sábado, 25 de maio de 2013

Lápis Publicitário da CUF

Em tempos idos os lápis e as canetas eram uma eficaz estratégia publicitátria por forma a fazer passar marcas ou produtos para o grande publico. Em miudo ainda me lembro nos tempos de escola de haver diversos tipos de lápis às cores, publicitando todo o tipo de coisas. O certo é que na actualidade ja nao os vejo por ai, terão caido em desus com a revolução da informatica e da cibernética? As canetas essas continuam a gozar de boa saude pelo que vejo.

Pois aqui vos deixo nais esta curiosidade: um Lapis publicitando, os azeites, oleos e saboes da CUF, bem como os telefones da empresa em Lisboa e no Porto. Se à primeira vista este parece um lapis vulgar, desenganem-se, pois ele tem de diametro 1 cm, e de comprimento 21,5 cm.



sábado, 20 de abril de 2013

Lisboa - Doca do Espanhol anos 60

Há umas semanas atrás, adquiri por curiosidade alguns "slides" com fotografias tiradas do Porto de Lisboa, tiradas por um senhor alemão que visitou Portugal há 40 anos. Depois de uma aturada procura, pois eram centenas de slides, de diversos temas, natureza, animais, touradas, ferias na neve, la me deparei com alguns slides com imagens do Porto de Lisboa, e pensei "Porque não mandar fazer em fotos?". Foi o que acabei por fazer, e cá estão eles. Infelizmente não foram guardados com os cuidados devidos, apresentando bolor, tirando alguma qualidade e belezas às fotos que aqui irei colocar. Porém olhar para elas é como viajar no tempo e regressar uma época em que Portugal olhava de uma forma muito diferente para o Mar. Para os amantes de navios (onde eu me incluo) é absolutamente delicioso, olhar para um Porto de Lisboa cheio de navios mercantes nacionais que davam um colorido aquele espaço.


 Nesta foto e visível (ainda que muito desfocado) a proa do "Rita Maria" da S.G. e  ao seu lado mais ao fundo o cargueiro "Beira" da CNN


 Neste emaranhado pictográfico de navios, sobressai o cargueiro "Beira", a pedir uma nova pintura do casco


 Uma panorâmica tirada da Doca do Espanhol para o lado da Rocha Conde de Óbidos, por entre os batelões e fragatas, avistamos de novo o "Beira" seguido de um Navio-tanque da Soponata que devido ao tipo de construção poderá ser o "Alvelos", "Cercal", "Dondo" ou o "Erati"


 Termino com a minha foto preferida: Uma bela perspectiva do Paquete da S.G. "Amélia de Mello" com a sua chaminé a fumegar.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Postal enderaçado ao Chefe da Fábrica de Oleos da CUF

 
À  primeira vista, este aparenta ser um corriqueiro postal com uma das vistas mais tradicionais de Coimbra. Porém, o seu verso encerra a curiosidade de ser dirigido ao Sr. José Luiz Nicola, que à época era Chefe da Fábrica de Óleos da CUF no Barreiro,podendo ler-se o seguinte:
"Coimbra, 27/8/51

Sr. José Luiz

O que eu mais estimo é que este meu postal o vá encontrar de perfeita saúde e em companhia de sua esposa, que eu cá vou indo um pouco atrapalhado. Sr. José receba muitos comprimentos e abraços do seu amigo. Muller foi logo a primeira coisa que ele me perguntou foi pelo Sr. José Luiz e eu disse que estava bem e também perguntou pelo Leitão Gomes. Sr. José dou (ou dê) recomendações ao pessoal todo do escritório e também ao Alberto. Sem mais receba recomendações de seu amigo"

Só tenho pena de não se saber quem o escreveu, pelos vistos preferiu ficar no anonimato.  Mas a História é assim mesmo. Facto inegável é que teria sido também ele um trabalhador da empresa.


sexta-feira, 5 de abril de 2013

Gravata da Lisnave

Já lá vão praticamente três meses em que nada tenho escrito no blogue, mas por vezes a vida profissional é demasiado absorvente consumindo grande parte do nosso tempo. Pois bem, cá estou eu de novo, sempre com o intuito de mostrar novos objectos e de contar histórias da história do Grupo CUF. 

Hoje trago como curiosidade, nada mais nada menos que uma gravata da Lisnave.  De facto há já muito tempo que sabia da sua existência, apenas por fotografia (que aqui reproduzo, na qual se consegue ver razoavelmente essas tais gravatas) Pois bem, quis o destino que após uns anitos me viesse parar às mãos uma gravata da empresa, com mais de 40 anos, que como poderão ver encontra-se em perfeito estado de conservação. Observando a parte de trás podemos ler "100% Terylene, Lavável e não passar a ferro". E já que não estou muito dentro dos assuntos de gravatas, peço a quem souber que me ajude a deslindar a marca da gravata: À esquerda está um símbolo vermelho onde se pode ler ATCA. Segundo a nossa leitora Cristina Almeida (a quem eu muito agradeço as informações) a sigla ATCA refere-se a Alves e Teixeira da Cunha Lda., empresa que se encontrava sedeada na Rua dos Coreeiros. 

José Manuel de Mello, com Rogério Martins (Secretário de Estado da Industria) apresentando-lhe o projecto SETENAVE. Como poderão ver dois altos quadros da Lisnave (sendo que o senhor à direita era o Eng. Perestrello), estão a usar este modelo de gravata.



quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Bilha de Azeite da CUF


 Pormenor da tampa em rosca

 Chapa com o numero identificativo da bilha

Tudo indica que esta bilha recém adquirida por mim, era usada no transporte de azeite. Muito provavelmente seria da CUF de Alferrarede, local onde a empresa possuía uma unidade de produção de azeite, desde o longínquo ano de 1907. Quanto à sua cor, não sei se é original, pois parece-me "nova" demais. A bilha mede 66 cm de altura detendo 30 cm de diâmetro. Como se pode observar possui uma tampa em forma de rosca, presa a uma correia que a liga-a uma das asas. Ao cimo da bilha é visível uma pequena chapa que identifica o respectivo numero da bilha no inventário da empresa: 4726.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Exportações CUF


Estávamos em Junho de 1964, quando a publicação Informação Interna - CUF editou este curioso mapa desenhado por A.E. Santos. A politica da empresa sempre se baseou primeiramente no fornecimento a 100% dos mercados internos, exportando as respectivas sobras. Porém, em meados dos anos 60, alicerçada num programa de renovação/modernização de estruturas e introdução de novos produtos essa politica é reequacionada, apostando a CUF cada vez mais nos mercados externos, como forma de uma maior rentabilização dos seus investimentos. O que aqui vemos neste mapa é precisamente os inícios de tal filosofia. Como se poderá facilmente constatar, excluindo o então Ultramar Português, verificamos a penetração dos produtos da empresa em mercados bastante exigentes e competitivos, como os EUA, Japão, ou Alemanha. Praticamente se exceptuarmos a África para a qual a empresa exportava apenas para dois países (Africa do Sul e Rodésia), constatamos grande dinamismo em exportações para os mercados da Europa do Norte, Médio Oriente e Ásia.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Chapa de Identificação da Lisnave

Há já algum tempo atrás publiquei no blogue, algumas chapas de identificação da Lisnave. Contudo há poucos dias chegou-me às mãos uma de outro modelo. Esta será certamente dos anos 60 sendo em tudo semelhante aos que eram usadas na época do Estaleiro Naval da CUF. Pode-se ainda observar que estaria pintado do que me parece ser um verde escuro. Como se poderá observar ainda, o numero de trabalhador era o 22804. Esta chapa identificativa era colocada ao peito nos fatos de trabalho dos operários que assim ficavam devidamente identificados.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Festas Felizes

Caros amigos e leitores deste blogue, venho desejar-lhes nesta época festiva um Feliz Natal (dentro de todas as possibilidades) e que o Novo Ano, se revele um ponto de viragem para um Portugal melhor. Mas para isso acontecer lembrem-se todos vocês que não depende só do Estado (alias cada vez menos) mas sim de todos nós, para que tal miragem seja amanhã uma realidade.

Este ano deixo à Lisnave  a honra de vos desejar a todos as boas festas com este interessante postal, da década de 70. Observem  que quando se puxa o super-petroleiro para fora, este tem uma original mensagem de boas festas.

Festas Felizes para todos

Ricardo Ferreira.





terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Agenda de Bolso da Divisao de Texteis da CUF

Desde miúdo, que as agendas de bolso me fascinam. Em casa do avô existiam varias, ofertas de tempos idos. Quando lá ia adorava ficar horas a desfolhar esses pequenos livros que no se interior guardam múltiplas informações, bem como retalhos da vida das pessoas. O mais fascinante para mim, é que pensar há 40/50 anos uma pessoa abria aquele pequeno livro, e tinha acesso a informações importantes como os telefones mais importantes de Lisboa e do Porto, dos Táxis, dos Cinemas e Teatros, quais as carreiras dos eléctricos e autocarros, quais os feriados, as distancias quilométricas, os sinais em vigor no código da estrada, e ate curiosidades de como tirar nódoas! Hoje o mundo é diferente, as agendas de bolso são o mais simples possivel, ate porque esse tipo de informações estão a um "clik" do dedo, do comum dos mortais através das auto-estradas internauticas. 

Quanto a esta Agenda de Bolso, foi editada pela Divisão de Têxteis da CUF no ano de 1963. Observe-se a grande diversidade de produtos fabricados por esta Divisão, cujo a maioria dos seus serviços se encontravam centrados nas Fábricas do Barreiro. Relativamente à Juta, Cairo e Sisal, eram matérias primas provenientes não só do nosso Ultramar (Angola e Moçambique) como da Índia, Bangladesh, ou Birmânia. Os navios da Sociedade Geral terão neste processo uma enorme importância, já que era neles que tais matérias primas eram transportadas até ao Porto Fluvial da CUF no Barreiro. Ali eram descarregadas e depois transformadas numa vasta gama de produtos, que ia desde as cordas, até à tapeçaria.







 

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Publicação do Mês - Journal of Applied Chemistry of the USSR

Caros Leitores e amigos

Ocorreu-me introduzir no meu blogue um post mensal relativo ao tipo de publicações existentes no Centro de Documentação da CUF. Como deve ser do vosso conhecimento este Centro foi criado em 1960, sendo um dos primeiros do seu género no país. Primeiramente as suas instalações ficaram situadas em Sacavém, sendo depois transferidas para a Rua do Quelhas onde chegaram a ocupar  quatro pisos nos nº 20 e nº 22. Posteriormente por medidas económicas foi o Centro transferido para o nº 170 da Avenida. 24 de Julho onde permaneceu até ao seu final.

Este mês trago-vos o interessante Journal of Applied Chemistry of the USSR (ou em russo Zhurnal Prikladnoi Khimi) Esta publicação foi fundada em 1928 abrangendo todos os problemas de aplicação da química moderna, incluindo a estrutura de compostos orgânicos e inorgânicos, cinética e mecanismos de reacções químicas, problemas de processos químicos e aparelhos, problemas limítrofes da química e da pesquisa aplicada. Ainda hoje esta publicação continua a existir com o nome de Russian Journal of Applied Chemistry. Como se pode observar o Centro de Documentação da CUF recebia a versão inglesa desta publicação. Mais uma vez se pode constatar a empresa recebia publicações de todo o mundo cientifico, até da URSS numa época em que era por cá invulgar e quase proibido receber ou ler coisas vindas da então chamada Cortina de Ferro. 


sábado, 17 de novembro de 2012

CUF - SCP - Campeonato de Lisboa de 1946

Há já bastante tempo que não me debruçava sobre a temática desportiva da CUF que também tem uma história riquíssima. Pois bem hoje viajamos até ao ano de 1946, mais concretamente ao dia 27 de Outubro, data na qual a CUF e o Sporting se debateram no Estádio do Lumiar A (à época a casa do Desportivo da CUF)

 Jogo a contar para a 7ª Jornada do Campeonato de Lisboa.

Equipa do Desportivo da CUF: Eduardo Santos; Alves, Armindo, Bernardo, Gastão, Curtinhal, Leitão, Correia dos Santos, Sousa Pereira, Armando Carneiro e Vicente
Marcadores: Sousa Pereira e Correia dos Santos

Equipa do Sporting: Azevedo; Cardoso, Manuel Marques, Canário, Veríssimo, Barrosa, Armando Ferreira, Vasques, Jesus Correia, Travassos e Albano.  
Marcadores: Arando Ferreira, Vasques e Jesus Correia

Segundo as crónicas da época, o Sporting efectuou um bom domínio durante todo o primeiro tempo, apesar da boa réplica encontrada no conjunto cufista. O certo é que o Sporting encarou o desafio sem preocupações de maior, subestimando o adversário (como tantas vezes acontece no mundo do desporto rei) e essa brincadeira poderia ter-lhe custado uma derrota. A Revista Stadium referia-se ao "team" cufista nos seguintes termos "há no seu conjunto unidades habilidosas, mas mesmo as que o são menos - sabem jogar à bola" escreveriam ainda "a Cuf tem ainda um ar simpático e modesto de grupo sem estrelas, ou com muito poucas, mas em que todas as unidades revelam jeito, disposição de jogo e vontade de acertar.". A linha avançada nos leões não se encontrava num dos seus dias, e o que é certo é que a equipa adversária foi crescendo em campo, possuindo e procurando maior numero de oportunidades que não conseguiram efectivar em golos. O Sporting, mostrou-se mais hábil tendo ganho o desafio por 3-2, contudo a imprensa da época reconhece qualidades à equipa da CUF. Foi um desafio renhido, do qual, qualquer dos dois grupos poderia ter saído vencedor.


O que era o Campeonato de Lisboa?

Esta competição vai ter as suas origens naquela que foi a primeira tentativa de se organizar uma prova futebolística de carácter nacional. Assim em Março de 1894 (muito à semelhança daquilo que já acontecia em Espanha com a Taça do Rei) o nosso rei D.Carlos, desportista nato, decide estabelecer um troféu cujo o principal objectivo era colocar frente a frente as equipas mais fortes das diversas cidades do país. Contudo, esta competição, cedo se revelou um projecto demasiado ambicioso, para uma época em que o Futebol Português encontrava-se ainda em fase de ebulição, quedando-se apenas por uma edição.
Só em 1906 haverá nova tentativa para instituir uma prova futebolística nacional. Desta vez a ideia partiu da revista Tiro e Sport (a primeira dedicada ao desporto em Portugal) onde figuraram diversos clubes lisboetas. O sucesso foi tal que acabou por originar a criação do organismo que estará na génese da expansão e promoção do futebol em Portugal, a Liga de Football Association (mais tarde Liga Portuguesa de Futebol). 
Ate 1910, efectivaram-se novos esforços para criar uma competição de carácter nacional sem sucesso. Numa época na qual o Futebol estava ainda confinado às principais cidades do país (Lisboa e Porto) é mais que natural o aparecimento do Campeonato de Lisboa. Esta prova será até aos finais da década de 20, inicio de 30 a prova mais importante do pais. Se num primeiro momento apenas figuravam nela os clubes de Lisboa,  a sua participação será alargada a outros clubes, especialmente aos grupos emergentes da "outra banda" (Barreirense, Vitória de Setúbal, CUF, etc). Contudo com o aparecimento em 1934 da 1º Liga Nacional, e anos mais tarde da Taça de Portugal, o Campeonato de Lisboa perderia cada vez maior importância no panorama futebolístico. Assim na época de 1946-47 após 41 anos de prova  esta chegava ao seu términos final.

domingo, 28 de outubro de 2012

Convite do Almoço de Encerramento das Comemorações do Centenário da CUF




Mais uma vez o meu amigo Norberto Santos surpreendeu-me ao oferecer-me este interessante documento que desconhecia. Trata-se do convite do Almoço de encerramento do centenário da empresa, oferecido pela Administraçao. Este evento ocorreu no dia 8 de Janeiro de 1966, tendo como palco a Nave Central da FIL em Lisboa. Como poderão verificar, a capa encontra-se decorada com o símbolo elaborado para as comemorações dos 100 anos da empresa.

Estiveram presentes neste evento mais de 3000 pessoas. Da parte da administração estiveram presentes no almoço, D. Manuel de Mello, os filhos Jorge e José de Mello, bem como os restantes administradores da Companhia, Eng. Rocha e Mello, Vasco de Mello, Conde de Alcáçovas, Dr. João Salgueiro, D. Diogo de Mello e Dr. Fracisco Castro Caldas.

O Boletim de Informação Interna da CUF descreve da seguinte forma o acontecimento: "Esta reunião proporcionou, e era esse o seu objectivo principal, algumas horas de franco convívio entre alguns dos que constituem  a grande Família CUF. Estiveram presentes representações do Pessoal de todo o País onde a Companhia exerce a sua actividade, tal como, do Barreiro, Lisboa, Porto, Alferrarede, Ansião, Canas de Senhorim, Mirandela e Soure, Beja, Faro, Coimbra, Castelo Branco, Évora, Estremoz, Santarém, Viseu, Vila Real, Bombarral, Caldas da Rainha, Lourinhã, Torres Vedras, Coina, Moita, Sabugo, Malveira, Cascais, Braga, Famalicão, Barcelos, Viana do Castelo, Aveiro, Chaves, Régua, Bragança, Setúbal, Lagos, Cacém, Ponte de Sôr, Portalegre, Vale do Peso, Benavente, Tomar, Torres Novas, Sabugal, Guarda, Duas Igrejas, Mogadouro, Castelo Branco, Covilhã, Fundão, Cantanhede, Oliveira do Bairro, Pombal, Pampilhosa do Botão, Quintas e Amorim."

 Um aspecto do Almoço


Observe-se ainda que juntamente com este convite, vinha ainda em parte destacável, o respectivo titulo de transporte assegurado pela empresa:



sábado, 6 de outubro de 2012

Carta de Cores da Sotinco - Agosto de 1969

E já que falamos da Tinco/Sotinco porque não apresentar uma curiosa carta de cores por eles lançada em 1969? Pois aqui está ela! Impressa em Espanha, este pequeno catalogo publicitava as suas cores supermate para interiores. Eram 10 as cores á escolha: Branco Areia, Madressilva, Azul Polar, Azul Estival, Opala, Alabastro, Jaspe. Lótus, Cinzento Névoa e Branco. Na parte traseira do catalogo vinham os diversos contactos da empresa.

            (Capa)                                                   (Contracapa)

















   (Interior)

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Postal da Fábrica da Tinco nas Fábricas do Barreiro



A TINCO - Sociedade Fabril de Tintas de Construção é mais um bom exemplo de uma área nova para a qual o Grupo se expandiu, por necessidade própria. As palavras de Jorge de Mello ilustram bem, como essa ideia terá surgido:

 "... numa viagem que estava a fazer a Angola, vi chegar o Andulo, um navio da Sociedade Geral. Pelo seu aspecto, pareceu-me que precisava de pintura, mas o comandante do navio informou-me de que o navio tinha saído do estaleiro onde fora pintado. Era óbvio que alguma coisa de errado havia com as tintas. Mas partir para a decisão e construir uma fábrica de raiz não se justificaria se não houvesse um mercado suficiente para sustentar esse investimento, um mercado que tivesse a mesma necessidade de tintas especializadas como as que se aplicavam nos navios. O nosso problema era ter um produto de qualidade. Mas já que a decisão estava tomada, era natural que também se procurasse tornar a actividade lucrativa. A constituição da Tinco, que depois se designou por Sotinco, em associação tecnológica com a ICI, avançou com mais segurança quando se confirmou que outras empresas também estavam interessadas em tintas de maior qualidade do que as que existiam no mercado português, designadamente no caso da SACOR, que precisava de boas tintas para a pintura dos seus depósitos de combustível."  

Constituída em 1958, a sua fabrica ficaria situada dentro do Complexo das Fábricas do Barreiro da CUF a sul da Oficina de Metalomecânica e da Caldeiraria. A sua actividade principal era o fabrico de tintas e vernizes, tendo de imediato uma grande aceitação nos mercados industriais e de construção civil, possuindo crescimentos situados em média nos 10% ao ano ao longo da década de 60 e inícios de 70. O inicio desta nova década manteve-se promissora para a empresa que logo irá gizar um novo plano de investimentos entre os anos de 1972-76, de forma quer a aumentar o dobro de capacidade da sua linha fabril, quer na diversificação de produtos. No seguimento dessa politica é constituída a 8 de Outubro de 1973 uma trading company designada por Jotum-Tinco - Tintas Marítimas Lda. destinada a cobrir todas as actividades comerciais da Jotun-gruppen e da nova empresa, no mercado de tintas marítimas. Em 1974 a Tinco irá lançar com grande sucesso, um conjunto de primários da sua marca. Nos dias de hoje a Sotinco continua a ser uma referencia no mercado de tintas, estando de pedra e cal no nosso mercado nacional.

Quanto a este postal, tenho em primeiro lugar de agradecer ao meu grande amigo Norberto Santos que teve a gentileza de mo oferecer. A foto é da autoria de Horácio de Novais que em 1962 foi ate ás Fábricas do Barreiro tirar algumas fotos para efeitos publicitários da empresa que nesse ano editou um conjunto de postais ilustrativos da actividade fabril daquele local. Na foto ao fundo é visível a chaminé fumegante do Tratamento de Cinzas de Pirite.