quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

E porque é Carnaval....

Nada melhor que mostrar o que até há uns anos me chegou ás mãos: um dos fatinhos do carnaval das escolas do Barreiro do ano de 2013.

E advinhem qual foi o tema? É isso mesmo! Os miudos do Externato Diocesano D. Manuel de Mello num rasgo de originalidade mascararam-se imitando as  sacas de adubos da CUF!

Resta-me agradecer ao meu bom amigo Norberto Santos que me ofereceu esta curiosidade que apesar de recente, demonstra que a memória da CUF ainda está à flor da pele na cidade do Barreiro. Ainda bem que assim é.


Frente

Verso 



Fontos do Carnaval das Escolas do Barreiro 2013 - Fonte Jornal Rostos

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

A Induve

Esta minha primeira postagem deste novo ano de 2018, demorou um bocadinho mais do que eu estava a espera pois fui encontrando novos dados que me levaram a reformular o texto que agora se apresenta. É dedicada a um tema muita vezes esquecido ou ignorado: os negócios ultramarinos do Grupo CUF. Talvez por a informação disponível ser parca, é ainda hoje uma área que se encontra praticamente por estudar. Se  juntarmos a esta problemática as longas guerras civis, tanto em Angola como em Moçambique, e o consequente desaparecimento/destruição, não só dessas unidades industriais,  bem como dos seus arquivos, não nos restará por certo, grande margem de manobra para um estudo detalhado sobre tais actividades.  

Apesar da CUF ter alargado os seus negócios ao Ultramar português logo em 1919, (criação da Casa Gouvêa na Guiné e mais tarde a Companhia do Congo Português em Angola) ainda sob a liderança de Alfredo da Silva, será apenas nos anos 50 que o Grupo estende exponencialmente as suas actividades económicas a estes territórios. Ali iriá criar empresas abarcando os mais variados sectores e produtos: minérios, industria alimentar, cordoaria, banca, seguros, navegação representações de marcas, etc.


Porta-chaves da Induve


Vista da Fábrica em 1967
A INDUVE - Industrias Angolanas de Óleos Vegetais S.A.R.L. foi criada em Agosto de 1957 nessa vaga de investimentos, com vista ao aproveitamento das matérias-primas ultramarinas. O seu capital accionista encontrava-se repartido pelas seguintes firmas: CUF, Sociedade Nacional de Sabões, Macedo & Coelho, Comfabril e Sovena. Os dois anos que se seguiram foram dedicados à construção das modernas instalações fabris, situadas às portas de Luanda, na Estrada do Cacuaco. Dedicada essencialmente à extracção e refinação de oleos vegetais, fabrico do sabão e rações para animais a marca Induve foi crescendo, impondo-se no mercado angolano ao longo dos anos. Mas não se pense que os primeiros anos foram fáceis, marcados por um periodo em que apesar do grande esforço dispendido, a situação das suas contas/lucros encontrava-se altamente deficitária. Tudo estava por fazer, e a Induve percebeu que para reverter a situação em que se encontrava era preciso mudar a sua estratégia. Numa terra com tão vastas potencialidades agrícolas como Angola, não fazia sentido estar-se a importar oleaginosas para o fabrico do oleos alimentares. Assim, um dos objectivos primaciais da empresa, passou pelo incremento da produção local da matéria-prima oleaginosa tão necessária à sua laboração.


Vista da Fábrica - anos 60


Stand da Induve - FILDA 1972
Criadora de marcas como, o óleo de amendoim Maná, o óleo de girassol Gisol, ou o óleo de milho Solmil, representava ainda as consagradas marcas metropolitanas como o Clarim e o Tudóleo da Sovena. Os grandes esforços iniciais acabaram por ser largamente compensados, pois em 1969 a Induve é já responsavel por 33% da produção de sabão, 40% da produção de óleo de amendoim e 85% da produção de óleo de girassol de Angola, valores que mostram a grandeza e importância desta empresa no território. No ano seguinte a companhia produziu 61,6% dos oleos comestiveis e 49,1% dos sabões consumidos em Angola. Tudo isto só foi possivel pela grande racionalização dos processos de fabrico apoiados por um elevado "Know-How" bem como de meios humanos (refira-se que entre 1969 e 1973 o quadro de pessoal passou de 280 para 440 elementos). Em 1971 foi modernizada a sua Saboaria, tendo-se instalado uma nova linha de arrefecimento contínuo de sabões, nesse ano foi também ampliada a capacidade da fábrica de óleos, com a entrada em funcionamento de uma nova unidade de extração por dissolventes (Unidade De Smet sobre a qual já havia falado no meu blogue em Julho de 2010) elevando o seu nível de transformação para 120 Ton/dia. A Induve era presença constante nos mais diversos certames e feiras de Angola, caso da FILDA (Feira Internacional de Luanda).


Anuncio de 1972


Anuncio de Aumento de Capital - 1974
Para além de utilizar matéria-prima 100% angolana a empresa dava também o seu contributo para a divulgação de adquadas técnicas agrícolas. Em 1973/74 devido á forte expansão do sector de alimentação e higiene em Angola, a Induve tinha já previsto um plano de expansão do aumento da capcidade de refinação de óleos de 8.100 para 21.600 toneladas/ano, a duplicação da produção de sabões e a entrada no campo dos detergentes. Planeava-se ainda a criação de uma nova unidade de aproveitamento de glicerina destinada à exportação. Este programa de investimentos estava orçado na ordem dos 75 mil contos, facto que levou a empresa em Novembro de 1974 a lançar um aumento de capital social de 65.000 para 100.000 contos para fazer face a tais encargos. Porém, como se pode ler no relatório e contas da empresa, referente a esse ano, o momento escolhido para o fazer não foi o mais propício: "o mercado financeiro de Angola estava acusando [...] as consequências de uma agitação social que afectava sensivelmente a actividade económica". Maís à frente o texto justifica da seguinte forma outra das razões de tal insucesso: "Verificou-se de facto, que o grande investidor não aproveitou esta oportunidade de comparticipar de um empreendimento, que é útil e rentável. Apenas a pequena poupança se interessou, com o número de adesões apreciável mas de fraca expressão no montante a subscrever." E a partir de 1974-75, com grande pena minha, não possuo mais dados sobre a empresa, porque deixam também de haver jornais de Angola nos arquivos e bibliotecas portuguesas.


Botoeira da Induve para colocar no casaco




Na actualidade a Induve S.A. é uma das joias da coroa do Grupo Phoenician Eagle que investiu uma elevada soma de capitais com vista à sua modernização. Possui hoje equipamento e tecnologia do mais moderno que existe no campo da produção da farinha de milho com uma capacidade instalada de 450 toneladas/dia, bem como 100 toneladas/dia de rações para animais. Em 2007 foi construida uma nova fábrica de engarrafamento de óleos alimentares com capacidade de encher 6000 garrafas e 500 "jerrycans" por hora. Actualmente trabalham na Induve S.A. mais de 250 empregados. Tal como no passado, a empresa continua a deter um papel importante no fomento das matérias-primas locais, participando com o governo em programas de incentivo a determinados tipo de culturas (caso do milho). É curioso verificar que ao longo destes 61 anos de existência ainda hoje o óleo Maná é uma marca de referência da empresa às quais se juntaram entretanto novas marcas tais como: Tia Bella, Fubada, Romana, Nossa Fuba, Solmilho, Gazela do Norte, Óleo d´Ouro, Óleo Dourado e Óleo Kamba.


Vista Parcial das Instalações Industriais da Induve na actualidade



Moderna Linha de ensacamento de farinhas
Fontes Consultadas:


  • Relatórios e Contas da Induve (1967, 1968, 1971 e 1974)
  • Jornal "A Provincia de Angola"
  • The CUF Group - 1969
  • O Grupo CUF - 1972

domingo, 24 de dezembro de 2017

Postal de Boas Festas da Equimetal

A poucas horas da celebração de uma das maiores festas de caracter religioso, não poderia deixar de desejar a todos os visitantes e leitores deste meu blogue votos de um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo de 2018. Aqui vos deixo um bonito postal de Boas Festas editado pela Equimetal, empresa criada em 1973 no seio do Grupo CUF resultando de uma politica de descentralização e autonomização das antigas divisões da empresa (neste caso a sua antiga Divisão de Metalomecânica). Como poderão ver o bonito desenho da capa que tenta ilustrar a súmula das actividades da empresa encontra-se assinado por F. Lourenço. Se por acaso alguém conhecer ou saber mais sobre este artista digam.me alguma coisa.  

Capa do Postal
Interior do Postal

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Cinzeiro da Tabaqueira

Em Outubro de 2009 publiquei o primeiro cinzeiro da Tabaqueira que comprei. Agora. é altura de mostrar uma das minhas ultimas aquisições neste campo. Trata-se de um bonito cinzeiro hexagonal feito pela Vista Alegre a publicitar esta empresa. A sua decoração é bastante simples e minimalista, símbolo da Tabaqueira e palavras a preto e os rebordos a dourado, o que lhe dá um toque de fina elegância. Ao consultar a publicação lançada pela própria Vista Alegre sobre a evolução da sua marca esta peça é facilmente datável da época entre 1947 e 1968. Diria com alguma certeza que ainda é do tempo da velha fábrica do Poço do Bispo pois ainda ostenta aquele que foi o símbolo inicial da empresa e que deverá ter durado até 1962, altura em que é inaugurada a fábrica de Albarraque. Geralmente esta é uma peça que quando aparece ou lhe falta os dourados do rebordo, ou o símbolo da Tabaqueira e as letras estão gastas ou pior ainda, um ou alguns dos cantos encontram-se partidos. Foi preciso esperar anos para que finalmente me aparecesse um cinzeiro destes em estado impecável como este, mas valeu apena, pois é de facto de uma grande beleza. 



quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Á mesa com a União Fabril do Azoto

Se há coisa que as grandes empresas ainda hoje não podem dispensar é o seu refeitório próprio. Palco central de convivência diária onde os seus diversos departamentos se cruzam à mesa partilhando conversas e por vezes confidências. Acabado o repasto, cada um segue para os seus postos de trabalho, mas no refeitório a azáfama continua. Se uns partem, outros chegam famintos por uma refeição quente e por um pouco de descontracção. Quando por fim o movimento cessa, começa a melodia do tilintar dos batalhões de pratos, copos e talheres, prontos para a desinfecção e limpeza. 

Como é obvio à União Fabril do Azoto não faltavam refeitórios tanto em Alferrarede (1952) como no Barreiro (1962). Eu sei que à primeira vista, o título desta postagem pode parecer no minímo estranho, mas de facto hoje quero que imaginem que estavam sentados a almoçar no refeitorio da UFA - União Fabril do Azoto de Alferrarede. 

Conjunto de Sopa 






Conjunto de Refeição






Chávena de Café 



Infelizmente quanto á chávena de café, não consegui o seu pires respectivo... Pode ser que algum dia apareça por aí um perdido, pois de facto o conjunto completo daria logo um outro look! 

Esta louça foi fabricada pela, Sociedade de Porcelanas de Coimbra, conforme de pode observar na foto seguinte:



O faqueiro é em inox e como poderão ver com maior detalhe nas imagens abaixo, nos cabos dos talheres está la gravada a sigla da empresa: UFA 




Em termos de dimensões dos objectos, os pratos têm 24 cm de diâmetro, a colher e o garfo medem aproximadamente 20 cm e a faca 24 cm. 

E resta-me deixar aqui um obrigado muito especial ao meu amigo João Pauleta que há uns anos me ofereceu todo este espólio, que guardo com muito carinho. A chávena de café essa descobri-a noutras "guerras" e o guardanapo é da minha casa, tendo-o usado apenas como forma de adereço e embelezamento para dar o toque final de apresentação.  

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

O lançamento da linha de produtos "O´ki Scientific"

Em Fevereiro de 1972, a UNICLAR - Inernacional de Cosmética S.A.R.L., empresa fundada no ano anterior no seio do Grupo CUF, escolheu o salão de festas do Hotel Ritz para a apresentação da marca O´ki Scientific. Para além da administração, quadros técnicos e comercial da empresa, estiveram também presentes os sectores de vendas da UNISOL e da UNIFA bem como o Engs. Vistulo Abreu e Sousa Rego. 

Informação Interna CUF - Junho de 1972, pág. 16

Segundo a noticia publicada no Diário Popular de 27 de Fevereiro de 1972, o O´ki Scientific tratava.se de uma "extraordinária inovação no campo especifico dos produtos para a desodorização corporal. Na realidade O´ki Scientific vem superir uma lacuna não preenchida até agora pelos desodorizantes vulgares - na fórmula de O´ki Scientific entra um componente exclusivo que desempenha uma acção de desodorização automática. Isto é: a sua acção aumenta à medida que a transpiração também aumenta."


Noticia do Diário Popular de 27 de Fevereiro de 1972

Infelizmente ainda não consegui (e depreendo que será tarefa bastante dificil) encontrar os produtos originais aquando do lançamento da linha O´ki, contudo deixo-vos aqui as embalagens daquilo que deve ter sido o segundo "look" da marca ainda fabricados pela UNICLAR.

Pormenor de Conjunto

Sabonete O´ki Scientific (frente)

Sabonete O´ki Scientific (verso)

Aerosol O´ki Scientific (frente)

Aerosol O´ki Scientific (verso)
Para finalizar esta postagem, deixo aqui o anuncio publicitario que saiu aquando do lançamento destes produtos: 



terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Garrafa de Azeite CUF Alferrarede Extra

Eis um achado que tem uma história caricata. Há cerca de dois anos atrás, tive o prazer de me encontrar com esta garrafa de azeite numa feira de velharias. Ao início, nem queria acreditar no que estava a ver. Pensava eu com os meus botões: "Uma garrafa de azeite, e ainda por cima cheia, ali á minha espera? Nah não pode ser!" Até que o vendedor me disse: "atenção ela está cheia, mas não de azeite! Isso é perfume!". E foi nesse instante que percebi porque é que um objecto tão perecível como uma garrafa de azeite com os seus 60/50 anos não tinha ido parar ao lixo.



Pormenor do Rótulo

Há muitas decadas atrás antes de aparecerem as modernas perfumarias e lojas especializadas em cosmética, existiam as drogarias de bairro que vendiam uma parafernália incrível de coisas, entre as quais perfumes para todos os gostos e feitios. Em miúdo ainda me lembro de ver frascos enormes com os nomes dos perfumes aos balcões das drogarias, as pessoas indicavam qual a marca e a porção  que desejavam e era só levar para casa e encher nos frasquinhos. Quem quer que fosse a pessoa, certamente comprou à época este litro de perfume "a vulso" dessa forma, e praticamente não o gastou.

Porém a história não acaba por aqui. Quando comprei esta garrafa, vinha tapada com uma rolha de cortiça para que o perfume não se evaporasse. Perfeccionista como sou, sabia que tinha de encontrar (se conseguisse) uma tampa original por forma a completar esta rara peça. Após uma espera de dois anos, lá descobri uma pessoa que tinha precisamente uma tampa de rosca que completava a peça e no Sábado passado fui de propósito ao Montijo busca-la, sendo o resultado final este que aqui vos apresento.

Pormenor da Tampa com o simbolo da CUF


Outro pormenor evidenciando a rosca

A datação desta garrafa não é tarefa fácil, contudo parece-me ser anterior ao modelo que consta no espólio fotográfico de Horacio de Novais pertença da Fundação Calouste Gulbenkian que aqui publico. Aparentemente este novo modelo de garrafa terá sido lançado no ano de 1961, pois é desse ano o unico anuncio que encontrei e que faz referencia a esta marca. Atente-se que nesta nova versão a velha rolha de rosca é substituida por uma cápsula e o rotulo passa a deter um fundo a branco.

Foto do Espolio Horacio de Novais - F.C.G.


Anuncio de 1961

Foi também lançado um engraçadissimo porta-chaves publicitário referente a este produto que aqui vos deixo:





quinta-feira, 9 de novembro de 2017

O Congresso da ISMA - 1954

Entre os dias 24 e 30 de maio de 1954 realizou-se em Lisboa um Congresso Internacional de Superfosfatos (I.S.M.A. - International Superphosphate and Compound Manufacturers Association) que contou com a presença de representantes das seguintes nações: Portugal, Espanha, França. Inglaterra, Irlanda, Suiça, Alemanha, Itália, Bélgica, Suécia, Noruega, Dinamarca, Finlandia, Holanda, Estados Unidos, Africa do Sul, Norte de África, India e Nova Zelândia.

Postal do Casino Estoril

O banquete inaugural reuniu cerca de 500 pessoas e decorreu no Casino Estoril, sendo presidido pelo secretário de Estado do Comércio e Industria. No fim do banquete o Dr. Jorge de Mello na qualidade de representante da Indústria Portuguesa a este congresso saudou todos os presentes. Depois de agradecer as facilidades concedidas pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros para a realização deste congresso referiu que a indústria portuguesa de superfosfatos não existiu entre nós até ao ano de 1908. Focando-se depois na actualidade referiu a existência de três empresas nacionais produtoras de Superfosfatos cujas suas fábricas foram totalmente modernizadas depois da última guerra. De seguida
Dr Jorge de Mello
frisou: "Fazemos face a todas as necessidades imediatas da Lavoura metropolitana e ultramarina e estamos preparados para os aumentos de consumo que derivarem da activa politica de fomento agrário do nosso Governo. Mas, enquanto o mercado interno não se desenvolver suficientemente sobram-nos largas disponibilidades para exportação, quer por possuirmos grandes fábricas modernas e bem apetrechadas; quer devido às existências de pirites no nosso País; quer ainda pela sua posição geográfica, relativamente aos jazigos de fosfatos do Norte de África, Portugal estaria hoje em condições de ocupar posição de maior destaque na exportação de superfosfatos se tivesse querido colaborar mais activamente na desordem internacional de preços." Falaram de seguida os Srs. Colbejornsen e Grandgeorge manifestando palavras de reconhecimento aos organizadores do Congresso. O Presidente do I.S.M.A. Sr. Biro agradeceu a festa e por ultimo o Subsecretário do Comércio referiu-se à necessidade da intensificação da lavoura nacional, por forma a dar resposta ao elevado ritmo de crescimento da população nacional.

Casa São Cristóvão no Estoril onde decorreu o Cocktail 
O local escolhido para a realização das reuniões deste Congresso, foi a sede da Associação Comercial de Lisboa. E como não poderia deixar de ser da praxe, entre estas reuniões, realizaram-se visitas turísticas e almoços de confraternização. No dia 26, os membros do Congresso visitaram os arredores de Lisboa tendo visitado o Palácio de Queluz, de seguida foi servido um almoço nos jardins do Palácio de Monserrate a convite da Câmara Municipal de Sintra. À tarde, D. Manuel de Mello ofereceu na sua casa do Estoril um cocktail aos congressistas.

No dia seguinte a comitiva rumou a Vila Franca de Xira, mais concretamente à Estalagem do Gado Bravo, local escolhido pelas empresas das minas de S. Domingos, Lousal e Aljustrel para oferecer o almoço aos congressistas. Durante o repasto os 400 congressistas poderam admirar danças e cantares caracteristicos da leziria ribatejana, tendo-se distinguido os seguintes solistas: Manuel Rabaça, Maria Paixão e Maria das Graça. Seguiu-se uma garraiada em que tomaram parte os cavaleiros Manuel Conde e Francisco Mascaranhas.


Capa do Menu


Menu do Almoço

Complexo da CUF no Barreiro

No dia 28 os delegrados do I.S.M.A. visitaram demoradamente as fábricas da CUF no Barreiro sendo acompanhados pelo Sr. D. Manuel de Mello, Nicolas Gregori, José Manuel de Mello e eng. Eduardo Madaíl administradores daquela empresa, bem como pelo Dr. Jorge de Mello, delegado a indústria portuguesa ao conselho da Associação Internacional de Fabricantes de Superfosfatos. Depois de terminada a visita foi oferecido pela administração da CUF um almoço, no meio do qual o Sr. D. Manuel de Mello usou da palavra, merecendo sem sombra de duvida serem lidos os seguintes excertos:

"Dirijo-me a homens de trabalho para quem o estudo, o espirito de decisão e a actividade valem mais do que a oratória. Tal como os congressistas, entendo que os ruídos de uma fábrica em laboração valem mais do que um discurso. Direi mesmo: para visitantes de alta categoria social e industrial de V. Exas. valem mais do que qualquer outra homenagem. Escutemos, então, o que esta fábrica nos está dizendo pelas voz de suas máquinas.

Ela quer contar-nos a sua história, as suas grandes dificuldades iniciais, o seu lento progresso , as lutas constantes, as desilusões e as vitórias. É, afinal, a história de quase todas as grandes fábricas que pelo Mundo têm sido geradas por esse inigualável factor de fomento que se chama iniciativa privada. Mas esta fábrica fala-vos, principalmente do homem, tantas vezes incompreendido, que a soube criar e fazer grande. Do homem que, mesmo no túmulo, permanece junto dela, como que a dirigi-la ainda com o seu espírito imortal e a extraordinária força de vontade que para nós, seus sucessores continua sempre viva. Muitos de V. Exas. o conheceram e com ele conviveram em reuniões e congressos internacionais.

Alfredo da Silva, com audácia, inteligência e tenacidade, com o mais são, mais útil e mais indiscutível patriotismo, foi o primeiro industrial português do seu tempo, em época em que as grandes iniciativas económicas não tinham ainda o devido acolhimento entre nós. Deu-nos exemplo magnifico, exemplo que frutificou. Apontou-nos o caminho do futuro. Soubemo-lo seguir. Antes de Alfredo da Silva se lançar no fabrico de superfosfatos, faltavam quase totalmente á lavoura nacional os adubos nacionais, motivo por que ela se encontrava á mercê das guerras e outras causas de dificuldades de abastecimento do estrangeiro.

Fabrica de Superfosfatos da C.I.P.

Hoje além desta fábrica que estão escutando, existem em Portugal mais duas outras, a da SAPEC de Setubal e a da Companhia Industrial Portuguesa na Póvoa de Santa Iria cuja soma de capacidade de produção atinge cerca de 650.000 toneladas a mais de superfosfatos, equiparadas portanto, para todas as necessidades actuais da lavoura metropolitana e ultramarina e para os aumentos de consumo previstos. Portugal, que soube conquistar o seu lugar como exportador de superfosfatos, deseja mantê-lo, para o que tem direito incontestável."

D. Manuel de Mello
O Sr. D. Manuel de Mello concluiu dizendo:

"Ao receber visitantes tão ilustres, esta fábrica inscreve os seus nomes, a letras de ouro, na memória dos seus dirigentes. Em meu nome pessoal e no conselho de administração da Companhia União Fabril, brindo por V. Exas. pela prosperidade das obras económicas e sociais que dirigem e faço votos  ardentes para que o congresso do I.S.M.A. contribua para a cooperação internacional cada vez mais forte e portanto, cada vez mais util para todas as nações nele representadas."

De seguida o Sr. Douglas Bird usou da palavra agradecendo em seu nome e dos delegados o prazer que a Companhia União Fabril lhes proporcinou de visitarem as suas fábricas do Barreiro. O representante da Holanda, Sr. J. D. Waler agradeceu a recepção dispensada e brindou a Portugal. Por ultimo o Subsecretário do Comércio e Industria, regozijou-se com o facto de o congresso ter sido realizado no nosso país, permitindo aos delegados conhecer a realidade do nosso desenvolvimento industial, bem como das gentes portuguesas.

Após o almoço os congressistas dirigiram-se para Belém, para ali visitar o Museu dos Coches, seguindo depois para o Castelo de S. Jorge.

Fontes consultadas:

- O Século, Diário de Noticias, Diário Popular