terça-feira, 13 de setembro de 2011

Senha de Consulta da Caixa de Previdencia da CUF



Uma curiosa senha de Consulta Médica da Caixa de Previdência da CUF, mas como está apenas rubricada, não sabemos qual seria o posto em questão. Estava sem duvida muito bem organizada, no seu verso dizia a data das novas consultas, e como se pode ver é datada dos anos 60. É um papelinho pequenino mas que não deixa de ter a sua curiosidade.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Homenagem ao Eng. João Farrajota Rocheta

Num momento em que os órgãos de comunicação social apenas transmitem noticias sobre a gravidade do momento actual, esquecem-se muitas vezes de figuras ímpares que muito contribuíram para o País, como foi o caso do Eng. João Rocheta, falecido aos 101 anos de idade em Junho deste ano.


Nascido no longínquo ano de 1909 em Faro, efectuando naquela localidade aí os primeiros estudos. Com 19 anos ruma a Lisboa e ingressa na Escola Naval terminando o curso com excelente aproveitamento ganhando o Prémio Fidel Stocker reservado aos alunos mais brilhantes.. Em 1935 vai para Génova,onde se irá doutorar em Engenharia Naval e Mecânica pela Universidade de Génova, com a máxima classificação de 110/110 «cum lode». No regresso a Portugal, inaugurou o Arsenal do Alfeite como engenheiro encarregado das Novas Construções e das Reparações. Em 1944 passa depois à reserva da Armada iniciando como técnico uma carreira profissional no sector privado notável em vários títulos. A CUF convida de imediato João Rocheta para trabalhar no Estaleiro Naval da Rocha Conde de Óbidos, ocupando o lugar de engenheiro chefe das Reparações. Quando anos mais tarde Vasco de Mello se reforma do lugar de Director do Estaleiro, João Rocheta é de imediato convidado para o lugar. aceitando-o.
Nos anos 50 o Grupo CUF na voz de D. Manuel de Mello tinha a aspiração de construir um grande estaleiro naval na margem sul do Tejo, na área do Samouco, cabendo ao Eng. João Rocheta toda a concepção do projecto. Convém referir que este projecto estará na génese daquilo que será uma década mais tarde o Estaleiro da Margueira, cuja responsabilidade do êxito do projecto é obra sua e de Thorsten Andersson. E se pensarmos que em apenas três anos (1967 a 1969) este estaleiro se torna responsável por cerca de 30% da reparação mundial de navios até 300 mil toneladas, é sem sombra de duvida um marco impressionante digno de registo.

Joao Rocheta irá manter o cargo de Director Geral da Lisnave de 1962 até 1970, ano em que transita para a Presidência do Conselho de Administração da Sociedade Geral. A partir de 1972 com a fusão da SG/CNN assume a Presidência do Conselho de Administração da CNN até a nacionalização na empresa em 1975, sendo afastado da empresa. Regressa assim à posição de 1ª tenente da Armada Portuguesa e colocado na Comissão de Domínio Publico Marítimo onde serviu até à sua aposentação em 1979.


Para se compreender a visão e a determinação deste grande homem merece ser lido este pequeno texto retirado de um artigo escrito pelo Almirante Alexandre Fonseca - Director da Revista de Marinha:

  "Nos Estaleiros da Rocha Conde de Óbidos onde então trabalhavam mais de 1500 operários, constatou que o nível médio de instrução era muito baixo, existindo mesmo um número muito significativo de analfabetos. Não seria assim possível ao Estaleiro ser competitivo e adaptar-se aos modernos métodos de trabalho com este tipo de mão-de -obra. Iniciou então um conjunto de acções de formação interna, procurando qualificar os mestres e contra-mestres, utilizando os engenheiros como formadores, e começou a enviar os jovens aprendizes para as Escolas Técnicas. Mantinha-lhes o ordenado, as propinas e as despesas eram pagas pelo Estaleiro, mas colocava-lhes como condição terem um bom aproveitamento escolar. A resposta foi entusiástica: todos acabaram os cursos e só houve uma reprovação! Também na LISNAVE o Engº João Rocheta não esqueceu este tipo de preocupação: o Centro de Formação de Pessoal preparou milhares de técnicos em múltiplas disciplinas, e granjeou significativo prestígio, quer a nível nacional, quer a nível internacional !"

O Centro aqui referido, era o Centro de Formação D. Manuel de Mello, inaugurado pela LISNAVE em 1970 e que formou ao longo da sua existência milhares de novos técnicos necessários ao sector. Em 2007 João Rocheta afirmava "A formação promove o bom funcionamento e permite o crescimento das empresas. Isto foi uma das coisas que me deu prazer na CUF. E é um dos problemas do nosso País."

Homem de visão, e dotado de uma competência excepcional, pudemos ainda dizer que o Eng. João Rocheta foi mesmo percursor da técnica do "Jumboizing"  consistindo em aumentar os cascos dos navios bem como a sua capacidade de carga geral. Prática essa que só passou a ser comum na construção naval nos anos 60, e na qual a LISNAVE tinha reconhecimento internacional, aportando ao seu Estaleiros navios de todas as partes do mundo para efectuar tais transformações.

A primeira vez que tal operação foi feita em Portugal, foi precisamente em 1946 ao navio "Fort Fidler" cuja sua proa estava parcialmente danificada. Registe-se que este navio foi vendido à Sociedade Geral, sendo rebaptizado com o nome de "Alcoutim". Após ter sido levado para o Estaleiro Naval da CUF, estimou-se que seria necessário um período de 8 meses  para se efectuar a reparação total do navio. Um período tão longo de trabalho, iria levar inevitavelmente a uma consequente quebra da rentabilidade do estaleiro, foi então que o Eng. João Rocheta teve a ideia de construir as as novas partes da zona da proa do navio em componentes pré-fabricadas, fora da doca-seca.

Para se perceber toda a complexidade da operação recorro de novo ás palavras do Sr. Almirante Alexandre Fonseca:

"Em 7 de Agosto de 1946 o agora denominado ALCOUTIM, entrou na doca-seca tendo-lhe sido cortada a proa, que ali ficou escorada, e reforçada a antepara estanque avante da ponte; cinco dias depois de ter entrado, o corpo principal do navio saiu da doca-seca, que ficou disponível para utilização por outros navios. Alguns meses depois, a 10 de Dezembro, o corpo do navio entrou de novo na doca-seca onde já se encontrava o duplo fundo de união à proa e as componentes pré-fabricadas do porão de vante, unindo-se então todas estas estruturas metálicas; treze dias mais tarde, o ALCOUTIM saía da doca-seca, pronto a iniciar um período de experiências de mar."

João Rocheta dirá sobre essa experiência pioneira as seguintes palavras: "Ficou impecável. Manuel de Mello, ofereceu-me então uma cigarreira em ouro e um cheque, que serviu para comprar o meu primeiro automóvel em Portugal, um Wolseley, que custou 90 e tal contos". E o certo é que o "Alcoutim" serviu na Sociedade Geral ate ao inicio dos anos 70.

Esta foi a forma que encontrei para homenagear esta figura ímpar da construção naval em Portugal. Infelizmente vivemos num País onde figuras como estas são rapidamente remetidas ao esquecimento, por não haver entre nós tradição a nível da história biográfica, e o Eng. João Rocheta era sem duvida um digno merecedor de uma obra de género, ainda para mais num país de tradição naval!

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Recipiente para transporte de Ácido Cloridrico





Por vezes cometo loucuras, assim como esta, mas não deu para resistir. O que hoje aqui vos trago é precisamente parte de um Bidão para transporte do Acido Clorídrico da CUF. Vê-se que ele foi cortado e transformado numa espécie de balde ou algo do género, faltando a parte de cima, onde estava a rolha e duas asas de modo a poder transportar o bidão, como pode ser visto na foto retirada do livro "A Fábrica" lançado aquando dos 100 anos da CUF no Barreiro. É feito num plástico bastante rijo e pesado de forma a poder aguentar com os embates violentos, e tem inscrito de lado o simbolo da empresa e a sigla DPI que significava Divisão de Produtos para a Industria, que era uma das várias divisões internas e comerciais da CUF. Tem como medidas, 40 cm de largura, e 59 cm de altura, pela sua cor escurecida, deve ter estado durante muitos anos ao sol e a chuva, resistindo até hoje.