiro de 1972

Infelizmente ainda não consegui (e depreendo que será tarefa bastante dificil) encontrar os produtos originais aquando do lançamento da linha O´ki, contudo deixo-vos aqui as embalagens daquilo que deve ter sido o segundo "look" da marca ainda fabricados pela UNICLAR.

Pormenor de Conjunto

Sabonete O´ki Scientific (frente)

Sabonete O´ki Scientific (verso)

Aerosol O´ki Scientific (frente)

Aerosol O´ki Scientific (verso)
Para finalizar esta postagem, deixo aqui o anuncio publicitario que saiu aquando do lançamento destes produtos: 



terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Garrafa de Azeite CUF Alferrarede Extra

Eis um achado que tem uma história caricata. Há cerca de dois anos atrás, tive o prazer de me encontrar com esta garrafa de azeite numa feira de velharias. Ao início, nem queria acreditar no que estava a ver. Pensava eu com os meus botões: "Uma garrafa de azeite, e ainda por cima cheia, ali á minha espera? Nah não pode ser!" Até que o vendedor me disse: "atenção ela está cheia, mas não de azeite! Isso é perfume!". E foi nesse instante que percebi porque é que um objecto tão perecível como uma garrafa de azeite com os seus 60/50 anos não tinha ido parar ao lixo.



Pormenor do Rótulo

Há muitas decadas atrás antes de aparecerem as modernas perfumarias e lojas especializadas em cosmética, existiam as drogarias de bairro que vendiam uma parafernália incrível de coisas, entre as quais perfumes para todos os gostos e feitios. Em miúdo ainda me lembro de ver frascos enormes com os nomes dos perfumes aos balcões das drogarias, as pessoas indicavam qual a marca e a porção  que desejavam e era só levar para casa e encher nos frasquinhos. Quem quer que fosse a pessoa, certamente comprou à época este litro de perfume "a vulso" dessa forma, e praticamente não o gastou.

Porém a história não acaba por aqui. Quando comprei esta garrafa, vinha tapada com uma rolha de cortiça para que o perfume não se evaporasse. Perfeccionista como sou, sabia que tinha de encontrar (se conseguisse) uma tampa original por forma a completar esta rara peça. Após uma espera de dois anos, lá descobri uma pessoa que tinha precisamente uma tampa de rosca que completava a peça e no Sábado passado fui de propósito ao Montijo busca-la, sendo o resultado final este que aqui vos apresento.

Pormenor da Tampa com o simbolo da CUF


Outro pormenor evidenciando a rosca

A datação desta garrafa não é tarefa fácil, contudo parece-me ser anterior ao modelo que consta no espólio fotográfico de Horacio de Novais pertença da Fundação Calouste Gulbenkian que aqui publico. Aparentemente este novo modelo de garrafa terá sido lançado no ano de 1961, pois é desse ano o unico anuncio que encontrei e que faz referencia a esta marca. Atente-se que nesta nova versão a velha rolha de rosca é substituida por uma cápsula e o rotulo passa a deter um fundo a branco.

Foto do Espolio Horacio de Novais - F.C.G.


Anuncio de 1961

Foi também lançado um engraçadissimo porta-chaves publicitário referente a este produto que aqui vos deixo: