sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

O Atentado Contra Alfredo da Silva em 1919

Em finais do século XIX princípios do século XX, andava muito na voga, revistas amplamente ilustradas e cheias de reportagens fotográficas, de noticias vindas um pouco de todo o mundo. A Fotografia e os seus processos estavam em evolução, tornando o seu uso banal. A mais conhecida deste género de revistas chegava de Franca, a célebre "Illustracion" e por cá felizmente não quisemos ficar atrás e para tal foi fundada a célebre "Ilustração Portuguesa" que diga-se era uma revista fabulosa para a época, com bom papel, bom grafismo, com belíssimas reportagens da vida portuguesa atraindo os mais famosos caricaturistas da época. Foi também um retrato vivo da historia do país, e da sua sociedade, uma das mais famosas capas é sem duvida a do Regicídio do Rei D. Carlos e do Príncipe Luís Filipe ocorrido 1 de Fevereiro de 1908, amplamente divulgada tanto no país como no estrangeiro.

Pois bem, chegou ás minhas mãos uma revista que certamente pela sua capa, passaria-me despercebida á primeira vista. Contudo para alem das habituais crónicas, as modas da época, e uma curiosa caricatura de Rocha Vieira onde se já gozava com o então mau estado das estradas nacionais (ontem como hoje...) e variados anúncios, salta á vista no meio de tudo isto, uma ampla reportagem fotográfica de uma página sobre uma das tentativas de assassinato de Alfredo da Silva em 1919.
Como se sabe durante a vigência da então Iª Republica Portuguesa, a agitação social era bastante grande, e não nos podemos esquecer que durante esse período os grupos anarquistas tinham muita força, e um homem como Alfredo da Silva era já considerado por muitos como a expressão máxima do capitalismo em Portugal e era um alvo a abater.

A primeira tentativa ocorreu quando o industrial se dirigia do Parlamento para Alcântara, perpetrado por um pintor de construção civil de seu nome Arsénio José Ferreira. Na segunda tentativa é surpreendido por dois homens à porta da sua casa, no palacete que possuía ao Alto de Santa Catarina (precisamente onde hoje está instalado o Museu da Farmácia). Um dos homens teria cerca de 28 anos, estucador de profissão, apontou-lhe uma pistola, mas teve azar, pois esta encravou, o industrial precipita-se para dentro do seu carro, auxiliado pelo seu motorista que com a manivela de arranque, faz frente ao agressor. O segundo homem, que estaria nas imediações atira um engenho explosivo para o local, ferindo o seu motorista. Depois destes episódios Alfredo da Silva, irá exilar-se em Espanha, até 1927, passando apenas pequenas estadas em Portugal para tratar de assuntos ligados ás suas empresas.

Observando a reportagem, pode ler-se com curiosidade, que aquando desta tentativa, na casa do industrial estava a decorrer um incêndio, seria curioso encontrar registos do que terá acontecido. Quem sabe andem algures perdidos!


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