quarta-feira, 18 de julho de 2007

Curiosidade: Noticia sobre o andamento das obras do Estaleiro da Margueira

"No passado dia 2 do corrente, o Sr. Ministro das Comunicações, Eng.º Carlos Ribeiro, deslocou-se à Margueira, a fim de assistir, no que virá a ser o grande estaleiro naval de Lisboa, a mais um passo importante: o fechamento da ensecadeira criada para a escavação das duas primeiras docas secas.


Foi recebido no local pelos Srs. José Manuel de Mello, Almirante Ortins Bettencort, A. Spencer Vieira e Dr. Simões de Almeida; Eng.º João Rocheta e Thorsten Andersen, directores-gerais da Empresa; Dr. Daries Louro, em representação do Conselho de Administração da A.G.PL.; Eng.º Brás de Oliveira e Bissaia Barreto , da Profabril; e Eng.º Valente Perfeito, dos empreiteiros principais.


Numa das salas das edificações já existentes, onde estão situados os serviços administrativos, o Sr. Eng.º Rocheta deu explicações sobre os trabalhos abrangidos na 1ª fase, a concluir no princípio de 1967, e acerca do seu desenvolvimento que continua dentro do ritmo previsto.
Seguiu-se uma visita a outras instalações, como as obras de construção da caldeiraria, onde se procederá à execução de todos os trabalhos metalo-mecânicos necessários futuramente: aos dois transformadores, cuja instalação suportará, segundo se calcula, oito milhões de quilovátios-hora, etc.

Mas o momento especialmente significativo, foi, como acima dissemos, o fecho da ensecadeira formando o enorme fosse de onde surgirão as docas secas, cujas portas, cada uma das quais pesará 350 toneladas, serão construídas na nova caldeiraria, assim como toda a rede de tubagem para esgoto das docas, num comprimento total de nove quilómetros.

Nesta 1ª fase, a área ocupada será de cerca de 200.000 metros quadrados, na sua maior parte conquistada ao rio, obrigando a um aterro hidráulico de mais de um milhão e meio de metros cúbicos, estando já, nessa altura, o estaleiro equipado com guindastes e dotado de ar comprimido, oxigénio, acetileno, vapor, água salgada e água doce, além de corrente alternada e contínua com as características usadas a bordo.

Em meados de 1966, o estaleiro disporá, então, de 1100 metros de cais e terá a funcionar as oficinas de caldeiraria e mecânica, podendo, nessa altura, encarregar-se de trabalhos em navios atracados.

Numa 2ª fase, a área deverá subir para os 400.000 metros quadrados; e, em meados de 1967, as duas primeiras docas, de 300 m x 46 m, - neste tipo as maiores docas secas do mundo, pois são apenas ultrapassadas por um estaleiro japonês - poderão docar, simultaneamente dois petroleiros de 130.000 toneladas de porte bruto."

Fonte: "C.U.F. - Informação Interna, Fevereiro de 1965"

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